Ben Gvir deverá participar da conferência da ONU em Nova York no próximo mês
- www.jornalclandestino.org

- há 2 dias
- 3 min de leitura
Israel enviará o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, a Nova Iorque em julho para participar de uma conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) dedicada ao policiamento internacional. A presença do ministro ocorre após anos de declarações contra a ONU, incluindo acusações de colaboração com o Hamas e comemorações públicas relacionadas à destruição de instalações da agência da ONU para refugiados palestinos em Jerusalém Oriental ocupada. A viagem também acontece dias depois de Ben Gvir defender o sequestro de mulheres e jovens libaneses como instrumento de pressão contra o Hezbollah.

De acordo com informações publicadas pelo jornal Haaretz, Ben Gvir liderará uma delegação do Ministério da Segurança Nacional de Israel na conferência anual da UNCops, marcada para os dias 7 e 8 de julho em Nova Iorque. O encontro será realizado sob o tema “Investindo na Paz” e reunirá ministros da segurança e chefes de polícia de diversos países para discutir mecanismos de cooperação entre forças policiais nacionais e transnacionais.
A participação do ministro chama atenção pelo histórico de confrontos políticos com a própria organização que sediará o evento. Em junho de 2024, após Israel ser incluído em uma lista da ONU relacionada a violações contra crianças em zonas de conflito, Ben Gvir declarou que “a ONU aliou-se ao Hamas e tornou-se colaboradora do terrorismo”. Meses antes, também celebrou a destruição do edifício da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) em Jerusalém Oriental ocupada.
Na semana anterior ao anúncio da viagem, Ben Gvir voltou a provocar controvérsia ao defender medidas contra o Hezbollah que incluiriam a detenção de civis libaneses. “Vamos começar a pensar fora da caixa sobre o Hezbollah”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “Conquistar território e matar muitos terroristas, mas também deter suas mulheres e jovens e levá-los para prisões terroristas... É isso que mais os machuca”.
As declarações foram feitas em meio à escalada das tensões na fronteira entre Israel e o Líbano, onde confrontos armados se intensificaram desde o início do genocídio contra a população palestina na Faixa de Gaza em outubro de 2023.
No mês anterior, Ben Gvir esteve no centro de outra controvérsia internacional após a divulgação de imagens envolvendo ativistas da Flotilha Global Sumud, que tentavam chegar a Gaza. O vídeo mostrou o ministro acompanhando ações de agentes do Serviço Prisional de Israel contra os ativistas detidos.
Nas imagens, Ben Gvir aparece segurando uma bandeira israelense enquanto integrantes da flotilha eram forçados a se ajoelhar com o rosto voltado para o chão durante agressões praticadas por agentes penitenciários. A gravação circulou em diversos países e provocou manifestações de governos cujos cidadãos estavam entre os detidos.
Dentro de Israel, as críticas concentraram-se na repercussão internacional do episódio e nos danos causados à imagem externa do Estado israelense.
A trajetória política de Ben Gvir está associada ao movimento kahanista e à expansão dos assentamentos israelenses em territórios palestinos ocupados. Durante anos, ele participou e incentivou incursões de colonos contra a Mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém. O próprio ministro reside em Kiryat Arba, assentamento considerado ilegal pelo direito internacional e instalado na cidade palestina de Hebron.
Sua formação política foi influenciada pelo rabino Meir Kahane, fundador do partido Kach. A organização defendia a criação de uma sociedade baseada na exclusão da população palestina e acabou sendo proibida em Israel. Posteriormente, também foi classificada pelos Estados Unidos como organização terrorista.
Ben Gvir ingressou no movimento aos 16 anos. A proibição do Kach ocorreu após o massacre de 1994 na Mesquita de Ibrahimi, em Hebron, quando Baruch Goldstein, integrante da organização, assassinou dezenas de palestinos durante orações.
Ao longo dos anos, o atual ministro expressou admiração tanto por Kahane quanto por Goldstein. Em declarações públicas, descreveu Kahane como um “homem santo, homem justo”. Durante muito tempo, manteve um retrato de Goldstein exposto em sua residência. Um vídeo divulgado posteriormente mostrou Ben Gvir fantasiado como Goldstein durante a celebração judaica de Purim, afirmando: “Ele é meu herói”.
Em 2007, a Justiça israelense condenou Ben Gvir por incitação ao racismo e apoio a organização terrorista. Entre as evidências apresentadas estavam cartazes com slogans como “Árabes fora”, “Ou nós ou eles” e “Há uma solução: expulsar o inimigo árabe”.
Antes de ingressar no governo, Ben Gvir atuou como advogado em casos envolvendo acusados de ataques contra palestinos. Um dos processos de maior repercussão foi sua atuação na defesa de dois adolescentes acusados de incendiar uma residência palestina na aldeia de Duma, na Cisjordânia ocupada, em 2015. Entre os mortos estava um bebê palestino de 18 meses que morreu queimado no ataque.
Nos últimos dias, o ministro foi obrigado a cancelar uma viagem particular aos Estados Unidos para participar do casamento de um amigo após enfrentar dificuldades na obtenção de visto. Segundo uma fonte citada pelo Haaretz, não há expectativa de obstáculos para sua entrada no país durante a conferência da ONU em razão de sua condição de ministro da Segurança Nacional de Israel.












































