O que está por trás do sequestro de 23 alunos em orfanato nigeriano
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Homens armados sequestraram ao menos 23 crianças em um orfanato na capital do estado de Kogi, na Nigéria. O ataque ocorreu na noite de domingo em uma instituição não registrada localizada em área isolada de Lokoja. Autoridades confirmaram o resgate de 15 vítimas, enquanto oito crianças permanecem desaparecidas. A ação foi atribuída a uma quadrilha ainda não identificada. O caso evidencia a escalada de sequestros em massa como prática recorrente de grupos armados no país.

De acordo com comunicado oficial divulgado na segunda-feira, 27 de abril de 2026, pelo Comissário de Informação de Kogi, Kingsley Fanwo, o grupo invadiu o chamado Dahallukitab Group of Schools, um orfanato que operava de forma irregular e fora do alcance das autoridades. “A resposta rápida e coordenada das agências de segurança levou ao resgate de 15 crianças”, afirmou Fanwo, acrescentando que operações continuam em curso para localizar as oito vítimas restantes e capturar os responsáveis.
Além das crianças, a esposa do proprietário da instituição também foi sequestrada durante a ação. O governo estadual não divulgou a idade exata das vítimas, mas descreveu os sequestrados como “alunos”, termo que na Nigéria geralmente se refere a crianças em idade pré-escolar ou do ensino fundamental, podendo chegar até os 12 anos.
O episódio se insere em um padrão consolidado de violência armada na Nigéria, onde sequestros coletivos se tornaram uma estratégia lucrativa para grupos criminosos e organizações armadas. A prática é especialmente comum em regiões rurais e periféricas, onde a presença estatal é limitada ou inexistente, criando condições para a atuação contínua dessas redes.
A região Centro-Norte, onde se localiza o estado de Kogi, tem registrado aumento significativo de ataques nos últimos meses, incluindo invasões a escolas e comunidades civis. Em novembro, centenas de estudantes foram sequestrados em uma escola no estado vizinho de Níger, em um ataque atribuído por fontes de segurança ao grupo Boko Haram.
A Nigéria enfrenta múltiplas frentes de instabilidade armada, que vão desde a insurgência prolongada do Boko Haram no nordeste até a atuação de gangues conhecidas localmente como “bandidos”, além de conflitos entre agricultores e pastores e movimentos separatistas no sudeste. No noroeste, o grupo Lakurawa, associado ao Estado Islâmico, também expande sua presença em áreas próximas à fronteira com o Níger.
Nenhum grupo reivindicou oficialmente a autoria do sequestro em Kogi até o momento.



































