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- 2025 - 50 mil mulheres violentadas só em Minas Gerais
Minas Gerais registrou 48.846 atendimentos de violência de gênero em 2025. Os dados indicam 133 mulheres agredidas por dia no estado. O levantamento foi divulgado com base em registros do sistema público de saúde. O estado de Minas Gerais encerrou o ano de 2025 com 48.846 casos de violência contra mulheres registrados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), conforme dados analisados pela rádio Itatiaia e publicados pelo Brasil de Fato em 29 de abril de 2026. O volume corresponde a 133 ocorrências por dia, mais de cinco por hora e uma vítima a cada 11 minutos ao longo de 12 meses, configurando o maior número desde o início da série histórica em 2010 e o terceiro recorde anual consecutivo. ©REVISTA GALILEU - O GLOBO Os registros têm origem em atendimentos realizados por unidades de saúde, o que amplia o alcance dos dados para além dos boletins de ocorrência policial. O sistema capta casos de violência física, sexual, psicológica e outras formas de agressão que levaram vítimas a buscar atendimento médico, incluindo situações que não chegam ao sistema de segurança pública. A base de dados utilizada integra o Sinan, instrumento oficial do sistema de saúde brasileiro, que reúne notificações obrigatórias feitas por profissionais da área. Esse mecanismo permite identificar episódios que permanecem fora das estatísticas policiais, diante de fatores como dependência econômica, medo de represálias, vínculos familiares e ausência de confiança institucional. O crescimento contínuo dos registros ao longo de três anos consecutivos indica a coexistência de dois processos: ampliação da capacidade estatal de identificar e registrar casos e permanência da violência em escala constante. A elevação dos números não se restringe a mudanças técnicas no sistema de notificação, uma vez que a série histórica mostra aumento progressivo desde 2023. Os dados apontam concentração de casos entre mulheres pretas e pardas e indicam que a maioria das agressões ocorre dentro da residência. Esse padrão evidencia a incidência da violência em contextos de desigualdade social e racial, além da centralidade do ambiente doméstico como local de ocorrência. A estrutura de atendimento público opera de forma fragmentada, segundo o conteúdo publicado. O sistema de saúde identifica a violência, enquanto a assistência social oferece suporte parcial, a segurança pública atua após o fato e o sistema de Justiça processa os casos sob acúmulo de demandas. A ausência de integração entre essas áreas resulta na circulação da vítima entre instituições sem ruptura do vínculo com o agressor. O Brasil possui marcos legais voltados ao enfrentamento da violência de gênero, incluindo a Lei Maria da Penha, a Lei do Feminicídio, a tipificação da violência psicológica, a Lei Mariana Ferrer, o programa Sinal Vermelho e o Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios. Esses instrumentos estabeleceram bases jurídicas para tratar a violência doméstica como questão pública, retirando-a da esfera privada. A publicação aponta que a existência de legislação não tem correspondido à redução dos casos registrados. A ausência de estrutura operacional, orçamento e integração entre políticas públicas limita a aplicação das normas existentes, mantendo o aumento dos indicadores. O cenário ocorre sob a gestão do governador Romeu Zema, do partido Novo, responsável pela administração estadual durante o período em que os dados foram registrados. Segundo o texto publicado por Gleide Andrade no Brasil de Fato, o estado acumula recordes sem apresentar resposta compatível com os números registrados no sistema de saúde. O levantamento foi divulgado em artigo assinado por Gleide Andrade, secretária nacional de Finanças e Planejamento do Partido dos Trabalhadores, com base em dados do Sinan e análise da rádio Itatiaia.
- ‘A gente é um corpo político’, afirma atriz indígena que atua em filme sobre a Amazônia
Um filme exibido em Brasília apresentou cenário em que a Amazônia é controlada pelos Estados Unidos. A produção foi debatida durante o Acampamento Terra Livre em abril de 2026. A atriz indígena Ywyzar Tentehar afirmou que a narrativa reflete situações já vividas nos territórios. O curta-metragem “Vitória Régia — A resposta somos nós”, produzido com participação da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), foi exibido durante a 22ª edição do Acampamento Terra Livre, realizada em Brasília em abril de 2026. A obra apresenta um cenário ficcional em que a Amazônia é entregue ao controle estadunidense, articulando elementos de exploração territorial e disputa por recursos naturais. Ywyzar Tentehar, como Naiá no filme ‘Vitória Régia – A resposta somos nós’ | Crédito: Divulgação A atriz indígena Ywyzar Tentehar, que interpreta a personagem Naiá, afirmou em entrevista ao programa Conversa Bem Viver, do Brasil de Fato, que o enredo dialoga com processos já em curso. “Para os povos indígenas não é algo tão distante, assim, é algo mais possível, porque essas queimadas que aparecem no filme são algo que acontece em muitos territórios”, declarou. O filme foi exibido para lideranças e participantes do Acampamento Terra Livre, considerado a maior mobilização indígena do Brasil, reunindo representantes de diferentes povos. Segundo a atriz, a recepção foi marcada por identificação direta com a narrativa. “Senti a tensão de quem vive isso na pele, de quem vive essa luta todos os dias, todos os anos, essas ameaças dos territórios”, afirmou. A produção reúne nomes como Alice Braga, Caio Horowicz, Ayra Kopém, Marina Person, Marat Descartes e Hodari. O projeto foi desenvolvido com apoio de organizações indígenas e teve exibições em diferentes locais, incluindo a Aldeia Maracanã, no Rio de Janeiro, e cidades como São Paulo. Durante a entrevista, Ywyzar Tentehar mencionou declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a Amazônia. Segundo ela, Trump chegou a divulgar um mapa com referência a “Amazon of America”, associando o território amazônico a interesses estadunidenses. A fala foi relacionada ao tema central do filme, que aborda a apropriação de territórios e recursos naturais. A atriz também apontou a presença de exploração econômica como eixo narrativo da obra. “Uma das principais preocupações que o filme traz é a Amazônia virar um território de exploração do petróleo, que, de fato, já está acontecendo”, afirmou. A produção utiliza linguagem ficcional para tratar de temas como desmatamento, queimadas e avanço sobre territórios indígenas. O desenvolvimento do projeto envolveu articulação entre artistas e organizações indígenas. Ywyzar Tentehar relatou que participou da produção sem remuneração, em função do objetivo político do filme. Segundo ela, o envolvimento ocorreu após contato com a equipe durante um evento no Rio de Janeiro, seguido de teste e integração ao projeto. A atriz afirmou que o elenco e a equipe mantiveram diálogo com representantes indígenas durante o processo. Ela destacou a participação da atriz Alice Braga nas discussões internas e a presença de uma dinâmica coletiva durante as gravações. A exibição no Acampamento Terra Livre ocorreu sem envio prévio do material final aos participantes. Segundo Ywyzar, a decisão foi assistir ao filme junto ao público indígena. “A gente não vai enviar para ninguém, você vai ter que assistir com todo mundo”, relatou. A produção também foi apresentada a lideranças políticas indígenas. A ministra Sonia Guajajara teve acesso ao filme e publicou conteúdo sobre a obra em redes sociais, segundo a entrevista. Outras lideranças e representantes institucionais também acompanharam a divulgação. A atriz afirmou que o filme integra estratégia de ampliar formas de comunicação sobre a realidade dos povos indígenas. Segundo ela, além de documentários, a produção ficcional busca alcançar públicos diversos e expandir o debate sobre território, violência e resistência. Durante a entrevista, Ywyzar Tentehar também abordou a presença indígena em produções audiovisuais. “A gente, por si só, já é um corpo político. A gente já nasce com um posicionamento e uma responsabilidade muito grande desde sempre”, declarou. Ela afirmou que a representação não deve se limitar a estereótipos e que povos indígenas ocupam diferentes espaços sociais. O filme foi disponibilizado gratuitamente no site oficial da produção. A equipe indicou possibilidade de continuidade do projeto em novos formatos, incluindo série ou longa-metragem, sem definição de cronograma até o momento.
