Groenlândia rejeita as migalhas de Trump e afirma sua soberania
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A Groenlândia recusou oficialmente a oferta do governo estadunidense de enviar um navio-hospital ao território ártico, anunciada em 22 de fevereiro de 2026 pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A resposta foi divulgada em 24 de fevereiro pelo primeiro-ministro da ilha, Jens-Frederik Nielsen, por meio de publicação em rede social. O governo local afirmou que a população já possui acesso universal e gratuito à saúde pública, rejeitando a justificativa humanitária apresentada por Washington. A negativa ocorre em meio a reiteradas declarações estadunidenses sobre a intenção de controlar o território, pertencente ao Reino da Dinamarca. O episódio reforça a disputa geopolítica no Ártico, região estratégica para recursos naturais e sistemas militares.

“Daqui, não, obrigado (...) No nosso país temos um sistema público de saúde onde o tratamento é gratuito para todos os cidadãos”, escreveu Nielsen em sua conta oficial no Facebook na segunda-feira (23). Ele acrescentou que, ao contrário da Groenlândia, “este não é o caso nos Estados Unidos, onde ir ao médico custa dinheiro”, numa crítica direta ao modelo de saúde estadunidense.
A oferta de envio de um navio-hospital havia sido anunciada por Trump no sábado (22), com a alegação de que serviria para “cuidar das muitas pessoas que estão doentes e não estão recebendo cuidados médicos”. A declaração foi contestada pelas autoridades groenlandesas e dinamarquesas, que classificaram a iniciativa como desnecessária e politicamente motivada.
O ministro da Defesa da Dinamarca, Troels Lund Poulsen, afirmou à imprensa que “a população da Groenlândia recebe os cuidados de saúde de que precisa (...) uma iniciativa especial de saúde na Groenlândia não é necessária”. O governo dinamarquês tem reiterado que o território não está à venda e que decisões sobre cooperação internacional devem respeitar a soberania local.
Nielsen também declarou que a Groenlândia está aberta ao “diálogo e à colaboração”, mas advertiu que os Estados Unidos devem “falar conosco agora, em vez de apenas lançarem declarações precipitadas nas redes sociais”. A fala indica desconforto com a condução unilateral da política externa estadunidense em relação à ilha.
A insistência de Trump em reivindicar a Groenlândia se repete desde seu primeiro mandato e está diretamente ligada à posição geográfica do território entre a América do Norte e a Europa, considerada estratégica para sistemas de defesa antimísseis e monitoramento militar do Ártico. Além disso, a ilha concentra reservas de petróleo, gás e minerais de terras raras — insumos essenciais para a indústria tecnológica e militar contemporânea.
O episódio revela, mais uma vez, a lógica de projeção de poder estadunidense sobre regiões consideradas estratégicas, utilizando discursos humanitários como porta de entrada para interesses militares e econômicos. Ao rejeitar a proposta, a Groenlândia reafirma sua autonomia política e expõe a contradição entre a retórica assistencial e a disputa por recursos e controle territorial no Ártico.




















































