Cerco israelense mata metade dos pacientes renais em Gaza
- www.jornalclandestino.org

- 2 de fev.
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Metade dos pacientes com insuficiência renal na Faixa de Gaza morreu sob o genocídio imposto por Israel, em meio a mais de dois anos de bloqueio quase total ao território palestino. No domingo, 1º de fevereiro de 2026, as autoridades israelenses autorizaram uma reabertura limitada da passagem de Rafah, entre Gaza e o Egito, após meses de fechamento quase absoluto. A medida, porém, não reverteu o colapso do sistema de saúde nem interrompeu a mortalidade em massa causada pela escassez deliberada de medicamentos e equipamentos.

No Complexo Médico Al-Shifa, na Cidade de Gaza, cerca de 210 pacientes em estágio cinco de insuficiência renal crônica recebem tratamento em condições descritas como extremas pelo chefe do departamento de nefrologia, Ghazi Al-Yazji. “O fechamento contínuo das passagens tem um impacto mortal nos pacientes”, afirmou o médico à QNA, explicando que exames essenciais, como biópsias renais, simplesmente não existem mais no território, o que acelera a progressão da doença até a falência total dos rins.
A situação se agrava pela escassez estrutural de recursos. Segundo o diretor do Al-Shifa, Mohammed Abu Salmiya, aproximadamente 70% dos medicamentos e insumos necessários ao tratamento renal não estão disponíveis em Gaza. O hospital dispõe atualmente de apenas 34 máquinas de diálise para atender cerca de 750 pacientes, número que ultrapassa em muito a capacidade operacional da unidade, sobretudo após a destruição de outros hospitais estratégicos, como o Hospital Indonésio, no norte da Faixa.
Abu Salmiya declarou à QNA que cerca de 50% dos pacientes de diálise morreram enquanto aguardavam autorização para sair do território ou a chegada de medicamentos básicos durante os dois anos de genocídio e cerco israelense. Ele alertou que qualquer novo fechamento ou restrição da passagem de Rafah aprofundará a catástrofe humanitária, impedindo transplantes e tratamentos especializados fora de Gaza.
O drama ganha rosto humano em histórias como a de Rawaa Al-Daama, de 15 anos, paciente renal crônica desde o nascimento. Sua mãe, Sabrin, relatou à QNA que a filha realiza de três a quatro sessões semanais de diálise e vive em estado permanente de exaustão.
“Ela está morrendo lentamente, e nós estamos morrendo com ela”, disse. O pai declarou estar disposto a doar um rim, mas o bloqueio impede a saída para a realização do transplante. “Não estamos pedindo nada além da reabertura da estrada para salvar o que resta de nossas vidas.”
Mesmo com a abertura parcial de Rafah, cerca de 200 pacientes ainda aguardam autorização para deixar Gaza em busca de tratamento no exterior. O Ministério da Saúde da Faixa de Gaza informou anteriormente que mais de 1.000 pacientes e feridos morreram devido às restrições de viagem impostas por Israel, enquanto cerca de 20 mil pessoas seguem na lista de espera para atendimento médico urgente fora do território sitiado.




















