- China rejeita as acusações dos EUA e reafirma seu apoio a Cuba
A China rejeitou acusações dos Estados Unidos contra sua cooperação com Cuba em 29 de abril de 2026. O governo chinês afirmou que as relações com a ilha são legítimas e transparentes. Pequim também exigiu o fim do bloqueio imposto por Washington. O Ministério das Relações Exteriores da China declarou, em conferência de imprensa realizada em 29 de abril de 2026, que a cooperação com Cuba ocorre dentro de parâmetros legais e públicos, respondendo diretamente a declarações emitidas por autoridades estadunidenses. O porta-voz Lin Jian afirmou que as acusações apresentadas por Washington não possuem base factual e estão associadas à manutenção de medidas coercitivas contra a ilha caribenha. Lin Jian, porta-voz do governo chinês Durante a coletiva, Lin Jian declarou que “inventar pretextos e espalhar rumores jamais justificará o bloqueio e as sanções ilegais contra Cuba”, em referência direta às políticas impostas por sucessivas administrações em Washington. O bloqueio econômico, comercial e financeiro contra Cuba permanece em vigor há mais de seis décadas e inclui restrições a transações bancárias, comércio internacional e acesso a tecnologias. O porta-voz também afirmou que as declarações estadunidenses não alteram o registro histórico de violações contra a soberania cubana. Segundo ele, essas ações “não serão capazes de encobrir o fato de que os EUA violaram gravemente o direito da ilha ao desenvolvimento, bem como as normas básicas das relações internacionais”. Lin Jian reiterou que o governo chinês manterá apoio político e econômico a Cuba em áreas que incluem comércio, infraestrutura e cooperação técnica. Ele declarou que Pequim continuará a apoiar “firmemente Cuba na defesa de sua soberania e segurança nacional”, ao mesmo tempo em que instou o governo estadunidense a encerrar o bloqueio e suspender sanções e mecanismos de pressão. A posição expressa pelo Ministério das Relações Exteriores da China segue declarações anteriores do governo chinês em fóruns internacionais, nas quais o país tem rejeitado medidas unilaterais aplicadas por Washington contra Estados que não se alinham à sua política externa. Pequim tem reiterado em diversas ocasiões sua disposição de ampliar acordos com Havana em setores estratégicos, incluindo energia, saúde e tecnologia. As declarações chinesas ocorrem em meio à continuidade de sanções aplicadas com base em legislações como a Lei Helms-Burton, que amplia o alcance extraterritorial das medidas estadunidenses contra Cuba, afetando empresas e instituições financeiras de terceiros países envolvidas em relações com a ilha. O posicionamento foi divulgado pelo jornal Granma, órgão oficial do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, que destacou a resposta chinesa como parte de uma articulação internacional contrária às sanções impostas por Washington.
