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Ferrovia desértica: Argélia avança no Saara e desafia dependência colonial

A Argélia inaugurou em 1º de fevereiro de 2026 uma ferrovia desértica de quase 1.000 quilômetros para escoar minério de ferro da mina de Gara Djebilet, no Saara. O projeto conecta o sul do país à cidade de Béchar e, posteriormente, a um polo siderúrgico próximo a Oran, no norte. Financiada pelo Estado argelino e construída parcialmente por um consórcio chinês, a obra foi apresentada como eixo central da estratégia industrial nacional. O governo estima que a iniciativa reduzirá importações de minério de ferro em US$ 1,2 bilhão por ano.


Abdelmadjid Tebboune, Presidente da Argélia
Abdelmadjid Tebboune, Presidente da Argélia

Durante a cerimônia de inauguração em Béchar, transmitida pela televisão nacional argelina, o presidente Abdelmadjid Tebboune classificou a ferrovia como “um dos maiores projetos estratégicos da história da Argélia independente”. Na ocasião, Tebboune recebeu o primeiro trem de passageiros vindo de Tindouf e autorizou o envio do primeiro carregamento de minério de ferro rumo ao norte do país.


A ferrovia transportará minério do depósito de Gara Djebilet, localizado no extremo sul argelino, até Béchar, a cerca de 950 quilômetros de distância, de onde seguirá para uma usina siderúrgica nas proximidades de Oran. O empreendimento integra um plano mais amplo para ampliar a produção de aço e reduzir a dependência histórica da economia argelina em relação aos hidrocarbonetos, principal herança do modelo extrativista imposto ao país ao longo do século XX.


De acordo com o grupo estatal Feraal, responsável pela administração da mina, a produção inicial será de 4 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. A projeção oficial é elevar esse volume para 12 milhões de toneladas anuais até 2030. Em perspectiva de longo prazo, a própria empresa estima que a capacidade possa alcançar 50 milhões de toneladas por ano, transformando Gara Djebilet em uma das maiores minas do continente africano.


A imprensa argelina informou que o início das operações permitirá ao país reduzir drasticamente as importações de minério de ferro, gerando uma economia anual estimada em US$ 1,2 bilhão. O dado é apresentado pelo governo como evidência concreta de que a industrialização interna pode romper com décadas de subordinação aos mercados externos e às cadeias globais dominadas por antigas potências coloniais.


A participação de um consórcio chinês na construção do projeto evidencia a reorganização das alianças econômicas da Argélia fora do eixo tradicional europeu, historicamente ligado à exploração de seus recursos naturais. Ainda que o governo enfatize a soberania estatal sobre a infraestrutura e a mina, o desafio estrutural permanece: transformar riqueza mineral em desenvolvimento social duradouro, evitando que o Saara volte a ser apenas um corredor de extração para atender demandas externas sob novas roupagens geopolíticas.

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