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Cúpula emergencial em Doha reúne líderes árabes e islâmicos após ataque israelense

Uma cúpula extraordinária de líderes árabes e islâmicos tem início nesta segunda-feira (15) em Doha, capital do Catar, convocada após Israel realizar um ataque aéreo sem precedentes contra dirigentes do Hamas na cidade. O encontro, organizado pelo governo catariano, ocorre em meio a fortes críticas internacionais e à pressão por uma resposta unificada do mundo árabe e islâmico diante da escalada militar israelense e do agravamento da crise humanitária em Gaza.




O primeiro-ministro do Catar, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, que preside a reunião, instou a comunidade internacional a “parar de usar dois pesos e duas medidas” e a sancionar Israel por seus “crimes”. Ele classificou o ataque em Doha como “terrorismo de Estado” e alertou que “toda a região do Golfo está em risco” caso não haja reação coletiva.


A preparação para a cúpula contou com a participação dos ministros das Relações Exteriores dos países membros da Liga Árabe e da Organização de Cooperação Islâmica. O objetivo é elaborar uma declaração conjunta sobre o ataque e sobre a ofensiva israelense em andamento na Faixa de Gaza.


O ataque israelense, ocorrido na terça-feira (9), teve como alvo um complexo residencial em Doha, onde estariam reunidos dirigentes do Hamas. A ação, considerada sem precedentes em território catari, provocou condenação internacional e tensões diplomáticas, uma vez que o país atua como mediador nas negociações por uma trégua em Gaza.


Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump manifestou descontentamento com a operação em Doha, embora seu secretário de Estado, Marco Rubio, tenha iniciado no domingo (14) uma visita a Israel, reafirmando o apoio de Washington ao governo de Benjamin Netanyahu. Para o premiê israelense, a presença de Rubio “demonstra a força dos laços” entre os dois países, apesar das críticas internacionais.


O Fórum das Famílias de Reféns, grupo que representa parentes de israelenses sequestrados, também reagiu duramente. Em comunicado, afirmou que

“o verdadeiro obstáculo à libertação dos reféns e ao fim da guerra é o primeiro-ministro Netanyahu”, acusando-o de sabotar negociações sempre que um acordo está próximo.

Paralelamente, a situação humanitária em Gaza continua a se deteriorar. As Forças Armadas de Israel afirmaram que mais de 250 mil palestinos deixaram a Cidade de Gaza desde a intensificação dos bombardeios, enquanto a Defesa Civil palestina contabilizou apenas 68 mil pessoas em fuga. A Organização das Nações Unidas estima que cerca de um milhão de pessoas vivam na cidade e nos arredores, em meio à escassez de alimentos e à prevalência da fome.


A ONU e diversas organizações humanitárias alertaram que a ofensiva militar contra Gaza pode aprofundar ainda mais a crise humanitária, já considerada uma das mais graves da região em décadas, agravada pelas restrições à imprensa e pela dificuldade de acesso a muitas áreas para verificação independente dos números divulgados.

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