- Irã: Israel deve abandonar as armas nucleares e aderir Tratado de Não Proliferação Nuclear
O Irã exigiu que Israel abandone armas nucleares e adira ao Tratado de Não Proliferação Nuclear durante conferência em Nova Iorque. A declaração ocorreu em 29 de abril de 2026, na 11ª sessão de revisão do tratado. O representante iraniano acusou os Estados Unidos de distorcer o programa nuclear do país.O embaixador e representante permanente do Irã junto à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Reza Najafi, declarou durante a conferência que o regime israelense deve ser obrigado a eliminar seu arsenal nuclear e aderir ao Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), instrumento internacional em vigor há 55 anos. A intervenção ocorreu na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, em meio a disputas sobre o cumprimento das obrigações de desarmamento por potências nucleares. Embaixador e representante permanente do Irã Reza Najafi Najafi afirmou que o programa nuclear iraniano permanece sob controle integral da AIEA e contestou acusações recorrentes feitas por autoridades estadunidenses. “Todo o urânio enriquecido do Irã sempre esteve sob a supervisão mais completa da Agência Internacional de Energia Atômica e foi contabilizado até o último grama, e até agora não houve um único relato de desvio de sequer um grama desses materiais; no entanto, os EUA retrataram falsamente o urânio enriquecido do Irã como uma ameaça”, disse. O diplomata também acusou Washington de intenções diretas contra a soberania iraniana. “Os Estados Unidos tinham a intenção delirante de destruir nossa integridade territorial, nossa independência e nossa civilização, nos fazendo retroceder à Idade da Pedra e se apoderando de nosso petróleo e gás”, declarou durante a sessão. Ao abordar o histórico de confrontos, Najafi afirmou que autoridades estadunidenses ignoraram fatores históricos e culturais ao lidar com o Irã. Segundo ele, seria necessário compreender “o significado do martírio” e “a lógica da resistência” de um povo que, segundo suas palavras, defenderá o território nacional até “a última gota de sangue”. O representante iraniano afirmou ainda que o país construiu sua trajetória contemporânea enfrentando intervenções externas. Ele declarou que o Irã é reconhecido por “derrotar a los agresores” e “recuperar nosso território”, além de preservar soberania e controle sobre recursos energéticos, incluindo petróleo e gás. Najafi solicitou que o documento final da conferência inclua um cronograma definido para a eliminação total de armas nucleares. Ele afirmou que os desafios acumulados em torno do TNP indicam instabilidade estrutural no tratado, com “fraturas e danos” que colocam sua integridade em risco. O diplomata responsabilizou diretamente Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha por descumprimento de compromissos assumidos no tratado ao longo de mais de cinco décadas. Segundo ele, esses países violaram o TNP por meio de práticas como compartilhamento de armas nucleares e acordos militares, incluindo o pacto AUKUS, anunciado em 2021 entre Austrália, Reino Unido e Estados Unidos, que prevê cooperação em tecnologia militar e desenvolvimento de submarinos de propulsão nuclear. Najafi reiterou a exigência de que Israel seja submetido às regras do TNP e reforçou a necessidade de uma decisão internacional sobre a situação na Ásia Ocidental. Ele também destacou a proibição de ataques militares contra instalações nucleares sob salvaguarda internacional e defendeu o direito dos países ao uso pacífico da energia nuclear, incluindo o domínio completo do ciclo de combustível. O posicionamento ocorre após a escalada militar iniciada em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram uma ofensiva contra o Irã sob alegações não comprovadas sobre produção de armas nucleares. O ataque resultou no martírio de Ali Khamenei, além da morte de comandantes militares e centenas de civis. Em resposta, as Forças Armadas iranianas executaram 100 ondas de ataques com mísseis e drones contra alvos militares estadunidenses e israelenses ao longo de 40 dias. A ofensiva provocou danos em instalações militares e alterou o cenário regional. Em 8 de abril, quarenta dias após o início da ofensiva, entrou em vigor um cessar-fogo de duas semanas mediado pelo Paquistão, posteriormente prorrogado de forma unilateral por Washington.
- Liberdade de imprensa recua sob guerras e ofensiva contra jornalistas
Três em cada quatro países operam sob condições classificadas como “problemáticas” ou piores para a imprensa em 2026. O Índice Mundial de Liberdade de Imprensa da Repórteres Sem Fronteiras aponta deterioração sustentada desde 2013. Conflitos armados e ataques de governos contra jornalistas aparecem como fatores centrais desse recuo global. Foto: AFP/Getty Images A capacidade de jornalistas trabalharem com segurança e independência registra queda em escala internacional, segundo o relatório de 2026 da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), divulgado com base em dados coletados em 180 países. A entidade define liberdade de imprensa como a possibilidade de selecionar, produzir e divulgar informações de interesse público sem interferência política, econômica, legal ou social e sem ameaças à integridade física ou mental. Em 75% dos países analisados, o ambiente é considerado “problemático” ou pior, enquanto mais da metade apresenta condições classificadas entre “difíceis” e “muito graves”. O relatório evidencia uma deterioração contínua desde 2013, quando menos de um terço dos países estavam nas categorias mais negativas e 71% já figuravam como “problemáticos” ou abaixo desse nível. A distribuição geográfica revela concentração de melhores condições na Europa, com Noruega, Estônia, Países Baixos e Dinamarca nas quatro primeiras posições, enquanto países da África e da Ásia apresentam os piores indicadores. Dentro das regiões, as diferenças persistem: no continente europeu, países do Sul e do Leste enfrentam mais restrições que os do Norte e do Oeste; no Norte da África, jornalistas operam sob mais limitações do que no Sul do continente. Na Europa Central, Polônia e Eslováquia ilustram trajetórias divergentes após mudanças políticas recentes. Na Polônia, a saída do partido Lei e Justiça (PiS) do poder no final de 2023 reduziu ações judiciais e ataques verbais contra a imprensa. Já na Eslováquia, a volta de Robert Fico ao cargo de primeiro-ministro no mesmo ano intensificou a hostilidade. “Ele tem uma longa carreira, e sempre foi sua narrativa que os jornalistas são seus inimigos”, afirmou Lukas Diko, editor-chefe do Centro de Investigação Jan Kuciak. O assassinato do jornalista Jan Kuciak, em 2018, após investigações sobre relações entre crime organizado e aliados do governo, permanece como fator de intimidação. “É realmente uma situação sem quaisquer regras”, disse Diko, acrescentando que o medo e a retórica estatal afastam novos profissionais: “Já não há muitos jovens que queiram tornar-se jornalistas”. Na América Latina, a Argentina registra queda acentuada no índice sob o governo de Javier Milei, que utiliza redes sociais para atacar jornalistas e declarou que eles “não são odiados o suficiente”. Fernando Stanich, presidente da FOPEA, afirmou: “Quando Milei insulta um jornalista, não o faz como Milei, o economista, ou Milei, um cidadão comum. Ele faz isso como principal representante do Estado argentino”. A FOPEA aponta que o volume de ataques verbais supera registros de governos anteriores, incluindo o período de Cristina Kirchner entre 2007 e 2015. Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump mantém histórico de ataques à imprensa desde a campanha de 2016, com ameaças e declarações públicas contra veículos e jornalistas. O país registra queda no ranking global, alinhando-se a tendências observadas em governos que adotam estratégias semelhantes, como El Salvador. O relatório aponta que países considerados estáveis passam a registrar deterioração rápida sob pressão política direta contra o jornalismo. A RSF identifica conflitos armados como fator central na queda global. Em países como Iraque, Sudão, Sudão do Sul e Iémen, a cobertura jornalística ocorre sob risco direto. Na Faixa de Gaza, mais de 220 jornalistas foram mortos desde 2023 por forças israelenses, incluindo ao menos 70 durante o exercício profissional, segundo dados do relatório, no contexto do genocídio em curso contra a população palestina. Além da violência direta, o relatório aponta mecanismos estruturais de pressão, como processos judiciais, detenções, ameaças físicas e campanhas de difamação conduzidas por autoridades estatais. A professora Vera Slavtcheva-Petkova, da Universidade de Liverpool, descreve três vetores principais: uso de estruturas políticas para intimidar jornalistas, perseguições baseadas em gênero, raça ou orientação sexual e pressões econômicas associadas à precarização do setor de mídia. Diante desse cenário, redes de apoio entre jornalistas e organizações aparecem como resposta. “Saber que há alguém em quem se pode confiar para obter apoio é muito importante”, afirmou Slavtcheva-Petkova, destacando que a ausência dessas redes amplia a vulnerabilidade profissional. A África do Sul aparece como exceção parcial no cenário africano. O país mantém classificação “satisfatória” desde 2013 e figura entre os 17 países que melhoraram sua posição no período, enquanto 163 registraram piora. Glenda Daniels, professora da Universidade de Wits e secretária-geral do Fórum Nacional de Editores da África do Sul (SANEF), atribui o desempenho à atuação de organizações civis. “O SANEF é alto e barulhento”, afirmou, referindo-se à atuação pública da entidade na defesa da imprensa. Entre países de língua portuguesa, Cabo Verde caiu dez posições e ocupa o 40º lugar, apesar de a RSF apontar ambiente de trabalho favorável, com ressalva ao controle estatal sobre nomeações em meios públicos. Angola ocupa a 109ª posição após queda de nove lugares, com registro de censura e controle informacional. Moçambique subiu para a 99ª posição. Guiné-Bissau e Guiné Equatorial também avançaram no ranking, embora a RSF registre controle estatal sobre meios de comunicação e episódios de ameaças e agressões contra jornalistas, incluindo demissões por descumprimento de censura oficial.
