Força-tarefa federal destrói 23 bunkers usados pelo garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé
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A força-tarefa federal instalada na Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso, destruiu 23 bunkers usados por redes de garimpo ilegal para esconder equipamentos e manter estruturas de exploração de ouro dentro do território do povo Nambikwara. Dados divulgados pela Casa Civil em 6 de maio apontam prejuízo estimado em R$ 63 milhões aos grupos que operavam na região, incluindo a apreensão e destruição de geradores, motores, explosivos e combustível. A operação reúne agentes da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Força Nacional, Exército, Ibama e Funai, em uma ofensiva que expõe a permanência de cadeias econômicas ligadas à mineração ilegal em terras indígenas da Amazônia Legal.

Segundo a Casa Civil, os bunkers foram identificados durante incursões realizadas ao longo do primeiro mês da operação de desintrusão na Terra Indígena Sararé. As estruturas subterrâneas eram utilizadas para ocultar equipamentos e garantir permanência prolongada de garimpeiros dentro do território indígena após ações de fiscalização do Estado brasileiro. Técnicos das equipes federais relataram que os maiores abrigos mediam cerca de cinco metros de comprimento, dois metros de largura e 1,80 metro de altura, enquanto os menores tinham aproximadamente dois metros de comprimento, um metro de largura e a mesma altura.
Em comunicado divulgado pela Agência Gov, um dos técnicos responsáveis pela catalogação dos materiais encontrados afirmou: “Foram encontrados alimentos, freezers e equipamentos diversos, como motosserras, além de outros materiais empregados na atividade de garimpo. Os bunkers não possuíam sistema de ventilação e não foi identificado qualquer tipo de sinal de comunicação, incluindo internet”.
As equipes envolvidas na operação apontaram que as construções indicavam planejamento prévio e tentativa de manutenção da atividade ilegal mesmo após operações de retirada. De acordo com os agentes federais, a presença de alimentos, combustível e equipamentos demonstra uso contínuo dos esconderijos como base logística para exploração de ouro dentro da terra indígena. Os técnicos também registraram deterioração de mantimentos, indicando abandono recente após o avanço das ações federais.
O principal ponto de exploração identificado pelas equipes foi o Garimpo do Cururu, apontado pela operação como o maior núcleo de atividade ilegal dentro da Terra Sararé. Em uma das incursões, agentes localizaram um gerador de grande porte avaliado em R$ 100 mil, com potência entre 100 e 225 kVA. Técnicos estimaram que o equipamento tinha capacidade para fornecer energia elétrica a cerca de 100 barracos utilizados pelos garimpeiros. Em uso misto, o gerador também poderia abastecer freezers para armazenamento de alimentos e guinchos empregados em escavações subterrâneas.
Os dados divulgados pela Casa Civil indicam que, após um mês de operação contínua, as equipes apreenderam ou destruíram 190 geradores, 441 motores de garimpo e 971 quilos de emulsões explosivas e outros materiais explosivos. Mais de 90 mil litros de diesel também foram retirados de circulação. O governo federal informou que a operação não possui data para encerramento.
A Terra Indígena Sararé pertence ao povo Nambikwara e possui população registrada de 201 indígenas, segundo os dados citados pela Agência Gov. A presença de estruturas permanentes de mineração ilegal dentro do território evidencia a continuidade de cadeias de extração mineral articuladas com redes de financiamento, transporte de combustível e comércio clandestino de ouro que operam sobre áreas indígenas e ambientais da Amazônia Legal, apesar de sucessivas operações federais realizadas nos últimos anos.
A expansão do garimpo ilegal em terras indígenas foi impulsionada durante o governo de Jair Bolsonaro, período marcado pelo desmonte de estruturas de fiscalização ambiental, paralisação de demarcações indígenas e avanço político de setores ligados à mineração e ao agronegócio sobre territórios protegidos. Organizações indígenas e órgãos ambientais registraram crescimento da presença de máquinas, pistas clandestinas e grupos armados em diferentes regiões da Amazônia desde 2019.
A operação em Sararé ocorre em meio ao aumento da pressão sobre rotas de circulação de ouro ilegal em Mato Grosso, estado que concentra parte da cadeia de comercialização mineral associada a áreas de extração clandestina. Relatórios de órgãos ambientais e investigações da Polícia Federal apontam que parte do ouro retirado ilegalmente de terras indígenas é incorporada ao mercado formal por meio de esquemas de lavagem documental e triangulação comercial.
A Casa Civil declarou que a operação continuará até que “a segurança e o usufruto da terra sejam resguardados”, segundo nota divulgada pelo governo federal em 6 de maio.



































