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"Dinheiro para bomba não falta, para comida sim" Lula

O presidente Lula criticou nesta terça-feira, 4 de março de 2026, os gastos militares globais durante a abertura da 39ª Sessão da Conferência Regional da FAO para a América Latina e o Caribe, em Brasília. Diante de ministros, embaixadores e do diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, Lula afirmou que o mundo destinou US$ 2,7 trilhões a armamentos no último ano, enquanto 630 milhões de pessoas seguem passando fome.


“Se nós pegássemos o dinheiro que foi gasto no ano passado em armamentos, o equivalente a US$ 2,7 trilhões, e dividíssemos entre os 630 milhões de seres humanos que passam fome no planeta, daríamos US$ 4.285 para cada pessoa”, afirmou o Presidente Lula. “Não precisaria ter fome no mundo se houvesse bom senso dos governantes.”

Ao dirigir-se aos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU — França, Reino Unido, Rússia, China e Estados Unidos — Lula sugeriu que uma simples teleconferência entre os chefes de Estado poderia redefinir prioridades globais. “Todo mundo quer mais bomba atômica, mais drone, mais aviões de caça cada vez mais caros. E tudo isso não é feito para construir ou produzir alimento, é feito para destruir”, declarou.


O presidente sustentou que a fome não decorre de fatalidades naturais, mas de decisões políticas. “Não é por excesso de chuva nem por falta de sol. É por excesso de falta de compromisso.” Segundo ele, populações famintas permanecem invisíveis porque não pressionam institucionalmente os centros de poder. “Quando forem discutir o orçamento dos países a que vocês pertencem, vejam quanto é destinado para combater a fome e a pobreza. Para isso nunca tem dinheiro.”


Ao abordar a crise prolongada no Leste Europeu, Lula questionou a inércia diplomática da ONU diante da guerra entre Rússia e Ucrânia, que completa quatro anos. “Quem é que não sabe o que vai acontecer naquela guerra? Vai ter um acordo. Se é isso, por que não fazem logo?”, disse, criticando o que classificou como perda de credibilidade da organização criada em 1945.


Presidente Lula - EBC
Presidente Lula - EBC

Em referência indireta ao presidente estadunidense Donald Trump, Lula ironizou a retórica de exaltação bélica.


“Todo dia ele fala que tem o maior navio do mundo, o maior exército. Por que não fala que tem a maior capacidade de produção de alimento e que pode distribuir? Era muito mais simples.”

Sobre Gaza, o presidente denunciou o genocídio em curso contra a população palestina e criticou a narrativa de reconstrução após a devastação. “E aparece como se fosse algo exótico melhorar o lugar dos cadáveres das mulheres e das crianças que morreram.”


Lula resgatou ainda a trajetória brasileira no combate à fome, afirmando que o país saiu do Mapa da Fome da FAO pela primeira vez em 2014, no governo Dilma Rousseff. Segundo ele, ao retornar à Presidência em 2023 encontrou 33 milhões de pessoas em situação de fome e, em dois anos e meio, o Brasil voltou a ser reconhecido pela FAO como país livre da fome. “É possível acabar com a fome. Nós provamos isso duas vezes”, declarou.


Para ilustrar o impacto da distribuição de renda, o presidente apresentou um exemplo hipotético: se R$ 1 milhão fosse entregue a uma única pessoa, o valor seria aplicado e renderia juros; se dividido entre 300 pessoas, seria gasto no comércio local, movimentando padarias, peixarias e mercados de bairro.


Encerrando o discurso, Lula classificou a FAO como uma das últimas instâncias multilaterais comprometidas com a segurança alimentar e descreveu a América Latina e o Caribe como “a única zona de paz do planeta”, apesar de sua histórica exploração por potências estrangeiras.


“Quando tinha ouro, levaram nosso ouro. Quando tinha prata, levaram nossa prata. Quando é que nós vamos acordar para dizer que queremos, de forma soberana, dar alimentação para o nosso povo?”, afirmou.

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