- O que está por trás da disputa entre Musk e Altman que pode mudar as regras da IA global
O empresário Elon Musk depôs em 28 de abril de 2026 no Tribunal Distrital Federal de Oakland, Califórnia, em um processo que enfrenta diretamente Sam Altman e a OpenAI. A ação judicial, aberta em 2024, acusa a empresa e seus dirigentes de desviarem sua missão original sem fins lucrativos para um modelo voltado ao lucro. Musk também inclui a Microsoft no processo, apontando sua influência financeira e estratégica sobre a OpenAI. O julgamento, conduzido por um júri de nove pessoas, deve durar cerca de três semanas. O caso expõe disputas internas de poder no setor de inteligência artificial, hoje dominado por grandes conglomerados tecnológicos. Elon Musk ©INFOMONEY O depoimento de Musk marcou o início de um embate jurídico que revela as engrenagens de uma indústria cada vez mais centralizada e orientada por interesses corporativos. Segundo a Associated Press, o empresário afirmou que a questão central do processo é simples: “não é aceitável roubar uma instituição de caridade”. A acusação sustenta que Sam Altman e Greg Brockman, com apoio da Microsoft, teriam transformado a OpenAI em uma estrutura voltada ao lucro, contrariando sua fundação em 2015 como organização sem fins lucrativos dedicada ao desenvolvimento seguro e aberto da inteligência artificial. Durante a abertura do julgamento, o advogado de Musk, Steven Molo, citou a missão original da OpenAI, que prometia beneficiar a humanidade sem subordinação a interesses financeiros. Ele afirmou que a empresa foi convertida em uma operação avaliada em US$ 852 bilhões, acusando seus dirigentes de traição, fraude e ambição desmedida. Molo também destacou que a Microsoft investiu inicialmente US$ 2 bilhões na OpenAI e, posteriormente, ampliou seu controle por meio de acordos de licenciamento que lhe garantem acesso à propriedade intelectual da empresa. A defesa da OpenAI rejeitou as acusações e caracterizou o processo como uma reação de Musk ao crescimento acelerado da companhia. O advogado William Savitt declarou ao júri que “estamos aqui porque o Sr. Musk não conseguiu o que queria com a OpenAI”. Segundo Savitt, Musk tentou assumir o controle da organização e transformá-la em uma empresa lucrativa sob sua liderança, chegando a propor uma fusão com a Tesla e a obtenção de participação majoritária superior a 50%. O histórico apresentado no tribunal revela que, já em 2017, dois anos após sua fundação, a OpenAI enfrentava dificuldades financeiras e discutia a criação de uma estrutura híbrida com fins lucrativos para sustentar suas operações. A defesa de Musk argumenta que essa mudança deveria permanecer subordinada à missão original, com limites claros de lucro para investidores. “Não há problema em uma organização sem fins lucrativos ter uma subsidiária lucrativa, desde que avance sua missão”, afirmou Molo. O ponto de ruptura, segundo a acusação, ocorreu em 2022, quando a OpenAI firmou um acordo estratégico com a Microsoft que alterou profundamente sua estrutura e objetivos. Musk sustenta que esse acordo violou compromissos fundamentais assumidos não apenas com ele, mas com o público global, ao abandonar o modelo de código aberto e priorizar ganhos financeiros e controle corporativo. Durante seu depoimento, Musk também abordou sua trajetória pessoal e visão sobre o futuro da inteligência artificial. Ele relatou sua mudança da África do Sul para o Canadá aos 17 anos, seguida de sua ida aos Estados Unidos, onde fundou empresas como SpaceX, Tesla, Neuralink e The Boring Company. Questionado sobre sua rotina, afirmou trabalhar entre 80 e 100 horas semanais, sem férias ou propriedades de lazer. No campo tecnológico, Musk declarou esperar que a inteligência artificial supere a capacidade humana já em 2027. Ele comparou o desenvolvimento da tecnologia ao crescimento de uma criança extremamente inteligente, afirmando que, uma vez amadurecida, “você não pode controlá-la”, restando apenas a possibilidade de incutir valores como honestidade e integridade. O empresário também relatou que a criação da OpenAI foi influenciada por discussões com Larry Page, cofundador do Google, que o teria acusado de “especista” por priorizar a sobrevivência humana sobre a inteligência artificial. Segundo Musk, à época, o Google concentrava recursos financeiros, infraestrutura e talentos, sem qualquer contraponto significativo no setor. A aliança inicial entre Musk e Altman, formada em 2015, baseava-se na proposta de desenvolver inteligência artificial de forma mais segura e responsável do que empresas orientadas exclusivamente pelo lucro. No entanto, essa convergência rapidamente se desfez diante de disputas estratégicas e interesses divergentes sobre controle e financiamento. O julgamento deve prosseguir com o depoimento de Musk no dia 29 de abril de 2026. Também são esperados testemunhos de Sam Altman e do CEO da Microsoft, Satya Nadella, figuras centrais na expansão da OpenAI e no lançamento do ChatGPT em 2022, ferramenta que impulsionou o atual boom da inteligência artificial e contribuiu para a valorização recorde do setor tecnológico. A participação de Altman no tribunal coincidiu com sua ausência em um evento da Amazon em São Francisco, onde a OpenAI anunciou uma parceria ampliada com a empresa. Em mensagem de vídeo enviada aos participantes, Altman declarou: “Gostaria muito de estar aí com vocês pessoalmente hoje. Minha agenda foi interrompida hoje.”
