Caminhos seguros são essenciais para reduzir os riscos para os migrantes
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A Organização Internacional para as Migrações afirmou em relatório publicado em 5 de maio que políticas de restrição migratória não impedem deslocamentos populacionais e empurram milhões de pessoas para rotas clandestinas e trajetos de risco. O documento foi divulgado durante o Fórum Internacional de Revisão da Migração, realizado em Nova Iorque, e aponta que o fechamento de vias legais aumenta custos humanos, fortalece redes de exploração migratória e amplia despesas dos próprios Estados. A publicação surge em meio ao avanço de políticas de militarização de fronteiras promovidas por governos europeus e pelo aparato estadunidense de controle migratório, que transformaram deslocamentos humanos em tema central da segurança internacional e da repressão transnacional.

O Relatório Mundial sobre Migração 2026, elaborado pela Organização Internacional para as Migrações, reúne dados globais sobre fluxos migratórios, trabalho internacional, deslocamentos forçados e remessas financeiras enviadas por migrantes. Segundo a OIM, a publicação é produzida há mais de duas décadas e tem como objetivo orientar políticas públicas e debates internacionais sobre mobilidade humana.
A principal conclusão apresentada pela agência da ONU afirma que restringir canais legais de migração não interrompe o deslocamento populacional. O relatório sustenta que o fechamento de fronteiras e a limitação de rotas regulares deslocam migrantes para caminhos controlados por redes clandestinas e travessias de risco.
“Restringir a migração não impede as pessoas de se deslocarem. Muitas vezes, isso as leva a seguir rotas mais perigosas”, afirmou a OIM na apresentação do relatório.
Segundo os dados divulgados pela organização, existiam 304 milhões de migrantes internacionais em meados de 2024, número equivalente a 3,7% da população mundial. O relatório também registra crescimento do trabalho migrante em escala global, com aumento superior a 30 milhões de trabalhadores migrantes entre 2013 e 2022.
A porta-voz da OIM, Zoe Brennan, declarou que os migrantes participam diretamente das economias nacionais como trabalhadores, consumidores e empreendedores. “Os migrantes contribuem como trabalhadores, empreendedores e consumidores, e através das competências, da inovação e das ligações que trazem para além-fronteiras”, afirmou.
O relatório informa que as remessas enviadas por migrantes devem alcançar 905 bilhões de dólares em 2024. Desse total, 685 bilhões de dólares serão destinados a países de baixa e média renda. Segundo a OIM, o volume supera os fluxos combinados de ajuda oficial ao desenvolvimento e investimento estrangeiro direto direcionados a esses países.
A diretora-geral da Organização Internacional para as Migrações, Amy Pope, afirmou que políticas coordenadas entre Estados produzem resultados diferentes das estratégias baseadas apenas em repressão fronteiriça. “Em todo o mundo, a migração ajuda a impulsionar empregos, crescimento econômico, estabilidade e coesão social”, declarou.
O documento aponta que o acesso à migração regular permanece concentrado em países de maior renda, enquanto populações de países submetidos a crises econômicas, conflitos armados, sanções internacionais e degradação ambiental enfrentam limitações legais para circulação internacional. A OIM sustenta que não existe uma única dinâmica migratória global, já que os padrões variam entre regiões e contextos políticos.
O relatório também registra crescimento recorde do deslocamento forçado. Até o fim de 2024, mais de 120 milhões de pessoas estavam deslocadas em todo o mundo, incluindo refugiados, solicitantes de asilo e deslocados internos. Segundo a OIM, 83,4 milhões dessas pessoas foram deslocadas dentro de seus próprios países, maior número já registrado pela organização.
A publicação relaciona os deslocamentos a guerras, ocupações militares, pressão ambiental, pobreza estrutural e crises prolongadas. O relatório menciona que parte dessas situações exige respostas de longo prazo combinando assistência humanitária e programas de desenvolvimento.
O aumento das migrações ocorre paralelamente à expansão de mecanismos de vigilância de fronteiras conduzidos por potências ocidentais e alianças militares. Nos últimos anos, governos europeus ampliaram acordos com países africanos para contenção de fluxos migratórios antes da chegada ao Mediterrâneo, enquanto os Estados Unidos mantiveram estruturas de deportação, detenção e militarização da fronteira com o México.
A OIM alertou que os benefícios econômicos e sociais da migração estão ameaçados pelo fechamento de rotas legais. Segundo o relatório, a redução de canais regulares aumenta travessias marítimas clandestinas, deslocamentos em desertos e utilização de rotas controladas por redes de tráfico humano.
“Garantir vias seguras e regulares e fortalecer a cooperação regional são medidas concretas que ajudam os países a gerir a migração de forma mais eficaz”, afirmou Zoe Brennan.
O relatório defende expansão de vias migratórias regulares, redução dos custos de remessas internacionais, fortalecimento da mobilidade profissional e ampliação da cooperação regional entre Estados. A OIM também reivindica produção de dados migratórios e formulação de políticas públicas baseadas em evidências estatísticas.
A publicação foi divulgada durante o Fórum Internacional de Revisão da Migração realizado em Nova Iorque sob coordenação das Nações Unidas.



































