

URGENTE: Israel arquiva acusações contra soldados envolvidos em estupro de prisioneiro palestino
quinta-feira, 12 de março de 2026
Um soldado da Força de Ocupação de Israel reza armado, Al-Quds, Palestina. ©Shutterstock
/// Considere apoiar nosso trabalho com uma contribuição via PIX para a chave: jornalclandestino@icloud.com
O exército israelense anunciou em 12 de março de 2026 a retirada das acusações contra cinco soldados envolvidos em um caso de violência extrema e estupro contra um prisioneiro palestino detida no centro de detenção de Sde Teiman, instalação militar que se tornou símbolo das denúncias de abusos sistemáticos contra palestinos sob custódia israelense.
As acusações haviam sido formalizadas após a divulgação, em agosto de 2024, de imagens de câmeras de segurança obtidas pelo Canal 12 de Israel que mostrariam um grupo de soldados cercando o detido enquanto formavam uma barreira humana ao redor dele, episódio que segundo a investigação incluiu espancamentos e violência sexual. De acordo com os autos da acusação, os militares agrediram a vítima durante cerca de 15 minutos, chutando-o, pisoteando-o, golpeando-o com bastões, arrastando-o pelo chão e aplicando descargas elétricas com arma de choque, inclusive na cabeça. O prisioneiro foi posteriormente levado a um hospital de campanha instalado no próprio complexo de Sde Teiman com ferimentos descritos pela imprensa israelense como “ruptura intestinal, ferimento grave no ânus, danos pulmonares e costelas quebradas”.
Ao todo nove reservistas da chamada Força 100, unidade responsável pela custódia de prisioneiros no local, foram interrogados pela polícia militar israelense no fim de julho de 2024 após a divulgação das imagens. Cinco deles acabaram indiciados por “abuso grave”, embora não por estupro, e a acusação sustentava que um dos soldados havia introduzido um objeto cortante próximo ao reto da vítima, causando laceração.
Segundo reportagem do Canal 12, dois dos suspeitos foram submetidos a teste de polígrafo e responderam negativamente às perguntas “Você inseriu algum objeto no ânus do palestino durante uma busca?” e “Você está escondendo a identidade da pessoa que inseriu um objeto no ânus do palestino?”, mas o examinador concluiu que ambos mentiram. Mesmo diante desses elementos, os militares israelenses anunciaram a retirada das acusações alegando “desenvolvimentos significativos” e citando a “complexidade das provas existentes” e as “circunstâncias excepcionais do caso”, que segundo a instituição poderiam comprometer “o direito fundamental e básico a um julgamento justo”.
A decisão foi saudada pelo primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, que afirmou em comunicado que “o Estado de Israel deve caçar seus inimigos, não seus próprios combatentes heróicos”. A controvérsia ganhou dimensão adicional após Yifat Tomer-Yerushalmi, então chefe do departamento jurídico militar israelense, admitir em novembro de 2025 que havia vazado as imagens de vigilância para o Canal 12 e renunciar ao cargo após abertura de investigação criminal contra ele.
Diversas reportagens do Middle East Eye, da CNN e do New York Times já haviam descrito Sde Teiman como um centro de detenção marcado por espancamentos, tortura e violência sexual contra prisioneiros palestinos. Investigações independentes indicam que os abusos não se limitam à instalação militar: múltiplos relatos apontam para o uso sistemático de violência sexual em diferentes prisões israelenses. Um relatório das Nações Unidas afirmou que Israel emprega tortura e estupro com conotação sexual como “um método de guerra… para desestabilizar, dominar, oprimir e destruir o povo palestino”. Em dezembro, dois detidos palestinos relataram ao Middle East Eye episódios semelhantes: um deles descreveu ter sido chutado, pisoteado, insultado e violentado com um objeto enquanto estava vendado e sob o riso de um guarda israelense, enquanto outro afirmou que soldados utilizaram um cão para cometer violência sexual contra ele, reforçando as denúncias de que a brutalidade contra prisioneiros palestinos constitui prática recorrente dentro do aparato militar e prisional israelense.
editora
clandestino
Ao adquirir um de nossos arquivos, você contribui para a expansão de nosso trabalho.

