- Guerra no Darfur se tornou mais letal e amplia impacto humanitário sobre crianças
Vinte anos após a crise de Darfur chocar o mundo, crianças da região voltam a ser alvo de violência extrema e abandono internacional. Um relatório divulgado em 28 de abril de 2026 pelo UNICEF documenta a escalada de crimes contra menores em meio à guerra sudanesa. Desde abril de 2024, mais de 1.500 violações graves contra crianças foram registradas apenas em El Fasher. O documento aponta que mais de 1.300 crianças foram mortas ou mutiladas na cidade, muitas por armas explosivas e drones. Apesar da gravidade, a mobilização internacional permanece limitada, evidenciando seletividade política na resposta a crises humanitárias. Forças de Apoio Rápido RSF, Sudão O relatório “Darfur: 20 Anos Depois, Crianças Ameaçadas”, publicado pela agência da ONU para a infância, estabelece paralelos diretos entre a devastação atual e os massacres do início dos anos 2000. A diferença central, segundo o documento, está na escala ampliada da crise e na sofisticação dos meios de destruição. Casas, escolas e hospitais voltaram a ser alvos sistemáticos, agora atingidos por tecnologias militares mais letais, em um cenário de guerra entre forças rivais que intensificam o impacto sobre civis. A cidade de El Fasher, capital regional de Darfur do Norte, tornou-se epicentro da violência. Após um cerco prolongado, a localidade foi tomada em outubro de 2025 pelas Forças de Apoio Rápido (RSF), grupo paramilitar que enfrenta forças governamentais. Segundo dados verificados pela ONU, mais de 1.300 crianças foram mortas ou sofreram mutilações, muitas vítimas de bombardeios e ataques com drones. O relatório também documenta sequestros, recrutamento forçado por grupos armados e episódios de violência sexual contra menores. Em escala nacional, o cenário é igualmente alarmante. A ONU registrou mais de 5.700 violações graves contra crianças desde o início da guerra atual no Sudão. O ritmo da violência aumentou em 2026, com crescimento significativo da mortalidade infantil nos primeiros três meses do ano em comparação com o mesmo período de 2025, indicando deterioração acelerada das condições humanitárias. A crise humanitária é agravada pelo bloqueio sistemático de ajuda. Regiões inteiras no norte de Darfur permanecem isoladas devido a cercos prolongados, impedindo o acesso a alimentos, água potável e serviços básicos. O relatório destaca que entraves burocráticos, insegurança e falta de financiamento internacional comprometem a atuação de organizações humanitárias, criando um colapso estrutural na assistência às populações deslocadas. O UNICEF afirma que, apesar de manter serviços móveis de saúde e programas de tratamento contra desnutrição, a ajuda não alcança as áreas mais críticas. A diretora executiva da agência, Catherine Russell, declarou: “Há vinte anos, o mundo se uniu em indignação diante do sofrimento das crianças em Darfur. Hoje, uma nova geração de crianças está vivenciando violência horrível, fome e terror”. Em outro trecho, ela alertou: “Não podemos permitir que a história se repita”. A agência também cobra ação imediata das partes envolvidas no conflito e exige o fim das violações contra menores. O relatório apela por financiamento internacional flexível para atender deslocados internos no Sudão e refugiados em países vizinhos, especialmente no leste do Chade, onde comunidades enfrentam sobrecarga diante do fluxo contínuo de pessoas fugindo da violência. O quadro exposto pelo relatório revela não apenas a brutalidade do conflito, mas a seletividade geopolítica na resposta internacional, onde crises fora do eixo de interesse das potências centrais tendem a permanecer invisibilizadas, mesmo diante de evidências documentadas de crimes sistemáticos contra crianças.
- China cria rede de 150 satélites para monitoramento ambiental em tempo real
A China anunciou em 28 de abril de 2026 a criação de uma rede integrada de monitoramento ambiental com cerca de 150 satélites. O sistema, coordenado pelo Ministério de Ecologia e Meio Ambiente, cobre simultaneamente os domínios espacial, aéreo, terrestre e marítimo. Segundo o jornal China Daily, parceiro da TV BRICS, a estrutura também incorpora mais de 140 sistemas civis adicionais. A iniciativa permite rastrear gases de efeito estufa com precisão inédita e em escala global. O avanço ocorre em um cenário de disputa tecnológica internacional marcado pela concentração histórica de dados ambientais nas mãos de potências estadunidenses e europeias. A China lançou um novo satélite para estudar o espaço. - ©Paroquiadoamial De acordo com o ministério chinês, a rede foi projetada para operar com alta resolução e frequência de revisita, permitindo a análise contínua de áreas ambientalmente sensíveis. Os satélites utilizam sensores multiespectrais e tecnologias avançadas, incluindo LiDAR e instrumentos hiperespectrais, capazes de detectar emissões tanto de forma ativa quanto passiva. Um dos destaques é o lançamento recente de um satélite com capacidade inédita de monitoramento simultâneo desses gases, descrito pelas autoridades como o primeiro do mundo com tal combinação tecnológica. A cobertura territorial do sistema atinge aproximadamente 3,3 milhões de quilômetros quadrados a cada dois meses, com foco em áreas naturais protegidas e zonas sob regulamentação ambiental rigorosa. Em paralelo, o monitoramento costeiro abrange cerca de 21 mil quilômetros de litoral continental e 100 mil quilômetros quadrados de águas costeiras a cada trimestre, ampliando a capacidade de detecção de danos ambientais e atividades ilegais em regiões estratégicas. A tecnologia hiperespectral empregada permite identificar com precisão componentes atmosféricos e medir concentrações de gases como ozônio, dióxido de nitrogênio e formaldeído. Esse nível de detalhamento fortalece o controle da poluição atmosférica e amplia a capacidade científica de análise ambiental, reduzindo a dependência de sistemas ocidentais historicamente utilizados para esse tipo de monitoramento. Em escala global, o sistema também é capaz de rastrear emissões de metano provenientes de infraestruturas de petróleo e gás, mineração de carvão e aterros sanitários. Segundo dados divulgados pelas autoridades chinesas, os sensores conseguem localizar vazamentos diretamente em sua origem, o que pode impactar cadeias produtivas inteiras e expor práticas industriais frequentemente encobertas por relatórios corporativos. Outro componente central da rede são os satélites equipados com radar, capazes de operar continuamente independentemente de condições climáticas ou luminosidade. Essa capacidade elimina limitações comuns em sistemas ópticos tradicionais, garantindo respostas mais rápidas e confiáveis diante de eventos ambientais críticos. O desenvolvimento dessa infraestrutura ocorre em um contexto geopolítico no qual o controle de dados ambientais se tornou instrumento de poder. Historicamente, países do Sul Global dependeram de informações fornecidas por agências e empresas sediadas em centros de poder estadunidense e europeu, frequentemente condicionadas a interesses políticos e econômicos. Ao consolidar um sistema próprio e abrangente, Pequim amplia sua autonomia estratégica e reposiciona o eixo da governança ambiental global, desafiando a centralização informacional que por décadas sustentou a influência das potências ocidentais sobre agendas climáticas e regulatórias.
