top of page
2_00000.avif

Petro acusa EUA de impedir encontro com prefeito de Nova York

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, acusou o governo do presidente estadunidense Donald Trump de restringir sua agenda durante visita oficial aos Estados Unidos. Segundo Petro, autoridades estadunidenses impediram reuniões e atividades previamente programadas, incluindo um encontro com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e uma palestra acadêmica em Boston. A denúncia foi feita após sua participação na cerimônia de transferência da presidência rotativa do Conselho de Segurança das Nações Unidas, realizada em 10 de junho.


Gustavo Petro, presidente da Colômbia
Gustavo Petro, presidente da Colômbia

Em publicação divulgada após sua passagem pelo território estadunidense, Petro afirmou que viajou aos Estados Unidos para assumir a presidência do Conselho de Segurança da ONU e conduzir a primeira sessão sob comando colombiano. Paralelamente aos compromissos na organização internacional, o chefe de Estado colombiano havia planejado encontros com autoridades locais e atividades acadêmicas.


Entre os eventos previstos estava uma reunião com o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. De acordo com informações citadas por Petro e atribuídas ao jornal The Washington Post, o encontro teria sido cancelado após pressões e obstáculos impostos pelo governo do presidente Donald Trump. O presidente colombiano também tinha programada uma conferência em Boston, que acabou não sendo realizada.


Petro declarou que as medidas adotadas contra sua agenda representam uma restrição à liberdade de expressão e ao diálogo político. “Como desta vez participei apenas da cerimônia para receber a presidência do Conselho de Segurança das Nações Unidas e conduzir a primeira sessão sob nossa presidência, considero antidemocrático que minha liberdade de falar com o prefeito de Nova York, uma autoridade local nos EUA, e minha liberdade de pensamento tenham sido restringidas ao me impedirem de proferir uma palestra para a qual fui convidado em Boston”, escreveu.


O presidente colombiano afirmou que jamais recebeu qualquer comunicação oficial sobre restrições associadas ao seu visto de entrada nos Estados Unidos. Segundo ele, sua presença em eventos anteriores no país demonstra que não havia impedimentos formais para a realização dos compromissos previstos.


“Nunca fui informado de nenhuma restrição ao meu visto e, na verdade, compareci ao funeral de Jesse Jackson em Chicago. Nunca fui informado de que seria preso”, declarou Petro.


A denúncia ocorre em meio ao agravamento das tensões entre Bogotá e Washington. Nos últimos meses, Petro passou a criticar de forma pública posições da administração estadunidense sobre política externa, soberania nacional e o genocídio cometido por Israel contra a população palestina.


Petro também argumentou que sua condição de chefe de Estado presente em atividades da Assembleia Geral e do Conselho de Segurança das Nações Unidas lhe garantia proteção jurídica e liberdade para exercer suas funções diplomáticas em território estadunidense.


“Nossas constituições são baseadas na liberdade, na democracia e na soberania. Sob este último princípio, que respeito pelos Estados Unidos, pela Colômbia e por todas as nações do mundo, aceitei as condições para que a Colômbia possa exercer sua liderança global conquistada com muito esforço”, afirmou.


Em outro trecho da manifestação, o presidente colombiano ampliou as críticas ao abordar a participação de Washington nos assuntos internos da Colômbia. Petro declarou que rejeita qualquer tentativa de influência externa sobre o processo eleitoral colombiano, defendendo que a definição dos rumos políticos do país cabe exclusivamente à população colombiana.


“Não concordo com a interferência do governo dos EUA na campanha eleitoral, cujas decisões dizem respeito apenas ao povo da Colômbia no pleno exercício de sua liberdade”, escreveu.


A declaração foi divulgada após Donald Trump celebrar publicamente a vitória de Abelardo de la Espriella no primeiro turno das eleições colombianas realizado no início de junho. Segundo os dados mencionados por Petro, De la Espriella teria obtido mais de 10 milhões de votos, superando o candidato governista Iván Cepeda. A manifestação do presidente estadunidense foi interpretada por setores políticos colombianos como uma intervenção direta em um processo eleitoral ainda em curso.


As acusações apresentadas por Petro inserem-se em um contexto de disputas diplomáticas entre Bogotá e Washington, marcado por divergências sobre política regional, soberania nacional e o papel exercido pelos Estados Unidos nos processos políticos da América Latina. Desde o século XX, governos latino-americanos denunciaram operações de influência, financiamento político e pressão diplomática conduzidas por administrações estadunidenses sobre países da região, prática que permanece objeto de controvérsia em diferentes momentos da política continental.

apoie a ampliação do nosso trabalho

Valoriza o que estamos fazendo? Considere apoiar a ampliação do nosso trabalho com uma contribuição.

Frequência

1 vez

Mensal

Anual

Valor

R$ 10

R$ 20

R$ 30

R$ 40

R$ 50

R$ 100

R$ 200

Outro

editora
clandestino

Ao adquirir um de nossos arquivos, você contribui para a expansão de nosso trabalho.

MAIS VENDIDOS

bottom of page