Vance assume liderança no populismo racista de Trump
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Durante o Estado da União, o presidente Donald Trump elevou a retórica racial e populista ao afirmar que membros da comunidade somali em Minnesota teriam “saqueado cerca de US$ 19 bilhões” em fraudes ao Medicaid e outros programas sociais. O número, totalmente inflado, contrasta com estimativas reais de fraude que variam entre US$ 1 bilhão e US$ 9 bilhões ao longo de vários anos, evidenciando o uso de dados falsos para alimentar um discurso de ódio. Para liderar a campanha contra a suposta fraude, Trump designou o vice-presidente JD Vance, conhecido por combinar populismo econômico com racismo explícito.

Vance afirma que acusações de racismo seriam usadas por “interesses poderosos” para silenciar americanos brancos da classe trabalhadora diante das elites. A estratégia é clara: transformar o ressentimento econômico em instrumento de mobilização racial, desviando atenção do déficit federal de US$ 1,8 trilhão.
Vance, que cresceu no leste do Kentucky, região marcada pela pobreza, tem longa experiência em usar retórica demagógica para mobilizar a população branca da classe trabalhadora. Em discursos e entrevistas, ele elogia essas comunidades como “muito trabalhadoras” e “boas”, enquanto acusa a mídia e as elites de rotulá-las de privilegiadas simplesmente por serem brancas, codificando o ressentimento racial. Ele mistura críticas à concentração de riqueza com ataques ao chamado movimento woke, acusando-o de conspirar para silenciar a classe média americana.
A estratégia de Vance também se manifesta em crises cotidianas: em 2023, após o descarrilamento de um trem em Ohio, que provocou um incêndio químico, ele culpou o Secretário de Transportes Pete Buttigieg e as políticas de equidade racial do Departamento de Transportes, desviando a atenção dos problemas estruturais de infraestrutura e direcionando a raiva da população branca trabalhadora.
O racismo de Trump serve como combustível para a narrativa de Vance. O presidente tem repetidamente atacado imigrantes somalis de Minnesota, alegando que eles “destruíram” o estado e fraudaram bilhões de dólares, além de criticar a deputada Ilhan Omar (D-Minn.), nascida na Somália. Esses ataques raciais fornecem à dupla munição política para associar minorias a fraudes e problemas econômicos, enquanto fortalecem a base eleitoral branca e ressentida do Partido Republicano.
Com essa articulação, Trump e Vance conseguem transformar preocupações legítimas sobre desigualdade econômica em uma máquina de ódio racial e populismo de fachada, consolidando Vance como o principal estrategista da campanha racista e antipopular do governo. A mensagem é inequívoca: a culpa pelos problemas sociais e econômicos seria de comunidades como afirma em seus discursos "de cor", enquanto as elites e políticas governamentais permanecem intocadas.

