- Argentina busca legalizar armas de fogo diante da crescente ameaça de tiroteios em escolas
O governo argentino avança com um projeto de lei para regularizar armas de fogo não registradas até o fim de 2027. A proposta é liderada pela senadora Patricia Bullrich e já foi aprovada em comissão no Congresso. A medida surge em meio ao aumento de ameaças de tiroteios em escolas e maior circulação de armas em espaços públicos. Dados oficiais indicam cerca de 800 mil armas em situação irregular e mais de 595 mil com registros vencidos. Apesar do discurso oficial de controle, setores sociais e parte da imprensa alertam para o risco de ampliação da violência. O governo argentino avança com um projeto de lei para regularizar armas de fogo não registradas A iniciativa legislativa promovida por Patricia Bullrich, figura central do partido governista e ex-ministra da Segurança durante o governo de Javier Milei, estabelece um regime de regularização que permitiria a proprietários de armas ilegais declararem seu armamento às autoridades sem sofrer penalidades ou confisco. O texto também prevê a prorrogação do Programa Nacional de Entrega Voluntária de Armas até dezembro de 2027, combinando anistia com políticas de desarmamento formal. Segundo o correspondente da teleSUR na Argentina, Fabián Restivo, a proposta surge em um momento de deterioração do ambiente social, com registros recentes de armas em instituições de ensino e aumento da presença de indivíduos armados em locais públicos, fenômeno historicamente incomum no país. Restivo destacou que, em vez de endurecer controles, o projeto caminha na direção oposta e pode aprofundar a crise de segurança. A base política do governo de Javier Milei consolidou apoio ao projeto. Além do partido La Libertad Avanza, a União Cívica Radical (UCR), a Proposta Republicana (PRO) e blocos provinciais endossaram a proposta, formando maioria para seu avanço legislativo. A convergência dessas forças evidencia uma orientação comum de flexibilização regulatória sob o argumento de modernização institucional. A proposta retoma posições anteriores de Patricia Bullrich. Durante sua gestão como ministra, ela afirmou publicamente que “quem quiser portar uma arma, que porte”, declaração que sintetiza a linha política de liberalização do acesso. Essa postura é criticada por organizações sociais e setores educacionais, que apontam riscos diretos à segurança pública. O contexto imediato inclui uma série de ameaças de tiroteios em escolas argentinas nas últimas semanas. Investigações apontam que parte dessas ocorrências está ligada a um desafio viral na plataforma TikTok, no qual estudantes escrevem mensagens em banheiros anunciando “tiroteio amanhã”. A repetição desses episódios acendeu alertas em diversas províncias. Centros estudantis denunciam que o aumento da tensão nas escolas também está relacionado ao ambiente político promovido pelo governo Milei, marcado por discursos agressivos e cortes em políticas sociais. Segundo essas organizações, a falta de investimentos em atendimento psicológico nas instituições educacionais agrava a situação e deixa estudantes sem suporte diante de um cenário de crescente instabilidade. Defendendo o projeto, Patricia Bullrich argumenta que a regularização permitirá maior controle estatal sobre o armamento existente. “Mais armas registradas significam mais controle e segurança”, afirmou. Ela reforçou que “uma arma registrada é uma arma rastreável”, colocando a rastreabilidade como eixo central da proposta. Os números oficiais reforçam a dimensão do problema: aproximadamente 800 mil armas estão fora do sistema legal, enquanto mais de 595 mil pertencem a usuários com licenças expiradas. Esses dados são utilizados pelo governo como justificativa para incorporar esse arsenal ao controle formal do Estado. Na Argentina, o processo para obtenção da Licença de Porte de Arma de Fogo (CLU) é relativamente acessível. O custo é de cerca de 5.000 pesos — pouco mais de dois dólares — e o procedimento pode ser realizado online. A licença tem validade de cinco anos e exige requisitos básicos como idade mínima de 21 anos, comprovação de identidade e endereço. Os solicitantes também devem passar por exame psicofísico semelhante ao exigido para carteira de motorista, não possuir antecedentes criminais e comprovar conhecimento no manuseio de armas. Esse conhecimento pode ser adquirido por meio de cursos, cujo custo pode ultrapassar 50.000 pesos, ou mediante certificação de instrutores autorizados. Apesar do discurso oficial de controle, veículos de imprensa locais e organizações sociais alertam que a regularização em massa, em um contexto de crise social e institucional, tende a aumentar a circulação efetiva de armas e elevar os riscos de violência, especialmente em ambientes já tensionados como escolas e espaços urbanos.
