ONU diz que mundo deve estar preparado contra insegurança digital
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O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc) afirmou em 16 de junho de 2026 que os mecanismos internacionais de combate ao crime enfrentam desafios decorrentes da digitalização das redes criminosas. A declaração foi feita pela diretora-executiva da agência, Monica Juma, a menos de três meses do Congresso das Nações Unidas sobre Prevenção ao Crime, marcado para começar em 26 de setembro em Abu Dhabi. A dirigente defendeu cooperação internacional, participação do setor privado e novas estruturas de governança para responder à expansão dos crimes transnacionais no ambiente digital.

Em entrevista à ONU News, Monica Juma declarou que o cenário internacional relacionado à criminalidade passa por mudanças impulsionadas pela evolução tecnológica. A diretora do Unodc afirmou que organizações criminosas utilizam ferramentas digitais e recursos baseados em inteligência artificial para ampliar operações que atravessam fronteiras nacionais, exigindo respostas coordenadas entre Estados e instituições internacionais.
À frente do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime em Viena há cerca de um mês, a ex-ministra e diplomata queniana argumentou que a cooperação internacional se tornou um requisito para enfrentar redes criminosas que operam por meio de plataformas digitais. Segundo ela, "nenhuma nação pode navegar nestas questões sozinha".
A declaração ocorre em um contexto de expansão de crimes praticados através de sistemas digitais, incluindo ataques cibernéticos, fraudes eletrônicas, lavagem de dinheiro por meios tecnológicos e operações conduzidas por grupos transnacionais que utilizam infraestrutura digital para movimentação financeira, comunicação e ocultação de atividades.
Juma afirmou que a diplomacia deve ser utilizada não apenas como instrumento de diálogo entre governos, mas também como mecanismo de coordenação para enfrentar ameaças que operam em escala global. Segundo a dirigente, a velocidade das transformações tecnológicas impõe desafios aos sistemas regulatórios e aos mecanismos de fiscalização existentes.
Durante a entrevista, a chefe do Unodc declarou que a inovação tecnológica avança em ritmo superior ao das estruturas de governança internacional. Ela definiu a tecnologia como uma "faca de dois gumes", argumentando que os mesmos instrumentos utilizados por organizações criminosas podem ser empregados por governos e instituições para investigação, cooperação jurídica e prevenção de delitos.
A diretora da agência destacou que grupos envolvidos em atividades ilícitas exploram inteligência artificial, sistemas digitais e redes globais de comunicação para ampliar alcance e capacidade operacional. Ao mesmo tempo, sustentou que essas ferramentas criam possibilidades para novas formas de cooperação entre países, organismos multilaterais, pesquisadores e empresas do setor tecnológico.
Segundo Monica Juma, o desafio consiste em reduzir a distância existente entre a velocidade das transformações tecnológicas e a capacidade das instituições internacionais de estabelecer regras, mecanismos de fiscalização e instrumentos jurídicos capazes de acompanhar essas mudanças. Ela afirmou que esse processo "exige não apenas a colaboração entre governos, mas uma parceria essencial com o setor privado, a sociedade civil e as mentes brilhantes".
A dirigente acrescentou que o objetivo dessa articulação é direcionar o desenvolvimento tecnológico para atividades voltadas à proteção de direitos e não para mecanismos de exploração humana. A declaração reflete uma preocupação recorrente dentro do sistema das Nações Unidas sobre o uso de tecnologias digitais por organizações criminosas e por estruturas envolvidas em crimes transnacionais.
O tema estará no centro do Congresso das Nações Unidas sobre Prevenção ao Crime, programado para ocorrer entre 26 de setembro e 1º de outubro de 2026 em Abu Dhabi. O encontro reunirá representantes dos Estados-membros da ONU, integrantes do setor privado, organizações da sociedade civil e pesquisadores ligados à área de segurança, justiça e governança digital.
De acordo com Monica Juma, a expectativa é que o congresso produza compromissos institucionais relacionados à cooperação internacional contra o crime transnacional. Ela afirmou que a proposta não se limita à identificação dos problemas existentes, mas envolve a construção de mecanismos de coordenação entre investigações criminais, perícias digitais, recuperação de ativos e assistência jurídica entre países.
A diretora do Unodc declarou que a meta do encontro é "desenhar um ecossistema de justiça que conecte investigações, perícias digitais, recuperação de ativos e assistência jurídica", associando essa estrutura à capacidade dos Estados de responder às transformações produzidas pela era digital.
Durante a entrevista concedida à ONU News, Monica Juma também mencionou a participação de jovens e mulheres em áreas relacionadas à tecnologia, justiça e segurança digital. A dirigente destacou experiências observadas no Quênia e em outros países africanos, apontando a presença desses grupos em iniciativas ligadas à inovação tecnológica e ao desenvolvimento de capacidades institucionais voltadas para o ambiente digital.












































