Cúpula Jordânia-Chipre-Grécia: a solução de dois Estados é o único caminho para uma paz
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Jordânia, Chipre e Grécia declararam em Amã que a criação de um Estado palestino é “o único caminho para uma paz justa e duradoura”. O comunicado foi divulgado em 6 de maio durante a quinta Cúpula Trilateral entre os três países, em meio à continuidade do genocídio israelense contra a população palestina em Gaza e à expansão das colonizações na Cisjordânia ocupada. Enquanto os governos europeus reiteram apoio formal à solução de dois Estados, forças israelenses mantêm operações militares, demolições, ataques contra civis e expansão territorial sob proteção diplomática das potências ocidentais.

A reunião ocorreu na capital jordaniana entre o rei Abdullah II, o presidente cipriota Nikos Christodoulides e o primeiro-ministro grego Kyriakos Mitsotakis. O texto final reafirmou que “a implementação da solução de dois Estados, para que um Estado palestino independente e soberano em território nacional palestino possa viver em paz e segurança lado a lado com Israel, com base no direito internacional e nas resoluções pertinentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, é o único caminho para uma paz justa e duradoura”.
O comunicado condenou “todas as medidas unilaterais ilegais de Israel na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental, que prejudicam a solução de dois Estados”. Os três governos também declararam que os assentamentos israelenses em território palestino ocupado são ilegais segundo o direito internacional e defenderam “a necessidade de interromper toda a atividade de assentamento, a confiscação de terras e a escalada da violência extremista dos colonos contra os palestinos”.
Os líderes rejeitaram “todas as tentativas e medidas de anexação da Cisjordânia ocupada ou de qualquer parte dela” e declararam oposição “a qualquer deslocamento do povo palestino”. A referência ocorre em meio às declarações de autoridades israelenses defendendo expulsões em massa de palestinos da Faixa de Gaza e da Cisjordânia ocupada desde o início do genocídio iniciado em outubro de 2023.
O texto também abordou Jerusalém ocupada. Os três governos defenderam “a necessidade de manter o status histórico e legal nos locais sagrados muçulmanos e cristãos de Jerusalém e de permitir o acesso seguro a esses locais”. Chipre e Grécia reafirmaram apoio à custódia hachemita jordaniana sobre os locais religiosos islâmicos e cristãos da cidade.
A declaração pediu “a plena implementação do plano abrangente do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para Gaza e da Resolução 2803 do Conselho de Segurança das Nações Unidas”. O comunicado afirmou que o objetivo seria “pôr fim à grave crise humanitária, criar condições para recuperação e reconstrução e estabelecer um caminho para a autodeterminação e a formação de um Estado palestino”.
O documento também exigiu “fluxo contínuo, suficiente, seguro e irrestrito de assistência humanitária para a Faixa de Gaza”. Organizações humanitárias e agências da ONU denunciam desde 2023 o bloqueio israelense à entrada de alimentos, água, medicamentos e combustível no território palestino sitiado.
Os três governos destacaram o papel da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo, UNRWA, responsável pela assistência a milhões de refugiados palestinos em Gaza, Cisjordânia, Líbano, Síria e Jordânia. O comunicado afirmou que a agência possui “papel indispensável” e condenou “quaisquer medidas que obstruam ou prejudiquem sua capacidade de cumprir seu mandato”.
A declaração foi divulgada enquanto forças israelenses ampliavam operações militares na Cisjordânia ocupada e em Gaza. Segundo a agência palestina WAFA, em 7 de maio forças israelenses invadiram a cidade de Burqin, a oeste de Jenin, saquearam casas e fecharam lojas comerciais. No mesmo dia, estudantes palestinos sofreram asfixia após ação militar israelense contra uma escola perto de Ramallah.
Também em 7 de maio, três palestinos ficaram feridos em ataques de colonos israelenses ao sul de Hebron e no norte do Vale do Jordão. Colonizadores armados danificaram plantações agrícolas e perseguiram pastores palestinos em Masafer Yatta, área alvo de operações militares e expansão colonial israelense nos últimos anos.
A WAFA informou ainda que tratores israelenses demoliram estufas agrícolas e estruturas de armazenamento de água no norte do Vale do Jordão e a leste de Belém. Colonos israelenses instalaram uma tenda em terras palestinas próximas de Nablus, medida utilizada em diversos casos como etapa inicial para novas ocupações territoriais apoiadas pelo aparato militar israelense.
Na Faixa de Gaza, a agência palestina reportou a morte de três palestinos e vários feridos após ataques israelenses a oeste da Cidade de Gaza. O genocídio conduzido por Israel desde outubro de 2023 provocou destruição de hospitais, escolas, campos de refugiados, universidades e redes de abastecimento civil, enquanto governos europeus e o governo estadunidense mantêm apoio diplomático, militar e financeiro às operações israelenses.



