- BNDES destina R$ 40 mi para restaurar Mata Atlântica
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou a liberação de R$ 40 milhões para a recuperação de áreas degradadas da Mata Atlântica no estado do Rio de Janeiro. O investimento integra um pacote maior de aproximadamente R$ 152 milhões, financiado pelo Fundo Clima, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente. A iniciativa prevê a restauração de 15 mil hectares no Norte Fluminense, com foco em vegetação nativa e recomposição de ecossistemas historicamente pressionados por ciclos econômicos predatórios. Segundo o Brasil 247, parceiro da TV BRICS, o projeto também se articula com estratégias de bioeconomia regional e conservação ambiental. O anúncio ocorre em meio ao avanço de políticas ambientais que buscam conciliar recuperação ecológica com desenvolvimento econômico sob lógica estatal. (BNDES aprovou a liberação de R$ 40 milhões para a recuperação de áreas degradadas da Mata Atlântica no estado do Rio de Janeiro | Foto: Vitória Matos O BNDES confirmou que os recursos serão destinados a um projeto de restauração ecológica voltado à recomposição da vegetação nativa, com uso exclusivo de espécies autóctones e ações de fortalecimento da bioeconomia local. A área de intervenção abrange 15 mil hectares distribuídos no Norte Fluminense, incluindo áreas de preservação permanente, reservas legais e zonas ambientalmente sensíveis, todas enquadradas na legislação ambiental brasileira. O plano inclui ainda a reconexão de fragmentos florestais, o que deve favorecer o retorno da fauna silvestre e a reconstituição de corredores ecológicos historicamente interrompidos pela expansão agroindustrial e urbana. Além da recomposição vegetal, o projeto incorpora práticas de conservação do solo e manejo hídrico, com medidas voltadas ao controle da erosão, aumento da matéria orgânica e melhoria da infiltração de água no solo. A proposta técnica busca enfrentar efeitos acumulados de degradação ambiental resultantes de décadas de exploração intensiva do território, especialmente em regiões historicamente subordinadas a ciclos de exportação de commodities e à lógica de uso predatório da terra. Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, afirmou que a iniciativa demonstra a possibilidade de articulação entre recuperação ambiental e reorganização produtiva. “A Mata Atlântica é um dos biomas mais ricos e, ao mesmo tempo, mais degradados do país, por isso apoiar projetos de recuperação em escala [...] é essencial para proteger a biodiversidade, enfrentar eventos climáticos extremos e gerar emprego e renda nos territórios”, declarou. A fala insere o projeto na narrativa institucional de transição para uma chamada economia verde, ainda sob forte mediação do Estado como indutor do investimento. A estratégia integra o programa BNDES Florestas, que reúne instrumentos financeiros e técnicos voltados à restauração ecológica e à bioeconomia florestal. Entre 2023 e 2025, a iniciativa mobilizou cerca de R$ 7 bilhões, com previsão de viabilizar o plantio de 280 milhões de árvores, gerar 70 mil empregos e capturar 54 milhões de toneladas de carbono, segundo dados do próprio banco. O desenho da política evidencia a centralidade do financiamento público como resposta parcial à crise ambiental, em contraste com décadas de expansão de modelos econômicos baseados em desmatamento, exportação de recursos naturais e dependência estrutural de cadeias globais controladas por grandes corporações. No plano social e econômico, o projeto prevê a criação de mais de 800 empregos diretos e indiretos, envolvendo atividades como coleta de sementes, produção de mudas e manutenção florestal. As ações incluem ainda programas de capacitação e incentivo ao empreendedorismo local, com foco declarado na inclusão social e na geração de renda em territórios afetados pela degradação ambiental acumulada.
- Mais da metade da população do Sudão do Sul enfrenta uma crise aguda da fome
Conflitos armados e deslocamentos em massa estão aprofundando a crise de fome no Sudão do Sul, onde 7,8 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar aguda e 2,2 milhões de crianças sofrem de desnutrição aguda, segundo declaração conjunta de agências da ONU divulgada na terça-feira (28). Entre abril e julho de 2026, projeta-se que 56% da população do país esteja em níveis elevados de insegurança alimentar aguda, classificados a partir da Fase 3 do IPC. Desse total, 73.300 pessoas devem atingir a Fase 5, o nível catastrófico, o que representa um aumento de 160% em relação à estimativa anterior. As agências da ONU atribuem o agravamento à escalada dos conflitos, deslocamentos forçados, deterioração econômica, choques climáticos, inundações e queda na produção agrícola. Enquanto isso, milhões já vivem entre a Crise (Fase 3) e a Emergência (Fase 4), com o colapso de serviços básicos e da assistência humanitária ampliando o colapso alimentar. ARQUIVO A crise no Sudão do Sul expõe a intersecção entre violência política, colapso estatal e vulnerabilidade climática em uma das regiões mais instáveis do continente africano, onde a infraestrutura social permanece fragilizada após anos de guerra civil e intervenções indiretas de interesses externos na região do Chifre e do Leste Africano. Em Jonglei, cerca de 300 mil pessoas foram deslocadas, agravando o isolamento de comunidades inteiras que já não conseguem acessar assistência humanitária regular, enquanto o aumento dos preços dos alimentos e a desorganização dos mercados locais reduzem ainda mais o poder de compra das famílias. As agências da ONU apontam que a desnutrição aguda está sendo intensificada pelo colapso dos serviços de saúde e nutrição, muitos dos quais foram danificados ou encerrados em áreas de conflito ativo. A escassez de suprimentos e o financiamento insuficiente limitaram o acesso a tratamentos considerados essenciais, enquanto surtos simultâneos de cólera, malária e sarampo se espalham, atingindo sobretudo crianças já em estado crítico de vulnerabilidade nutricional. O quadro é considerado particularmente grave em áreas dos estados do Alto Nilo e de Jonglei, onde há risco real de fome em quatro condados específicos. O IPC também prevê que 11 condados nesses territórios - incluindo partes do Alto Nilo, Unidade e Jonglei - poderão alcançar a Fase 5 em Desnutrição Aguda, o nível mais extremo da escala internacional de alerta alimentar. A distribuição da assistência humanitária segue desigual, com regiões ainda inacessíveis ou parcialmente atendidas, o que amplia a desigualdade no acesso à sobrevivência básica. Em meio a esse cenário, Ross Smith, Diretor de Emergências e Preparação do Programa Mundial de Alimentos (PMA), afirmou que “desde o início do ano, temos observado um aumento significativo nos conflitos em Jonglei e no Alto Nilo, bem como bloqueios repetidos em nossas tentativas de acesso às pessoas nessas áreas”. Smith acrescentou que as operações humanitárias enfrentam uma corrida contra o tempo diante da aproximação do período chuvoso, que tende a isolar ainda mais comunidades já fragilizadas, dificultando o envio de suprimentos e ampliando o risco de colapso alimentar em áreas remotas. Entre as crianças, o impacto da crise atinge níveis alarmantes. O número de menores entre seis meses e cinco anos com desnutrição aguda aumentou em 100 mil casos em apenas seis meses, elevando a projeção para 700 mil crianças em estado de desnutrição aguda grave até julho deste ano, a forma mais letal da doença. Paralelamente, cerca de 1,2 milhão de mulheres grávidas e lactantes enfrentam desnutrição aguda, elevando o risco de mortalidade materna e infantil em larga escala. Diante da deterioração acelerada, agências da ONU apelam à comunidade internacional e aos governos para a liberação imediata de recursos financeiros destinados à assistência alimentar, programas de nutrição, fornecimento de água potável e saneamento básico, além da manutenção de serviços de saúde em áreas de maior vulnerabilidade.
