

Genocídio em Gaza empurra meninas ao casamento forçado e colapso mental
22 de mar. de 2026
Faixa de Gaza / Palestina - Arquivo
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A intensificação do genocídio na Faixa de Gaza desde outubro de 2023 produziu uma crise humanitária de dimensões profundas, com impactos particularmente severos sobre crianças e adolescentes, especialmente meninas, segundo dados divulgados em 19 de março de 2026 pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). De acordo com a coordenadora Sima Alami, mais de um milhão de crianças necessitam de apoio psicossocial, enquanto 96% afirmam sentir que a morte é iminente, refletindo níveis extremos de trauma.
Entre jovens, 61% apresentam transtorno de estresse pós-traumático, 38% sofrem de depressão e 41% de ansiedade, enquanto um em cada cinco adultos relata pensamentos suicidas frequentes. Nesse contexto de devastação sistemática, o casamento infantil ressurgiu como estratégia de sobrevivência, revertendo avanços históricos: após cair de 25,5% em 2009 para 11% em 2022, os índices voltaram a crescer, com 71% dos entrevistados relatando aumento da pressão para casar meninas menores de 18 anos. Em um curto período, mais de 400 licenças de casamento foram emitidas para adolescentes entre 14 e 16 anos em tribunais de emergência, embora haja subnotificação.
Em 2025, cerca de 10% das novas gestações ocorreram entre adolescentes, agravadas pelo colapso do sistema de saúde, no qual apenas 15% das unidades conseguem oferecer serviços obstétricos de emergência. O casamento infantil, além de ser uma resposta à pobreza extrema e deslocamento, expõe meninas à violência: 63% relatam abusos físicos, psicológicos ou sexuais, além de aumento nas taxas de divórcio e sofrimento mental severo.
Mais de 100 casos de suicídio ou tentativa foram registrados entre sobreviventes de violência. Enquanto isso, na Cisjordânia, operações militares e restrições de mobilidade intensificam o deslocamento e o fechamento de escolas, gerando ansiedade crônica entre jovens. O UNFPA afirma ter apoiado mais de 35 espaços seguros e distribuído 120 mil kits de higiene, mas reconhece que as condições — incluindo funcionamento em tendas precárias — limitam a eficácia das ações.
A destruição deliberada de infraestrutura civil e o bloqueio sistemático de recursos consolidam um cenário em que a sobrevivência cotidiana substitui qualquer perspectiva de desenvolvimento, evidenciando como o genocídio não apenas mata, mas reorganiza violentamente as estruturas sociais, atingindo de forma desproporcional mulheres e crianças.
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