OTAN considera acabar com cúpulas anuais após desgaste com Trump
- www.jornalclandestino.org

- há 3 dias
- 3 min de leitura
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) discute internamente reduzir ou até suspender suas cúpulas anuais em meio a tensões com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A informação foi divulgada em 27 de abril de 2026 pela agência Reuters, com base em seis fontes diplomáticas da aliança. A medida surge após sucessivas críticas do governo estadunidense aos demais membros do bloco militar. Entre os pontos de atrito estão disputas sobre gastos militares e o apoio às operações lideradas por Washington contra o Irã. O debate ocorre às vésperas da cúpula marcada para 7 e 8 de julho de 2026, em Ancara, capital da Turquia.

Segundo as fontes ouvidas pela Reuters, representantes de países membros defendem a redução da frequência dos encontros, propondo que as cúpulas passem a ocorrer a cada dois anos ou até mesmo que sejam suspensas em determinados períodos. Um diplomata afirmou que a reunião prevista para 2027, na Albânia, pode ser transferida para o outono europeu, enquanto outra possibilidade considerada é não realizar qualquer cúpula em 2028, ano das eleições presidenciais estadunidenses e último ano completo de mandato de Trump. A decisão final caberá ao secretário-geral da OTAN, Mark Rutte.
A frequência das cúpulas variou ao longo dos 77 anos da aliança, mas desde 2021 os encontros vêm sendo realizados anualmente, sempre no verão do hemisfério norte. O atual movimento para desacelerar esse ritmo reflete não apenas tensões políticas imediatas, mas também críticas internas sobre a utilidade desses eventos. Um diplomata declarou à Reuters: “Melhor ter menos cúpulas do que cúpulas ruins”, acrescentando que a aliança já possui tarefas definidas independentemente desses encontros.
Outro fator central é a crescente pressão exercida pelo governo estadunidense sobre seus aliados europeus. Trump tem reiterado exigências para que os membros ampliem significativamente seus gastos militares, chegando a pressionar por um patamar de 5% do Produto Interno Bruto. Na cúpula realizada em Haia no ano anterior, os países aceitaram elevar os investimentos para 3,5% em defesa direta e 1,5% em áreas relacionadas à segurança, numa tentativa de atender parcialmente às demandas de Washington. O simples fato de o encontro ter terminado sem rupturas foi considerado um êxito interno.
As tensões se intensificaram após a condução unilateral de operações militares contra o Irã por parte do governo estadunidense, sem consulta prévia aos aliados da OTAN. Diante da recusa de apoio automático por parte de países europeus, Trump chegou a questionar publicamente o compromisso dos Estados Unidos com o princípio de defesa coletiva da aliança e declarou considerar a possibilidade de retirada do bloco. Meses antes, o presidente também havia reivindicado a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca — país membro da OTAN — ampliando o desconforto diplomático.
O histórico de confrontos não é recente. Na cúpula de 2018, Trump ameaçou abandonar as negociações em protesto contra o que classificou como baixos níveis de investimento militar dos aliados. Em suas memórias publicadas em 2025, o então secretário-geral Jens Stoltenberg relatou: “Se ele tivesse cumprido sua ameaça de sair em protesto, teríamos que lidar com as consequências de uma OTAN destruída”.
A discussão sobre a redução das cúpulas também é defendida por setores ligados a centros de formulação estratégica no eixo euro-atlântico. Em artigo publicado no site do Atlantic Council, a pesquisadora Phyllis Berry afirmou que a diminuição desses encontros “permitiria à OTAN seguir com seu trabalho e reduzir o drama que tem marcado muitos encontros transatlânticos recentes”. Ela destacou ainda que, durante a Guerra Fria, a aliança realizou apenas oito cúpulas em várias décadas, contrastando com a frequência atual.
Internamente, a avaliação de parte dos diplomatas é que a realização anual de cúpulas cria uma pressão artificial por resultados imediatos e anúncios midiáticos, desviando o foco de planejamentos estratégicos de longo prazo. Outro representante ouvido pela Reuters afirmou que “a qualidade das discussões e decisões é a verdadeira medida da força da aliança”.
A cúpula de 2026, em Ancara, já é vista como potencialmente tensa diante do acúmulo de divergências políticas e estratégicas entre Washington e seus aliados europeus, especialmente no contexto das operações militares no Oriente Médio e das disputas sobre financiamento da máquina militar da OTAN.



