- ASSASSINOS E ESTUPRADORES SAIRÃO DA CADEIA MAIS CEDO SE CONGRESSO ANISTIAR BOLSONARO
Parlamentares da extrema direita e aliados do bolsonarismo articulam, para o dia 30 de abril de 2026, a derrubada do veto do presidente Lula ao chamado PL da Dosimetria, iniciativa que reduz penas e pode beneficiar diretamente condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023. A medida ocorre em meio a uma ofensiva política para reabilitar figuras centrais da tentativa de ruptura institucional, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar. O projeto, segundo seus críticos, opera como mecanismo de enfraquecimento da resposta penal ao ataque às instituições brasileiras e à ordem democrática. A proposta também colide diretamente com a recém-aprovada Lei Antifacção, em vigor desde 24 de março, que endureceu regras de progressão de regime para crimes hediondos. Caso avance, a mudança pode alterar profundamente a execução penal no país, atingindo inclusive crimes como homicídio, estupro e feminicídio. Congresso brasileiro ©BRASIL DE FATO O movimento no Congresso Nacional é impulsionado por setores que buscam reverter condenações ligadas ao 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores de Jair Bolsonaro invadiram e destruíram as sedes dos Três Poderes em Brasília. As investigações também apontaram planos de assassinato contra o presidente Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin, ampliando a gravidade do quadro investigado. A articulação política para derrubar o veto presidencial ocorre em paralelo a uma disputa mais ampla sobre o alcance das punições e o tratamento jurídico dado aos crimes contra o Estado Democrático de Direito. A base governista afirma que a medida representa um retrocesso institucional e uma tentativa de esvaziar decisões já consolidadas no campo penal. O núcleo da controvérsia envolve o impacto direto da proposta sobre a progressão de pena. A Bancada do PT na Câmara, com base em estudo técnico de sua assessoria jurídica, afirma que o PL da Dosimetria altera substancialmente a Lei de Execução Penal ao reduzir o tempo necessário para progressão de regime. Segundo o documento, o condenado primário por crime hediondo, que hoje precisa cumprir 70% da pena para avançar de regime, passaria a cumprir apenas 40% caso o veto seja derrubado. Em casos de feminicídio, a exigência cairia de 75% para 55%. Já reincidentes em crimes hediondos teriam redução de 80% para 60%, enquanto reincidentes com resultado morte passariam de 85% para 70%. A proposta também impactaria diretamente estruturas associadas ao crime organizado. Para integrantes de organizações criminosas estruturadas ou envolvidos em milícias privadas, a progressão poderia cair de 75% para 50% da pena. A avaliação técnica apresentada pelo PT aponta ainda uma redução geral entre 15 e 30 pontos percentuais nos requisitos temporais de progressão, o que, na prática, aceleraria significativamente a saída de condenados do regime fechado. O partido sustenta que tal mudança compromete a coerência da política criminal aprovada pelo próprio Congresso Nacional e fragiliza mecanismos de contenção de crimes de alta gravidade. A Lei Antifacção, aprovada pelo Legislativo e em vigor desde março, estabeleceu parâmetros mais rígidos justamente para enfrentar organizações criminosas, milícias e o tráfico de entorpecentes. Entre seus dispositivos, determina que réus primários por crimes hediondos cumpram 70% da pena antes de qualquer progressão, enquanto reincidentes com resultado morte devem cumprir 85%. A eventual derrubada do veto ao PL da Dosimetria, segundo a avaliação da bancada governista, esvazia esses parâmetros e cria um sistema contraditório dentro da própria legislação penal brasileira. A disputa legislativa também se estende à arquitetura jurídica das penas. O PL da Dosimetria introduz o chamado concurso formal, que limita a aplicação de múltiplas penas a uma única sanção, e extingue o concurso material, que permite a soma de penas quando há múltiplos crimes. O texto ainda prevê redução de pena para agentes sem papel de liderança ou financiamento e admite remição de pena em regime domiciliar. Para seus críticos, trata-se de uma reinterpretação profunda do Direito Penal, com efeitos diretos sobre a execução das penas já aplicadas. Em nota, a Bancada do PT na Câmara afirmou que a manutenção do veto é necessária para preservar a integridade da política criminal e evitar retrocessos no enfrentamento a crimes contra o Estado. O documento classifica o 8 de janeiro de 2023 como “uma das páginas mais lamentáveis da nossa história” e defende que a resposta institucional deve ser mantida sem flexibilizações que beneficiem condenados por crimes contra a democracia. O texto também afirma que a sociedade brasileira espera firmeza no enfrentamento ao feminicídio, ao crime organizado, às milícias e aos ataques à ordem constitucional. A nota destaca ainda que o afrouxamento das regras de progressão “enfraquece a prevenção, desorganiza a coerência legislativa, favorece os condenados por crimes hediondos e transmite um sinal político de impunidade para os crimes mais graves contra os bens jurídicos mais importantes: a democracia, a vida e a sexualidade, especialmente das mulheres”. A bancada afirma que atuará para impedir a derrubada do veto e apresentou requerimentos de urgência para o PL 1.009/2022, que classifica como hediondos crimes contra o Estado Democrático de Direito e agrava penas quando praticados por autoridades, além do PL 3.676/2025, que tipifica o crime de alta traição à Pátria no Código Penal.












