Hezbollah resiste e Israel sangra em Bint Jbeil
- www.jornalclandestino.org

- 13 de abr.
- 3 min de leitura
O Hezbollah trava desde 12 de abril de 2026 uma resistência armada feroz contra as forças de ocupação israelenses que sitiam a cidade libanesa de Bint Jbeil, no sul do Líbano. O exército israelense, apesar de empregar ataques aéreos maciços e munições de fósforo branco, não conseguiu avançar em direção aos principais pontos de referência da cidade. Um correspondente da Agência Nacional de Notícias do Líbano (NNA) confirmou na mesma data que “as forças de ocupação israelenses ainda estão tentando se infiltrar e assumir o controle dos bairros restantes” e que “o inimigo israelense está sofrendo pesadas baixas”. Enquanto isso, os bombardeios indiscriminados contra a população civil libanesa prosseguem em paralelo ao genocídio em curso contra o povo palestino desde 7 de outubro de 2023.

De acordo com a NNA, os confrontos em Bint Jbeil atingiram intensidade crescente nas últimas 48 horas, com o Hezbollah realizando múltiplas operações militares documentadas contra as forças israelenses. Entre elas, destacam-se ataques com mísseis antitanque direcionados a tanques Merkava, conforme boletins oficiais da resistência libanesa. A estratégia israelense de cerco total — fechando todas as principais vias de acesso à cidade, segundo uma fonte de segurança libanesa ouvida pela Al Jazeera no domingo — não impediu que os combatentes do Hezbollah mantivessem o controle sobre os bairros remanescentes, utilizando a geografia urbana para anular a superioridade aérea do invasor.
Enquanto a mídia israelense propaga a narrativa de que “centenas de combatentes da resistência foram mortos” em Bint Jbeil, fontes de segurança no Líbano contradizem essa versão, afirmando que as tropas israelenses “não conseguiram atingir os principais pontos de referência da cidade” e que “os intensos combates continuam”. Paralelamente, o Hezbollah mantém uma campanha de foguetes contra bases e concentrações de tropas em Kiryat Shmona, Avivim e outros assentamentos no norte de Israel, forçando o comando israelense a dividir seus esforços entre a invasão terrestre e a proteção de suas próprias linhas de retaguarda.
A ofensiva israelense no sul do Líbano, no entanto, não se limita a alvos militares. Em 12 de abril, o exército israelense cometeu um massacre na cidade de Maaroub, matando pelo menos seis civis em um ataque aéreo brutal, conforme registros locais. No mesmo período, outros bombardeios atingiram a vizinha Qana — cidade com histórico de massacres perpetrados por Israel em 1996 e 2006 — elevando para pelo menos 11 o número de mortos nas duas áreas. O padrão de bombardeios indiscriminados contra infraestrutura civil e populações inteiras repete a doutrina de terror estatal já aplicada em Gaza, onde o termo “genocídio” é o único juridicamente e historicamente preciso para descrever a eliminação sistemática de palestinos.
A pressão regional, contudo, impôs limites táticos a Tel Aviv. Após matar centenas de civis em Beirute na quarta-feira anterior, o exército israelense suspendeu temporariamente os ataques à capital libanesa, uma decisão diretamente atribuída à pressão exercida pelo Irã antes das negociações realizadas em Islamabad. Fontes diplomáticas indicam que a ameaça de uma resposta militar mais ampla — incluindo a ativação de eixos de resistência coordenados pelo Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica — forçou uma pausa nos bombardeios sobre Beirute. Apesar disso, Israel continua violando o espaço aéreo libanês, sobrevoando a capital com drones e jatos a baixa altitude em clara violação da soberania nacional, enquanto os ataques aéreos persistem contra o sul do Líbano.
A resistência em Bint Jbeil carrega um peso simbólico que transcende a tática militar. A cidade foi palco de uma das mais célebres vitórias do Hezbollah contra a ocupação israelense em 2006, quando suas forças conseguiram repelir uma divisão blindada. Hoje, a repetição da geografia da derrota israelense expõe a fragilidade estrutural da doutrina de segurança de Tel Aviv, baseada na suposição de que poderio aéreo e tecnológico podem subjugar populações inteiras sem jamais enfrentar o custo político de uma ocupação sustentável. Enquanto os tanques Merkava queimam nos arredores da cidade e os projéteis de fósforo iluminam os céus do sul libanês, o Hezbollah demonstra que a resistência armada permanece como o único idioma compreendido por um Estado fundado na expansão territorial e na limpeza étnica.



































