Pesquisa mapeia valores morais e revela um Brasil fragmentado
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Levantamento do Instituto Ágora, encomendado pelo Instituto Conhecimento Liberta, indica que a sociedade brasileira se organiza em seis grandes grupos definidos por valores morais e percepções sobre Estado, justiça e economia. Os dados apontam um país fraturado, marcado pela precarização social, pela desconfiança nas instituições e por visões divergentes sobre autoridade, punição e autonomia individual.

A pesquisa A verdade sobre como pensam os brasileiros, realizada em novembro de 2025 com 10 mil entrevistados, revela que o Brasil não se divide apenas entre esquerda e direita. O estudo identifica seis segmentos sociais, formados a partir de valores morais, expectativas em relação ao Estado e respostas ao enfraquecimento das instituições públicas.
O maior grupo identificado é o da chamada Direita de Ordem e Autoridade, que reúne 30% dos entrevistados. Esse segmento defende disciplina rígida, fortalecimento do aparato policial e punições severas como resposta à violência e à instabilidade social. Em seguida aparece o Centro em Dúvida e Contradição, com 26%, composto por pessoas céticas em relação às elites políticas, mas sem alinhamento ideológico claro, oscilando entre propostas moderadas e a busca por soluções pragmáticas.
A Esquerda Urbana Progressista representa 15% da amostra e concentra os maiores índices de escolaridade e capital cultural, com forte defesa de pautas ligadas à diversidade e aos direitos civis. Já o grupo denominado Populares por Proteção e Ordem, que soma 13%, reúne pessoas de baixa renda que dependem de políticas sociais, mas ao mesmo tempo defendem uma atuação policial mais dura diante da criminalidade.
Na base desse recorte estão a Esquerda Popular Solidária, com 11%, que prioriza serviços públicos, políticas de cuidado e proteção social, e a Direita Liberal Crítica, o menor grupo, com 5%, que mantém discurso econômico liberal, embora tenha baixa adesão popular.
O levantamento também aponta um elevado grau de descrença no sistema político. Para 26% dos entrevistados, o modelo democrático atual estaria completamente falido e deveria ser substituído. Esse sentimento cria um ambiente favorável a propostas de ruptura institucional, sobretudo entre eleitores da direita, onde 51% defendem mudanças radicais contra o que percebem como domínio das elites políticas.
No campo da justiça, a pesquisa revela um país dividido. Cerca de 42% dos brasileiros aceitam a punição de um grupo mesmo com o risco de atingir um inocente, se isso significar mais segurança coletiva. No entanto, o apoio à pena de morte cai para 17%, enquanto 55% rejeitam essa possibilidade por medo de erros irreversíveis, indicando limites claros à aceitação da violência estatal extrema.
Na economia, o estudo mostra a força do ideal do empreendedorismo como saída individual para a precarização do trabalho. Quase metade dos entrevistados afirma sonhar com o próprio negócio, índice que chega a cerca de 60% entre eleitores de direita. Entre setores da esquerda, contudo, ainda predomina a defesa do emprego estável e do serviço público como forma de proteção social.
Os dados também indicam que a indignação popular é mais fortemente mobilizada por questões materiais do que por pautas morais. Práticas como corrupção em emendas parlamentares e supersalários no Judiciário provocam mais rejeição do que temas religiosos ou comportamentais. Embora 35% defendam isenção tributária para igrejas, 62% consideram inaceitável a ostentação de líderes religiosos.
Os responsáveis pelo estudo destacam que, apesar da robustez estatística e da margem de erro de 1%, os grupos não devem ser tratados como categorias fixas. A pesquisa conclui que a sociedade brasileira é marcada por ambiguidades e contradições profundas, e que qualquer projeto político viável precisará dialogar com essa complexidade para alcançar legitimidade social.






























































