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Flávio Bolsonaro tenta reverter imagem de traidor

O senador Flávio Bolsonaro solicitou participação em uma audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos. O encontro trata das tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos Donald Trump sobre produtos brasileiros. A iniciativa ocorre em meio a disputas diplomáticas e comerciais entre Brasília e Washington.


Flávio Bolsonaro | ARQUIVO
Flávio Bolsonaro | ARQUIVO

O senador Flávio Bolsonaro pediu autorização para participar de uma audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos marcada para 06/07/2026, em que serão debatidas tarifas aplicadas pelo presidente dos Estados Unidos Donald Trump contra o Brasil. O pedido ocorre em meio ao conjunto de medidas comerciais e políticas associadas à escalada de tensões entre os dois países após investigações e decisões no campo econômico.


O parlamentar busca espaço de intervenção no debate conduzido pelo USTR sobre a Seção 301, mecanismo usado pelo governo estadunidense para impor sanções comerciais unilaterais. As tarifas em discussão incluem alíquota de 25% sobre exportações brasileiras, com exceções em setores como carne bovina, café, aeronaves e peças, suco de laranja, terras raras, minérios e combustíveis, além de medidas relacionadas ao sistema de pagamentos Pix.


A solicitação de Flávio ocorre após episódios de aproximação política com setores ligados ao governo estadunidense, incluindo reunião em Washington com a presença de membros do entorno do clã Bolsonaro. No final de maio de 2026, Donald Trump recebeu Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo na Casa Branca, em encontro inserido no contexto das discussões sobre comércio e interferência política regional.


O caso também se insere no contexto de investigações abertas no ano anterior contra o Brasil no âmbito comercial, com decisão de novas medidas anunciadas em 02/06/2026. Poucos dias antes, o presidente dos Estados Unidos havia avançado com o pacote tarifário e com a condução do processo no USTR, com prazo final estabelecido para 15/07/2026.


O Ministério das Relações Exteriores do Brasil divulgou nota afirmando que “os traidores da Pátria não conseguirão reescrever a história” e que “o Brasil sabe que o tarifaço tem sua origem em uma tentativa de interferência externa na justiça brasileira”. A nota também afirma: “O que os traidores da Pátria devem ao Brasil é um pedido de desculpas pelas tarifas e pelos prejuízos causados a milhares de brasileiros”.


O Itamaraty também declarou que audiências públicas da Seção 301 nos Estados Unidos constituem espaço de participação de setor privado e sociedade civil, sem previsão de representação oficial de governos estrangeiros. O órgão citou ainda que parceiros comerciais como China e União Europeia não participam desses fóruns.


Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o governo brasileiro mantém canais formais de negociação com autoridades estadunidenses desde 15/07 do ano anterior, após abertura do processo comercial. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou duas defesas formais e participou de reunião de consultas em Washington com delegação de alto nível.


O texto das medidas tarifárias menciona também o histórico de contatos políticos envolvendo membros do grupo de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro no entorno do governo dos Estados Unidos, incluindo reuniões com representantes ligados ao núcleo político da família Bolsonaro no período anterior às novas sanções comerciais.

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