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30 de setembro de 2026 às 18:19:17

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Senadores dos EUA cobram de Trump respeito ao resultado da eleição brasileira

Três senadores democratas dos Estados Unidos enviaram uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, questionando possíveis ações do governo Donald Trump sobre as eleições presidenciais brasileiras. Jeanne Shaheen, Tim Kaine e Peter Welch pediram que Washington se comprometa a reconhecer o resultado oficial do pleito de 2026 e a manter relações diplomáticas com o candidato escolhido pelos eleitores. O documento também questiona tarifas, sanções, medidas diplomáticas e a atuação de integrantes do governo estadunidense em assuntos relacionados ao Brasil.


Donald Trump ©Bloomberg
Donald Trump ©Bloomberg

A carta foi enviada na segunda-feira (28) e obtida pelo portal The Hill e pelo SBT News. A eleição presidencial brasileira está marcada para domingo (4), e os parlamentares afirmam que determinadas medidas adotadas pelo governo Trump podem interferir no processo eleitoral e reproduzir um padrão que, na avaliação deles, já teria aparecido em outros processos eleitorais da América Latina.


“Escrevemos para expressar nossa preocupação com ações do governo que ameaçam nossa aliança estratégica com o Brasil e enfraquecem a segunda maior democracia do Hemisfério Ocidental às vésperas de sua próxima eleição presidencial”, afirmam os senadores no início do documento.


Entre os questionamentos dirigidos ao Departamento de Estado está o compromisso de reconhecer “o resultado certificado das eleições democráticas de 2026 no Brasil” e manter relações diplomáticas normais com qualquer candidato legitimamente escolhido pelo eleitorado brasileiro.


Os parlamentares também relacionam ao processo eleitoral medidas adotadas pelo governo Trump contra o Brasil, incluindo tarifas incidentes sobre produtos brasileiros, sanções e ações dirigidas a autoridades brasileiras. Para os senadores, essas iniciativas precisam ser esclarecidas diante da proximidade da votação e de seus possíveis efeitos sobre as relações entre os dois países.


A carta cita ainda a nomeação de Darren Beattie para atuar em questões relacionadas ao Brasil no Departamento de Estado. Os três senadores questionam o histórico político de Beattie e fazem referência a declarações anteriores atribuídas ao funcionário.


“Beattie, conhecido extremista de extrema direita e supremacista branco, assumiu o cargo com um histórico de declarações públicas que sinalizavam um compromisso ideológico explícito com o enfraquecimento das instituições democráticas brasileiras e com a promoção dos interesses da extrema direita brasileira”, afirmam os parlamentares.

Outro episódio mencionado é o encontro realizado na Casa Branca, em maio, entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República. Na avaliação dos senadores, a reunião “ressalta a disposição do governo de interferir na eleição”.


A manifestação dos três democratas ocorre após outras iniciativas de parlamentares estadunidenses sobre a relação do governo Trump com o processo eleitoral brasileiro. Em 24 de setembro, o senador Bernie Sanders e outros 30 deputados democratas também enviaram carta a Marco Rubio pedindo explicações sobre medidas que classificaram como uma “aparente tentativa de interferir e potencialmente minar” as eleições brasileiras.


O documento de 24 de setembro relacionou à política de Washington contra o Brasil tarifas e sanções aplicadas durante o segundo mandato de Trump, além de medidas envolvendo autoridades brasileiras e questões judiciais. Os parlamentares também questionaram a aplicação da Lei Global Magnitsky ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e pediram explicações sobre a política estadunidense em relação às organizações criminosas Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital.


A nova carta também estabelece uma comparação com a eleição presidencial brasileira de 2022. Shaheen, Kaine e Welch afirmam que, após a divulgação daquele resultado, o governo dos Estados Unidos reconheceu a vitória de Lula e atuou junto a aliados para apoiar o respeito ao resultado das urnas.


Os senadores mencionam ainda os ataques de 8 de janeiro de 2023 contra as instituições brasileiras e afirmam que Washington apoiou o governo brasileiro e os esforços de defesa das instituições democráticas do país naquele momento.


“Hoje, em vez de ajudar a defender a democracia brasileira, os Estados Unidos estão utilizando pressão diplomática, econômica e política de maneiras que ameaçam enfraquecer as instituições democráticas do país, minar a confiança no processo eleitoral brasileiro e causar novos danos à nossa relação com um aliado estratégico e parceiro comercial dos Estados Unidos”, escreveram.

A carta pede que o Departamento de Estado apresente explicações sobre a política do governo Trump para o Brasil, incluindo sua atuação diante do processo eleitoral e de questões judiciais brasileiras. Os parlamentares também questionam como Washington coordena suas políticas de promoção da democracia e dos direitos humanos com governos da América Latina, incluindo ações de assistência técnica e acompanhamento de processos eleitorais e judiciais.


Entre os exemplos citados pelos senadores estão as eleições de meio de mandato da Argentina e os processos eleitorais presidenciais de Honduras e da Colômbia. Na avaliação apresentada no documento, essas iniciativas fariam parte de um padrão de atuação estadunidense na América Latina que pode afetar a confiança pública nos processos eleitorais e nas instituições políticas da região.


A carta solicita ainda esclarecimentos sobre a revogação do visto do embaixador do Brasil em Washington e pede ao Departamento de Estado que explique os critérios utilizados para medidas adotadas contra autoridades brasileiras.


Os três senadores estabeleceram 1º de outubro de 2026 como prazo para que o Departamento de Estado apresente respostas às perguntas formuladas no documento, um dia antes da eleição presidencial brasileira marcada para 4 de outubro.

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