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Coreia do Norte afirma que seu status como Estado com armas nucleares "não mudará"

A Coreia do Norte declarou na ONU que não reconhecerá qualquer obrigação vinculada ao Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) e afirmou que seu status nuclear não será alterado por pressão estadunidense. A declaração foi feita pelo embaixador Kim Song durante a 11ª Conferência de Revisão do TNP, realizada em 7 de maio de 2026, em Nova York. Pyongyang vinculou sua política nuclear ao que define como ameaça militar permanente conduzida pelos Estados Unidos e seus aliados no Leste Asiático.


Kim Jong-un, líder da Coreia do Norte
Kim Jong-un, líder da Coreia do Norte

A declaração do diplomata norte-coreano foi divulgada pela agência estatal KCNA após críticas feitas pelos Estados Unidos e outros países ao programa nuclear de Pyongyang durante a conferência da ONU. Segundo Kim Song, “os Estados Unidos e certos países que os seguem estão questionando, sem fundamento, o status atual e o exercício dos direitos soberanos” da República Popular Democrática da Coreia.


“O estatuto da República Popular Democrática da Coreia como um Estado com armas nucleares não mudará com base em reivindicações retóricas externas ou desejos unilaterais”, declarou o embaixador. Em seguida, acrescentou: “Para deixar claro mais uma vez, a República Popular Democrática da Coreia não estará vinculada ao Tratado de Não Proliferação sob nenhuma circunstância.”

Pyongyang retirou-se oficialmente do TNP em 2003, após anos de confrontos diplomáticos com Washington, inspeções internacionais e sanções econômicas. Desde então, o país realizou seis testes nucleares e expandiu seu programa de mísseis balísticos. O Conselho de Segurança da ONU aprovou sucessivas rodadas de sanções contra a Coreia do Norte, impulsionadas pelos Estados Unidos e apoiadas por potências ocidentais.


Estimativas internacionais apontam que a Coreia do Norte possui dezenas de ogivas nucleares. O Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (SIPRI) informou que os nove Estados com armas nucleares possuíam 12.241 ogivas em janeiro de 2025. Segundo o instituto, Estados Unidos e Rússia concentram quase 90% desse arsenal mundial e conduzem programas de modernização nuclear há anos.


Kim Song afirmou ainda que a condição nuclear norte-coreana está “consagrada na Constituição”, incluindo os princípios para utilização de armas nucleares. O governo de Kim Jong Un sustenta há anos que o programa nuclear representa uma política “irreversível” diante da presença militar estadunidense na Península Coreana, das bases militares mantidas por Washington na Coreia do Sul e no Japão e das operações militares conjuntas conduzidas na região.


A posição apresentada por Pyongyang ocorre em meio à ampliação da cooperação militar entre Coreia do Norte e Rússia. O país enviou tropas terrestres e projéteis de artilharia para apoiar a operação militar russa na Ucrânia. Observadores internacionais afirmam que Moscou fornece assistência tecnológica militar em troca do apoio norte-coreano, incluindo cooperação em áreas relacionadas a satélites, mísseis e sistemas de defesa.


A discussão sobre armas nucleares ganhou dimensão internacional após a escalada militar promovida pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Teerã “jamais poderá possuir uma arma nuclear”, enquanto o governo iraniano sustenta que seu programa nuclear possui finalidade civil e exige o reconhecimento de seu direito ao enriquecimento de urânio previsto no TNP.


O Irã permanece signatário do tratado, ao contrário da Coreia do Norte, que abandonou o acordo há mais de duas décadas após confrontos com Washington. O governo norte-coreano utiliza o caso iraniano como exemplo do que considera seletividade das potências nucleares ocidentais, que mantêm arsenais atômicos enquanto pressionam outros países sob a bandeira da não proliferação.


A conferência de revisão do TNP ocorre em meio à deterioração do sistema internacional de controle nuclear, ao avanço de programas militares estratégicos e ao aumento das tensões entre potências nucleares. O tratado entrou em vigor em 1970 com o objetivo declarado de impedir a disseminação de armas nucleares, mas consolidou uma estrutura internacional em que Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França e China mantiveram arsenais atômicos legalmente reconhecidos enquanto impuseram restrições a outros países.

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