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Estudo associa violência sexual a aumento do risco de doenças cardíacas

Mulheres que sofreram violência sexual apresentam risco significativamente maior de desenvolver doenças cardiovasculares no Brasil. Pesquisa publicada em 12 de abril de 2026 na revista Cadernos de Saúde Pública aponta aumento de 74% nesses casos. O estudo utilizou dados da Pesquisa Nacional de Saúde do IBGE, com mais de 70 mil entrevistas representativas da população. Os resultados indicam maior incidência de infarto do miocárdio e arritmias entre vítimas. Especialistas alertam que o impacto do trauma vai além da saúde mental e atinge diretamente o funcionamento do organismo.


Mulheres que sofreram violência sexual apresentam risco significativamente maior de desenvolver doenças cardiovasculares no Brasil
Mulheres que sofreram violência sexual apresentam risco significativamente maior de desenvolver doenças cardiovasculares no Brasil

A investigação foi conduzida por Eduardo Paixão, pesquisador do programa de pós-graduação em Saúde Pública da Universidade Federal do Ceará, que buscou isolar o efeito específico da violência sexual sobre a saúde cardiovascular. Para isso, a equipe empregou métodos estatísticos capazes de neutralizar variáveis como idade, cor da pele, orientação sexual, escolaridade e região de moradia, assegurando que o aumento do risco estivesse diretamente associado ao trauma vivido. Nos casos de angina e insuficiência cardíaca, entretanto, não foram identificadas diferenças estatisticamente relevantes em relação ao grupo que não sofreu violência.


Segundo Paixão, a abordagem tradicional tende a restringir os efeitos da violência sexual à esfera psicológica, ignorando dimensões fisiológicas mais amplas. “A saúde humana perpassa por muitas interações sociais que impactam o nosso bem-estar”, afirmou. A hipótese central do estudo sustenta que o aumento do risco cardiovascular decorre de uma combinação de fatores biológicos e comportamentais desencadeados pelo trauma.


Entre os mecanismos identificados, destaca-se o estresse crônico, que provoca alterações no organismo, como aumento de processos inflamatórios, elevação da pressão arterial e mudanças na frequência cardíaca. “Experiências traumáticas podem ativar toxinas que aceleram o processo de doença cardiovascular”, explicou Paixão. Além disso, quadros de ansiedade e depressão — recorrentes em vítimas de violência sexual — já possuem associação consolidada com doenças cardíacas.


O estudo também aponta que indivíduos que sofreram violência apresentam maior propensão a comportamentos de risco, incluindo tabagismo, consumo excessivo de álcool, uso de drogas e sedentarismo, fatores que agravam o quadro cardiovascular. Esses elementos reforçam a relação estrutural entre trauma social e adoecimento físico, evidenciando como a violência se inscreve no corpo de forma prolongada.


Dados da Pesquisa Nacional de Saúde revelam que 8,61% das mulheres brasileiras relataram ter sofrido ao menos um episódio de violência sexual ao longo da vida, enquanto entre homens o índice é de 2,1%. O próprio pesquisador alerta, contudo, que esses números estão subestimados devido à subnotificação, especialmente entre homens, que muitas vezes não reconhecem ou não relatam a violência sofrida.


Para Paixão, o principal impacto da pesquisa está em evidenciar uma conexão frequentemente negligenciada nos sistemas de saúde. A identificação desse vínculo pode influenciar diretamente a atuação de profissionais que lidam tanto com vítimas de violência quanto com pacientes cardíacos, ampliando estratégias de prevenção e intervenção baseadas em fatores de vida modificáveis.

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