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Darfur: crianças isoladas expõem colapso humanitário no Sudão

Alcançar uma única criança em Darfur pode levar dias de negociações, autorizações de segurança e deslocamentos por linhas de frente instáveis, informou a UNICEF em 30 de janeiro de 2026. Em coletiva em Genebra, a chefe de comunicação da agência, Eva Hinds, descreveu uma resposta humanitária “árdua e delicada” após missão de dez dias no oeste do Sudão. A região permanece devastada por quase três anos de confrontos entre forças militares rivais que disputam o controle do país. Segundo a UNICEF, as crianças sobrevivem “à beira” em meio à insegurança, à fome e ao deslocamento em massa.


SUDÃO DO SUL ©UNICEF
SUDÃO DO SUL ©UNICEF

Hinds afirmou que “hoje em Darfur, alcançar uma única criança pode levar dias de negociação, autorizações de segurança e viagens por estradas de areia sob linhas de frente em constante mudança”, ressaltando que “nada nesta crise é simples: cada movimento é uma conquista árdua, cada entrega é frágil”. O quadro resulta de uma guerra civil prolongada que desestruturou o Estado sudanês e desestabilizou países vizinhos, enquanto civis ficam presos entre forças armadas concorrentes.

No norte de Darfur, em Tawila, a representante da UNICEF descreveu uma cidade improvisada erguida pelo medo. Entre 500 mil e 600 mil pessoas vivem em abrigos feitos de galhos, palha e lonas plásticas, após fugirem da violência. “Parecia uma cidade inteira desenraizada e reconstruída por necessidade e medo”, relatou.


Apesar das restrições de acesso e da insegurança, a operação humanitária segue ativa. Em duas semanas, mais de 140 mil crianças foram vacinadas, milhares receberam tratamento contra doenças e desnutrição, o acesso à água potável foi restabelecido para dezenas de milhares de pessoas e salas de aula temporárias foram abertas. Para a UNICEF, esse esforço “precário” define “a tênue linha entre serem abandonadas e serem alcançadas”.


As consequências humanas aparecem em relatos diretos coletados no terreno. Em centros de nutrição e proteção, mães disseram não ter comida, cobertores ou roupas quentes para os filhos. “As crianças estão congelando”, afirmou uma delas. Hinds concluiu que “o que testemunhei foi uma catástrofe humanitária se desenrolando em uma escala gigantesca” e advertiu que, sem atenção internacional imediata, “os horrores enfrentados pelos mais jovens e vulneráveis do país só irão se agravar”.

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