2025 - 50 mil mulheres violentadas só em Minas Gerais
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Minas Gerais registrou 48.846 atendimentos de violência de gênero em 2025. Os dados indicam 133 mulheres agredidas por dia no estado. O levantamento foi divulgado com base em registros do sistema público de saúde. O estado de Minas Gerais encerrou o ano de 2025 com 48.846 casos de violência contra mulheres registrados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), conforme dados analisados pela rádio Itatiaia e publicados pelo Brasil de Fato em 29 de abril de 2026. O volume corresponde a 133 ocorrências por dia, mais de cinco por hora e uma vítima a cada 11 minutos ao longo de 12 meses, configurando o maior número desde o início da série histórica em 2010 e o terceiro recorde anual consecutivo.

Os registros têm origem em atendimentos realizados por unidades de saúde, o que amplia o alcance dos dados para além dos boletins de ocorrência policial. O sistema capta casos de violência física, sexual, psicológica e outras formas de agressão que levaram vítimas a buscar atendimento médico, incluindo situações que não chegam ao sistema de segurança pública.
A base de dados utilizada integra o Sinan, instrumento oficial do sistema de saúde brasileiro, que reúne notificações obrigatórias feitas por profissionais da área. Esse mecanismo permite identificar episódios que permanecem fora das estatísticas policiais, diante de fatores como dependência econômica, medo de represálias, vínculos familiares e ausência de confiança institucional.
O crescimento contínuo dos registros ao longo de três anos consecutivos indica a coexistência de dois processos: ampliação da capacidade estatal de identificar e registrar casos e permanência da violência em escala constante. A elevação dos números não se restringe a mudanças técnicas no sistema de notificação, uma vez que a série histórica mostra aumento progressivo desde 2023.
Os dados apontam concentração de casos entre mulheres pretas e pardas e indicam que a maioria das agressões ocorre dentro da residência. Esse padrão evidencia a incidência da violência em contextos de desigualdade social e racial, além da centralidade do ambiente doméstico como local de ocorrência.
A estrutura de atendimento público opera de forma fragmentada, segundo o conteúdo publicado. O sistema de saúde identifica a violência, enquanto a assistência social oferece suporte parcial, a segurança pública atua após o fato e o sistema de Justiça processa os casos sob acúmulo de demandas. A ausência de integração entre essas áreas resulta na circulação da vítima entre instituições sem ruptura do vínculo com o agressor.
O Brasil possui marcos legais voltados ao enfrentamento da violência de gênero, incluindo a Lei Maria da Penha, a Lei do Feminicídio, a tipificação da violência psicológica, a Lei Mariana Ferrer, o programa Sinal Vermelho e o Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios. Esses instrumentos estabeleceram bases jurídicas para tratar a violência doméstica como questão pública, retirando-a da esfera privada.
A publicação aponta que a existência de legislação não tem correspondido à redução dos casos registrados. A ausência de estrutura operacional, orçamento e integração entre políticas públicas limita a aplicação das normas existentes, mantendo o aumento dos indicadores.
O cenário ocorre sob a gestão do governador Romeu Zema, do partido Novo, responsável pela administração estadual durante o período em que os dados foram registrados. Segundo o texto publicado por Gleide Andrade no Brasil de Fato, o estado acumula recordes sem apresentar resposta compatível com os números registrados no sistema de saúde.
O levantamento foi divulgado em artigo assinado por Gleide Andrade, secretária nacional de Finanças e Planejamento do Partido dos Trabalhadores, com base em dados do Sinan e análise da rádio Itatiaia.



































