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Entidades Palestinas Condenam Acordo Tripartite EUA-Israel-Síria e Alertam para "Liquidação" da Causa Palestina

Atualizado: há 4 horas

Nesta quinta-feira (08/01/2026), o Comitê Nacional Palestino para o Boicote a Israel e a liderança global do movimento BDS condenaram veementemente uma declaração conjunta dos governos dos Estados Unidos, de Israel e da Síria. O acordo, que estabelece um caminho para a normalização de relações e coordenação em segurança e comércio, foi classificado pelas entidades em Ramallah, na Palestina Ocupada, como uma traição à soberania síria e aos direitos palestinos, servindo aos interesses da hegemonia EUA-Israel na região.

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos; Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel; Abu Mohammad al-Jolani, líder do Hayat Tahrir al-Sham (HTS) e chefe do chamado “Governo da Salvação” na Síria. ©CLANDESTINO
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos; Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel; Abu Mohammad al-Jolani, líder do Hayat Tahrir al-Sham (HTS) e chefe do chamado “Governo da Salvação” na Síria. ©CLANDESTINO

Em comunicado divulgado, as entidades palestinas classificaram a declaração, resultante de uma reunião tripartite com mediação americana, como uma "concessão flagrante" e uma normalização que prejudica diretamente a soberania da Síria e a causa palestina. O texto estabelece um "mecanismo de integração conjunta", incluindo uma célula permanente para coordenação de segurança, inteligência, compartilhamento de informações e engajamento diplomático-comercial, sob supervisão direta dos Estados Unidos.


Segundo as organizações, este mecanismo constitui uma "cumplicidade oficial" com o que chamam de crimes do "regime colonial de assentamentos e apartheid israelense", em especial o genocídio em Gaza, e uma legitimação indireta da ocupação israelense das Colinas de Golã, anexadas desde 1967. O comitê acusou o acordo de ignorar a ocupação de novos territórios sírios e de recompensar a agressão israelense, que violou o acordo de desengajamento de 1974.


O comunicado citou que, apenas no último ano, Israel lançou mais de 600 ataques em território sírio, com incursões diárias nas províncias de Quneitra, Daraa, Damasco e Suwaida, além de assassinatos, prisões sistemáticas e destruição de propriedades. A declaração do Departamento de Estado americano, que fala em "respeito à soberania da Síria", foi vista como uma cortina de fumaça para perpetuar a ocupação, em vez de forçar uma retirada incondicional de Israel de todos os territórios sírios ocupados.


Para as lideranças do boicote, o acordo não representa uma desescalada, mas uma "perigosa escalada" da normalização árabe, sendo uma extensão dos Acordos de Abraão. O objetivo final, afirmam, é "liquidar" o direito sírio sobre Golã e a causa palestina, entregando a região à hegemonia americano-sionista. O texto também relacionou o fato a um incentivo para a continuação de agressões israelenses contra povos da região, incluindo libaneses, iemenitas do movimento Ansar Allah, iraquianos, tunisianos e catarianos.


O documento final fez um apelo para que todas as forças populares e civis na Síria e no mundo árabe rejeitem o que chamam de "acordo de concessões" e resistam a ele por meios pacíficos. A orientação é intensificar campanhas abrangentes de boicote econômico, comercial, cultural e acadêmico a Israel, até que haja a retirada de todos os territórios árabes ocupados e a concessão dos direitos plenos e inalienáveis ao povo palestino, incluindo o direito de retorno e à autodeterminação. O comunicado surge em um contexto regional tenso, que inclui também o recente sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, conforme denunciado por Caracas.

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