As próximas eleições em Israel podem marcar o fim da carreira política de Netanyahu?
- www.jornalclandestino.org

- 30 de jun.
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As eleições gerais em Israel, marcadas para outubro de 2026, colocam em jogo a permanência política de Benjamin Netanyahu diante de acusações de corrupção, investigações internas sobre os acontecimentos de 7 de outubro de 2023 e da relação do governo israelense com os Estados Unidos sob o presidente Donald Trump. O primeiro-ministro responde a processos de corrupção iniciados em 2019 e enfrenta questionamentos sobre a condução das guerras na região. A política externa de Israel segue marcada por negociações com Washington e tensões com o Irã após decisões militares recentes.

Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro com maior tempo no cargo em Israel, responde a processos judiciais por corrupção abertos em 2019 e a investigações sobre falhas governamentais antes e depois dos ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023. Até o momento, não foi criada uma comissão pública independente para apurar os fatos.
A política militar israelense inclui operações no Líbano contra o Hezbollah e ações regionais após a escalada iniciada em 28 de fevereiro de 2026, quando Netanyahu convenceu o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a apoiar uma guerra contra o Irã. Após essa decisão, o Irã realizou ataques contra Israel, países do Golfo e rotas de navegação no Estreito de Ormuz.
Israel mantém operações militares no Líbano enquanto enfrenta pressão do governo dos Estados Unidos para reduzir a ofensiva na região. A sociedade israelense apresenta divisão entre setores que defendem a continuidade da guerra e grupos que pedem contenção das ações militares.
O governo israelense também enfrenta críticas internas e externas após o início do genocídio em Gaza, o que ampliou questionamentos em setores políticos dos Estados Unidos e em parte da comunidade internacional.
O primeiro-ministro também responde a processos de corrupção com acusações apresentadas desde 2019. Caso haja condenação, há possibilidade de prisão.
O analista político Nimrod Flaschenberg declarou à Al Jazeera: “Parece que [Netanyahu] pode estar em apuros. O acordo dos Estados Unidos com o Irã não foi bem recebido e, para o público, não está claro o que está acontecendo no Líbano. Ninguém sabe se é um cessar-fogo, uma retirada ou outra coisa, e a imprensa aqui está muito desconfiada.”
O ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas israelenses e atual adversário político de Netanyahu, Gadi Eisenkot, afirmou em podcast em hebraico: “Não conseguimos aproveitar nossos avanços militares e acordamos para uma realidade de segurança que não deveria ser aceita. Mesmo o fato de Israel precisar de aprovação de Washington para realizar um ataque no Líbano é inconcebível.”
O ex-conselheiro do governo israelense Daniel Levy afirmou: “Grande parte da oposição o ultrapassa pela direita com alegações de que existem soluções militares ou diplomáticas mágicas para o que acontece no Líbano, enquanto Netanyahu tenta ganhar tempo e trabalha para enfraquecer o acordo entre os Estados Unidos e o Irã.”
O acordo entre Irã e Estados Unidos, assinado em 18 de junho, estabelece a interrupção imediata e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano, além da garantia da integridade territorial e soberania do país. O texto inclui compromissos de aliados de ambos os lados.
Mesmo assim, Israel não assumiu compromisso de retirada de territórios no Líbano e mantém operações militares na região. Desde 2 de março, o conflito registra 4.230 mortos e 12.179 feridos no Líbano.
O político Ori Goldberg afirmou: “Netanyahu prometeu às pessoas que vivem no norte de Israel um futuro que não poderia cumprir.”
O ex-conselheiro Daniel Levy declarou que o governo dos Estados Unidos sob o presidente Donald Trump pressiona pela redução das operações militares para preservação do acordo com o Irã e normalização das rotas no Estreito de Ormuz.
Trump afirmou ao Financial Times: “Eu dou as ordens. Ele não dá as ordens.”
Desde fevereiro de 2026, Netanyahu participou de sete encontros presenciais com o presidente dos Estados Unidos no início do mandato, sem novos encontros após o início da guerra contra o Irã.












































