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Congresso dos EUA bloqueia tentativa de derrubar integração militar EUA-Israel

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos impediu o avanço de uma proposta que buscava retirar da Lei de Autorização de Defesa Nacional (NDAA) a Iniciativa de Tecnologia de Defesa EUA-Israel. A emenda havia sido apresentada pelos deputados Ro Khanna e Thomas Massie e também fazia parte de uma ofensiva parlamentar para reduzir a cooperação militar entre Washington e Tel Aviv. A decisão ocorreu em 29 de junho, durante a definição das emendas autorizadas para votação no plenário.


Crédito: Cabo Emma Gray, do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA
Crédito: Cabo Emma Gray, do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA

A proposta dos parlamentares democrata Ro Khanna e republicano Thomas Massie foi excluída pela Comissão de Regras da Câmara dos Representantes, responsável por estabelecer quais alterações ao texto da Lei de Autorização de Defesa Nacional serão submetidas ao debate e à votação. A lista divulgada na segunda-feira não incluiu a emenda apresentada pelos dois congressistas.


A medida pretendia retirar do projeto a chamada Iniciativa de Tecnologia de Defesa EUA-Israel, dispositivo que prevê ampliação da cooperação entre os setores militares dos dois países. O texto contempla pesquisa conjunta, desenvolvimento de tecnologias militares, compartilhamento de dados, integração em inteligência artificial, sistemas autônomos, tecnologia quântica, energia direcionada, biotecnologia, coprodução de armamentos, acordos de licenciamento e criação de empreendimentos industriais conjuntos.


O dispositivo integra a proposta da Lei de Autorização de Defesa Nacional de 2027. A Seção 224 do projeto estabelece mecanismos para aprofundar a cooperação entre os complexos industriais de defesa dos Estados Unidos e de Israel, ampliando a participação bilateral no desenvolvimento de equipamentos militares e de novas tecnologias aplicadas ao setor de defesa.


A iniciativa provocou críticas de parlamentares e de ex-integrantes da comunidade de segurança nacional dos Estados Unidos. Entre os críticos está Joe Kent, ex-diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo, que afirmou que permitir a outro país acesso a tecnologias militares sensíveis representa riscos para a segurança nacional.


"Os perigos de permitir que qualquer outra nação acesse nossas tecnologias militares sensíveis são óbvios, incluindo o fato de que portas traseiras e spyware podem ser instalados e que certamente serão usados pelos israelenses para influenciar a política dos EUA", declarou Kent.


Joe Kent deixou o cargo em março. Posteriormente, passou a criticar o envolvimento militar dos Estados Unidos nas operações contra o Irã e afirmou que Israel exerceu pressão sobre Washington durante a escalada militar. O ex-funcionário também contestou a avaliação de que Teerã buscava converter seu programa nuclear em armamento nuclear.


As preocupações sobre atividades de inteligência atribuídas a Israel também foram manifestadas por John Kiriakou, ex-agente da CIA e denunciante. Em entrevistas recentes e participações em podcasts, Kiriakou alegou que o Mossad teria instalado dispositivos de escuta em instalações ligadas à comunidade de inteligência dos Estados Unidos.


No mesmo processo legislativo, o Congresso rejeitou outra iniciativa apresentada por Khanna e Massie para submeter à votação uma proposta de encerramento dos US$ 3,3 bilhões em assistência militar anual destinados pelos Estados Unidos a Israel. A tentativa gerou divergências entre parlamentares do Partido Democrata.


O deputado Greg Casar declarou apoio à proposta antes da votação. "Em breve, a Câmara votará uma emenda para bloquear o financiamento do exército israelense com dinheiro dos contribuintes. Votarei a favor", afirmou em 29 de junho.


Casar acrescentou: "O governo israelense cometeu crimes de guerra em Gaza e ajudou a arrastar os Estados Unidos para uma guerra com o Irã. Os americanos não deveriam financiar mais armas para Netanyahu."


A deputada Alexandria Ocasio-Cortez também informou que apoiaria a redução da assistência militar. Em sentido contrário, o deputado Gregory Meeks, principal representante democrata na Comissão de Relações Exteriores da Câmara, declarou oposição à medida.


"Há muitos fatores envolvidos para dizer… Estamos retirando US$ 3,3 bilhões", afirmou Meeks. "Sei que ainda existe perigo em Israel. Não quero que Israel fique sem o que precisa", acrescentou.


O debate ocorre em meio ao aumento das divergências dentro do Congresso sobre a política externa dos Estados Unidos para o Oriente Médio e sobre o nível de cooperação militar com Israel. Pesquisas de opinião citadas durante a discussão legislativa indicam mudanças na percepção de parte da população estadunidense sobre a relação entre os dois países, enquanto parlamentares seguem divididos quanto à continuidade da assistência militar e ao aprofundamento da integração tecnológica prevista na Lei de Autorização de Defesa Nacional.

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