Bahrein revogou cidadania de 69 pessoas em punição coletiva por supostos apoio ao Irã
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O governo do Bahrein revogou a cidadania de 69 pessoas e de seus familiares após manifestações de apoio às operações militares iranianas contra alvos dos Estados Unidos e de Israel. A decisão foi anunciada em 28 de abril de 2026 pelo Ministério do Interior do reino do Golfo. As autoridades alegam que os atingidos “minaram a segurança nacional” por meio de publicações em redes sociais. A medida ocorre em meio à escalada da ofensiva militar liderada pelos Estados Unidos contra o Irã iniciada em 28 de fevereiro. Organizações de oposição classificaram a decisão como punição coletiva e denunciaram repressão sistemática no país.

Segundo o comunicado oficial, os indivíduos tiveram a cidadania revogada por “expressarem apoio aos ataques de retaliação do Irã” e por “glorificarem” movimentos de resistência regional em plataformas digitais. O governo afirma que essas ações “criaram instabilidade e puseram em risco a ordem pública”, justificando a retirada de direitos civis básicos como medida de segurança.
A decisão amplia um padrão de repressão política historicamente associado à monarquia Al Khalifa, que governa o Bahrein e mantém estreita aliança com a presença militar estadunidense no Golfo Pérsico, incluindo a base da Quinta Frota. A medida ocorre após ataques iranianos direcionados a instalações militares utilizadas pelos Estados Unidos como ponto de partida para operações contra a República Islâmica, no contexto da escalada militar regional.
O movimento de oposição Al-Wefaq reagiu imediatamente, classificando a decisão como “injusta, desumana e sem acusações específicas”. Em nota, a organização declarou que a revogação de cidadania “constitui uma forma de punição coletiva” e denunciou que familiares inteiros foram atingidos. “O regime do Bahrein retirou a cidadania de crianças, recém-nascidos e mulheres sob o pretexto de seu parentesco com os pais, apagando virtualmente famílias inteiras dos registros civis. Isso equivale a uma espécie de execução moral e civil”, afirmou o grupo.
A medida não ocorre isoladamente. No mês anterior, grupos de oposição denunciaram a morte sob tortura do jovem Seyed Mohamad al-Musawi, enquanto estava sob custódia das autoridades do Bahrein. Segundo essas denúncias, ele teria sido pressionado a confessar vínculos com o Irã. O caso gerou indignação interna e levou figuras da oposição, como Sheikh Hussein al-Daihi, vice-secretário-geral da Al-Wefaq, a condenar publicamente o episódio.
Desde o início da ofensiva militar liderada pelos Estados Unidos contra o Irã, o aparato de segurança do Bahrein intensificou a repressão interna. Jovens manifestantes passaram a ser detidos sob acusações de espionagem, frequentemente sem provas públicas. Fontes familiarizadas com a situação indicam que cerca de 200 pessoas foram sequestradas pelas autoridades sob alegações semelhantes desde o início da escalada militar.
O governo do Bahrein tem adotado a postura mais agressiva entre os países do Conselho de Cooperação do Golfo contra Teerã, alinhando-se diretamente à estratégia militar estadunidense na região. Autoridades locais classificaram as operações iranianas com mísseis e drones contra instalações utilizadas pelos Estados Unidos no país como violações de soberania, apesar de o próprio território ser utilizado como plataforma para ataques contra o Irã.
Teerã havia declarado anteriormente que qualquer território utilizado para lançar ofensivas contra a República Islâmica seria considerado alvo legítimo. Com base nesse princípio, forças iranianas realizaram ataques contra instalações militares no Golfo Pérsico, incluindo áreas associadas à presença estadunidense no Bahrein.
Em março de 2026, o Irã apresentou um protesto formal às Nações Unidas contra o uso do espaço aéreo e territorial de países vizinhos pelos Estados Unidos para conduzir operações militares. A denúncia destacou o papel de governos aliados na facilitação da ofensiva e reforçou a posição iraniana de que tais territórios se tornam parte ativa do teatro de operações militares.



































