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Eixo da Resistência lamenta martírio de Khamenei e promete retaliação

O Hamas confirmou neste domingo a morte do aiatolá Ali Khamenei após ataque militar conjunto dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Em comunicado oficial, o movimento responsabilizou diretamente Washington e Tel Aviv pelo que classificou como “agressão flagrante” e “crime odioso contra a soberania da República Islâmica do Irã”. O governo iraniano decretou luto oficial de 40 dias e sete dias de feriado nacional. A televisão estatal iraniana anunciou a morte durante a madrugada, com um apresentador visivelmente emocionado em rede nacional.



Em nota pública, o Hamas declarou:

“Nós, no seio do Hamas, lamentamos o desaparecimento do ayatollah Ali Khamenei. Os Estados Unidos e o governo da ocupação fascista [Israel] assumem inteira responsabilidade por esta agressão flagrante e por este crime odioso contra a soberania da República Islâmica do Irão, bem como pelas suas graves repercussões na segurança e na estabilidade da região”.

O movimento ainda condenou o que chamou de “traiçoeira e brutal agressão sionista-americana” e cobrou “medidas urgentes” da comunidade internacional para conter os “crimes” cometidos pelos governos estadunidense e israelense.


A Jihad Islâmica, aliada do Hamas durante o genocídio contra a população palestina iniciado em 7 de outubro de 2023, classificou a morte de Khamenei como “crime de guerra” decorrente de um “ataque traiçoeiro e mal-intencionado”. No Líbano, o Hezbollah também rompeu o silêncio mantido desde o início da ofensiva e prometeu reação. Em comunicado assinado por Naim Qassem, o grupo afirmou:

“Cumpriremos o nosso dever enfrentando a agressão”, acrescentando que, “quaisquer que sejam os sacrifícios, não abandonaremos [...] o campo da resistência”.

No Iêmen, o movimento Ansar Allah lamentou o “assassinato” do líder iraniano e declarou que seu legado “inspirará uma resistência contínua contra os Estados Unidos e Israel”. O Conselho Político Supremo do grupo afirmou ter recebido “com profundo pesar e dor” a notícia do “martírio do líder da Revolução Islâmica”, descrevendo o ataque como “crime atroz” e “violação flagrante de todas as leis e normas internacionais”. Segundo o comunicado,

“o sangue dos mártires não será em vão” e a morte de Khamenei “aumentará a força e a determinação do povo iraniano”.

Durante os dois anos de genocídio imposto por Israel contra Gaza, o Ansar Allah lançou mísseis e drones contra território israelense e atacou navios comerciais no mar Vermelho e no estreito de Bab el-Mandeb, alegando agir em apoio aos palestinos. Posteriormente, o grupo firmou entendimento com Washington para suspender ataques à navegação após uma campanha de bombardeios determinada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mantendo desde então postura militar mais contida. Até o momento, o Ansar Allah não indicou se retomará operações no mar Vermelho após a morte de Khamenei.


O ataque contra o Irã foi confirmado no sábado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que declarou que a operação tinha como objetivo “eliminar ameaças iminentes” do governo iraniano. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, classificou a ação conjunta como necessária para conter uma “ameaça existencial”. Teerã respondeu com o lançamento de mísseis e drones contra bases militares estadunidenses na região e contra alvos israelenses, ampliando o risco de uma conflagração regional aberta.


Khamenei há 36 anos era a principal autoridade política e religiosa do Irã desde 1989. Sua morte em uma ofensiva militar estrangeira representa um marco na escalada entre Teerã, Washington e Tel Aviv, aprofundando a instabilidade regional em um momento já marcado pelo genocídio em Gaza e pela expansão das operações militares israelenses no Oriente Médio. A responsabilização direta dos Estados Unidos por forças políticas alinhadas ao eixo da resistência indica que a crise ultrapassa o terreno retórico e projeta novas fases de enfrentamento.



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