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Risco de fome ameaça 13 zonas críticas no segundo semestre deste ano

Cerca de 266 milhões de pessoas vivem em situação de insegurança alimentar aguda, segundo relatório divulgado em 17 de junho pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e pelo Programa Mundial de Alimentos (WFP). O documento identifica 13 zonas críticas onde a fome deve se agravar entre junho e novembro de 2026, em um cenário marcado pela redução de 59% do financiamento humanitário destinado à assistência alimentar e agrícola de emergência. Sudão, Sudão do Sul, Iêmen, Territórios Palestinos, Nigéria e Somália aparecem entre os territórios classificados com maior risco de deterioração das condições alimentares.


Entre as regiões classificadas na categoria de maior preocupação aparecem Sudão, Sudão do Sul, Iêmen e os Territórios Palestinos
Entre as regiões classificadas na categoria de maior preocupação aparecem Sudão, Sudão do Sul, Iêmen e os Territórios Palestinos

O estudo “Pontos Críticos de Fome”, publicado em Roma pelas duas agências da ONU, aponta que a combinação entre guerras, deslocamentos populacionais, bloqueios econômicos, eventos climáticos e retração do financiamento internacional está ampliando o número de pessoas expostas à fome em diversas regiões do planeta.


Segundo a FAO e o WFP, os recursos destinados à resposta humanitária sofreram uma redução de 59% nos últimos anos. As agências informam que o volume de financiamento disponível retornou a níveis registrados há quase uma década, enquanto o número de pessoas afetadas pela insegurança alimentar continuou aumentando.


O relatório afirma que a crise atual exige intervenções imediatas para impedir que as áreas classificadas como pontos críticos avancem para cenários de fome em larga escala. As agências defendem a ampliação do financiamento destinado à agricultura de subsistência e às capacidades locais de produção de alimentos como instrumento para reduzir a dependência de operações emergenciais.


O WFP destaca que guerras, deslocamentos e eventos climáticos estão levando famílias a tomar decisões relacionadas à própria sobrevivência. A agência afirma que a liberação de recursos e a garantia de acesso humanitário às populações afetadas são condições necessárias para evitar o agravamento dos indicadores alimentares.


Entre as regiões classificadas na categoria de maior preocupação aparecem Sudão, Sudão do Sul, Iêmen e os Territórios Palestinos. A lista também passou a incluir Nigéria e Somália devido à deterioração dos indicadores observados nos últimos meses.


No Sudão, o relatório identifica risco de fome severa em 14 áreas localizadas nas regiões de Darfur e Cordofão. Mais de 19 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar aguda e a projeção das agências da ONU indica que cerca de 200 mil pessoas poderão atingir o nível classificado como catástrofe nos próximos meses.


A crise sudanesa ocorre em meio à continuidade da guerra iniciada em abril de 2023 entre o Exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido. O conflito provocou deslocamentos internos e interrupções em cadeias de abastecimento, afetando a produção agrícola e o acesso a alimentos.


No Sudão do Sul, mais da metade da população enfrenta níveis críticos de privação alimentar. O relatório registra que milhares de pessoas já vivem em condições classificadas como catastróficas e que diversos condados permanecem ameaçados por cenários de fome até o final do período analisado.


No Iêmen, mais de 18 milhões de pessoas são afetadas pela crise alimentar. O país permanece dividido entre diferentes autoridades políticas e militares após anos de guerra, bloqueios econômicos e destruição de infraestrutura civil.


A Nigéria foi incluída na categoria de vigilância máxima após novas projeções para o estado de Borno. Segundo o relatório, parcelas da população enfrentam desnutrição aguda e risco de mortalidade associada à falta de alimentos.


Na Somália, o distrito de Burhakaba foi identificado como área sob risco de fome. A ONU atribui o agravamento da situação à sucessão de secas, à redução das colheitas e aos impactos econômicos decorrentes das tensões internacionais sobre cadeias de abastecimento e preços.


Nos Territórios Palestinos, o relatório afirma que a situação permaneceu crítica durante o primeiro semestre de 2026. Embora tenha ocorrido uma estabilização localizada após o cessar-fogo firmado anteriormente, toda a Faixa de Gaza continua exposta ao risco de fome.


Mais de 1,5 milhão de palestinos dependem de assistência alimentar urgente. O relatório registra ainda que mais de 20 mil crianças foram internadas para tratamento de desnutrição aguda entre abril e meados de junho. A deterioração das condições alimentares ocorre em meio ao genocídio conduzido por Israel contra a população palestina desde outubro de 2023, processo que destruiu infraestrutura civil, hospitais, redes de abastecimento de água e sistemas de produção alimentar.


Além das áreas classificadas na categoria máxima de alerta, a ONU identifica outros territórios como focos de preocupação. Afeganistão, República Democrática do Congo, Haiti, Mianmar, Mali, Líbano e Madagascar permanecem sob monitoramento devido à combinação entre fatores econômicos, conflitos armados e eventos climáticos.


No Afeganistão, a persistência das secas, a inflação dos alimentos e a instabilidade econômica mantêm milhões de pessoas dependentes de assistência humanitária.


Na República Democrática do Congo, a violência armada no leste do país, os deslocamentos populacionais e um surto recente de ebola afetam mercados locais, sistemas de transporte e operações de ajuda humanitária.


O Haiti apresentou redução da inflação e reabertura parcial de algumas rotas rodoviárias utilizadas para abastecimento. Essas mudanças levaram o país a deixar a categoria de maior risco, embora o relatório indique que a crise social e alimentar continua presente em diversas regiões.


Mianmar e Mali permanecem entre os territórios monitorados devido à combinação entre instabilidade política, dificuldades econômicas e impactos climáticos sobre a produção agrícola.


Líbano e Madagascar foram incluídos na lista por causa de operações militares registradas ao longo de 2026 e por fenômenos climáticos que afetaram a disponibilidade de alimentos e a produção rural.


Segundo a FAO e o WFP, conflitos armados e violência aparecem como fatores presentes em quase todas as 13 zonas críticas analisadas. O relatório acrescenta que oscilações econômicas internacionais e a perspectiva de novos impactos associados ao fenômeno El Niño podem ampliar secas e inundações durante o segundo semestre de 2026, afetando a produção agrícola em diversas regiões do planeta.


Fonte: Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e Programa Mundial de Alimentos (WFP), relatório “Pontos Críticos de Fome”, publicado em 17 de junho de 2026.

 
 

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