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Afeganistão pode perder 25 mil professoras e profissionais de saúde, alerta UNICEF

As restrições impostas à educação de meninas no Afeganistão podem provocar um colapso estrutural nos serviços essenciais do país. Um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), divulgado em 27 de abril de 2026, alerta para a possível perda de mais de 25 mil profissionais mulheres até 2030. A crise atinge diretamente os setores de educação e saúde, pilares básicos já fragilizados por décadas de intervenção externa e instabilidade política. Desde setembro de 2021, mais de um milhão de meninas foram excluídas do ensino secundário. O impacto econômico e social da medida já se traduz em perdas anuais estimadas em US$ 84 milhões.


©The Macdonald-Laurier Institute
©The Macdonald-Laurier Institute

De acordo com a análise intitulada “O Custo da Inação na Educação de Meninas e na Participação das Mulheres na Força de Trabalho no Afeganistão”, publicada pelo UNICEF, o país enfrenta uma deterioração acelerada da presença feminina no setor público, que caiu de 21% em 2023 para 17,7% em 2025. Essa retração ocorre em paralelo à consolidação de políticas restritivas impostas pelas autoridades de facto, aprofundando um modelo de exclusão que compromete tanto o presente quanto o futuro das instituições afegãs.


O relatório projeta que, se as atuais restrições forem mantidas, o Afeganistão poderá perder até 20 mil professoras e 5.400 profissionais de saúde até o final da década. No setor educacional, os efeitos já são mensuráveis: o número de professoras no ensino básico caiu mais de 9% em apenas dois anos, passando de quase 73 mil em 2022 para cerca de 66 mil em 2024. A redução afeta especialmente meninas, que tendem a permanecer mais tempo na escola quando há presença feminina no corpo docente.

A crise educacional se agrava com a exclusão sistemática de meninas do ensino secundário, proibido desde setembro de 2021. Segundo o UNICEF, mais de um milhão de estudantes já foram impedidas de continuar os estudos além do nível fundamental. Caso a política seja mantida até 2030, esse número pode ultrapassar dois milhões. Em um país que já registra uma das menores taxas de alfabetização feminina do mundo, a medida aprofunda desigualdades estruturais e perpetua ciclos de pobreza.


A diretora executiva do UNICEF, Catherine Russell, afirmou que a situação representa uma ameaça direta à sustentabilidade do país. “O Afeganistão não pode se dar ao luxo de perder futuros professores, enfermeiros, médicos, parteiras e assistentes sociais, que sustentam serviços essenciais. Essa será a realidade se as meninas continuarem sendo excluídas da educação”, declarou. Ela também apelou para que as autoridades revertam a proibição e para que a comunidade internacional mantenha apoio às iniciativas educacionais.


No setor de saúde, o impacto é ainda mais crítico devido às normas sociais que restringem o atendimento de mulheres por profissionais homens. A diminuição de trabalhadoras da saúde compromete diretamente o acesso a serviços maternos, neonatais e infantis, aumentando riscos de mortalidade em um sistema já sobrecarregado. A ausência de profissionais femininas não apenas limita o atendimento, mas também expõe a população a uma deterioração acelerada dos indicadores de saúde pública.

O relatório também aponta que a exclusão de mulheres do mercado de trabalho gera perdas econômicas diretas estimadas em US$ 84 milhões por ano, valor que tende a crescer à medida que a participação feminina continua sendo restringida. Esse cenário evidencia como políticas de exclusão não apenas afetam direitos individuais, mas também comprometem a capacidade produtiva de toda a sociedade.


Apesar das restrições, o UNICEF mantém operações no país. Em 2025, a agência apoiou mais de 3,7 milhões de crianças em escolas públicas e alcançou 442 mil estudantes — sendo 66% meninas — por meio de programas de educação comunitária. Além disso, foram construídas ou reformadas 232 escolas em diferentes regiões do Afeganistão.


Catherine Russell afirmou que a continuidade das restrições terá consequências profundas e duradouras. “Negar às meninas afegãs o acesso ao ensino secundário rouba o potencial de toda uma nação – aprisionando meninas, suas famílias e suas comunidades na pobreza, prejudicando os indicadores de saúde e silenciando o motor econômico que uma geração de mulheres educadas poderia impulsionar”, declarou.

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