Grupos pró-Palestina se mobilizam para marcha do Dia da Nakba em Londres
- www.jornalclandestino.org

- há 21 horas
- 3 min de leitura
Organizações pró-Palestina e grupos antirracistas da Grã-Bretanha convocaram uma marcha em Londres para 16 de maio, data do 78º aniversário da Nakba palestina. O protesto ocorrerá no mesmo dia de uma manifestação da extrema-direita liderada por Tommy Robinson, ativista anti-islâmico britânico. Os dois atos foram autorizados pela Polícia Metropolitana após negociações separadas com os organizadores.

A Coalizão Palestina informou que chegou a um acordo com a polícia para realizar uma caminhada de aproximadamente quatro quilômetros entre South Kensington, região onde está localizada a embaixada de Israel, e Pall Mall, próximo ao centro administrativo e parlamentar do Reino Unido. O trajeto foi definido após negociações concluídas na última quinta-feira entre representantes da campanha e autoridades policiais de Londres.
O protesto marcará os 78 anos da Nakba, termo usado para designar a expulsão e o deslocamento em massa da população palestina durante a criação do Estado de Israel em 1948. Desde outubro de 2023, mobilizações relacionadas à Palestina cresceram no Reino Unido em resposta ao genocídio conduzido por Israel contra Gaza, tema que passou a ocupar espaço nas disputas políticas britânicas e nas ruas de Londres.
No mesmo dia, Tommy Robinson realizará uma manifestação da extrema-direita sob o lema “Unite the Kingdom, Unite the West” (“Unir o Reino, unir o Ocidente”). Segundo os organizadores, o ato partirá de Euston até a Praça do Parlamento, passando por Downing Street, sede do governo britânico. Robinson tornou-se uma das principais figuras da extrema-direita britânica associada a campanhas anti-imigração e discursos contra muçulmanos.
A Polícia Metropolitana determinou que a Trafalgar Square permanecerá fechada durante todo o dia para impedir concentração simultânea dos dois atos. Pelos termos do acordo firmado com os organizadores, os pontos iniciais das manifestações estarão separados por mais de 5,5 quilômetros, enquanto os pontos finais ficarão a mais de 1,5 quilômetro de distância.
Peter Leary, vice-diretor da Campanha de Solidariedade à Palestina, declarou ao jornal The New Arab que o entendimento firmado com a polícia ampliou a coordenação entre a Coalizão Palestina e a organização Stand Up To Racism para aumentar a presença popular na mobilização da Nakba. A Polícia Metropolitana também confirmou ao veículo britânico a existência do acordo com os organizadores das manifestações.
Os organizadores da marcha pró-Palestina definiram dois slogans centrais para o protesto: “Justiça para a Palestina” e “Unidos contra Tommy Robinson e a extrema-direita”. A Coalizão Palestina informou que ônibus sairão de 21 cidades da Inglaterra para transportar participantes até Londres.
Em comunicado, a Campanha de Solidariedade à Palestina convocou manifestações contra “a extrema-direita na Grã-Bretanha que glorifica o racismo e a brutalidade de Israel”. O grupo declarou: “Nossa união e solidariedade são mais fortes do que o ódio e a divisão deles”.
A Coalizão Pare a Guerra afirmou que o ato reunirá palestinos e apoiadores da “liberdade e justiça de todas as idades e origens”. Segundo a organização, “estaremos ombro a ombro em Londres e mostraremos que a união e a solidariedade prevalecerão”.
A organização Stand Up To Racism convocou apoiadores em toda a Grã-Bretanha para participar da marcha e declarou que a manifestação exigirá “o fim da cumplicidade da Grã-Bretanha nos crimes de Israel”. O grupo também reafirmou apoio aos “direitos inalienáveis do povo palestino, incluindo o direito dos refugiados de retornarem às suas casas”.
No comunicado, a organização convocou “todos os que se opõem ao racismo e ao fascismo e todas as pessoas de consciência” a participarem da mobilização contra “o racismo, a extrema-direita e todas as formas de ódio, incluindo islamofobia e antissemitismo”.
A questão palestina também entrou no centro das eleições locais britânicas de 2026, marcadas para esta quinta-feira. Campanhas de solidariedade passaram a pressionar candidatos para assinarem o chamado “Compromisso com a Palestina”, documento promovido pela iniciativa “Vote na Palestina 2026”.
O compromisso exige que candidatos adotem medidas para “proteger os direitos do povo palestino”, “responsabilizar Israel por crimes como genocídio e apartheid” e impedir participação de administrações locais em ações ligadas ao Estado israelense. Entre as propostas defendidas pela campanha estão o desinvestimento de fundos de pensão municipais em empresas vinculadas a Israel ou que operam em assentamentos israelenses nos territórios palestinos ocupados.
Os organizadores divulgaram uma lista nacional com 2.148 candidatos que aderiram ao compromisso, número equivalente a cerca de 9% do total de candidatos das eleições locais britânicas de 2026. Ao todo, 25.046 candidatos disputam 5.066 cadeiras em 136 conselhos locais da Inglaterra, incluindo 32 conselhos de Londres.
Pesquisas eleitorais indicam possibilidade de perdas para o Partido Trabalhista do primeiro-ministro Keir Starmer, principalmente em Londres, em meio à insatisfação com promessas eleitorais não cumpridas e críticas à posição do governo britânico sobre o genocídio em Gaza. As projeções também apontam redução do apoio ao Partido Conservador, com crescimento do partido Reform UK e do Partido Verde da Inglaterra e do País de Gales.



































