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Petro reafirma a disposição da Colômbia em ajudar Cuba

O presidente colombiano Gustavo Petro ordenou o envio imediato do excedente de arroz da Colômbia para Cuba diante do endurecimento das medidas coercitivas impostas pelos Estados Unidos contra a ilha. A decisão foi anunciada no domingo, 25 de maio de 2026, após a divulgação da chegada de 15 mil toneladas de arroz doadas pela China ao governo cubano. Petro voltou a denunciar ameaças de intervenção militar contra Cuba e afirmou que Washington busca intimidar a América Latina por meio de pressão econômica e política.



Gustavo Petro
Gustavo Petro

A ordem de Petro foi divulgada por meio da rede social X. O presidente colombiano determinou que integrantes de seu gabinete executem “com urgência” a compra de todo o excedente de arroz produzido no país para envio à ilha caribenha. A medida ocorre em meio ao agravamento da crise econômica cubana, atingida por sanções econômicas estadunidenses, restrições financeiras e obstáculos comerciais impostos por Washington.


A decisão do governo colombiano surgiu após Petro compartilhar uma publicação da embaixadora da China em Cuba, Hua Xin, mostrando o desembarque de 15 mil toneladas de arroz doadas pelo governo chinês. O carregamento foi entregue em portos cubanos como parte da cooperação entre Pequim e Havana em meio à intensificação do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos.

Na publicação, Petro declarou que não aceitará “funcionários preguiçosos ou medrosos” diante da necessidade de garantir alimentos à população cubana. O presidente colombiano reafirmou que sua política externa manterá relações de cooperação com países submetidos a medidas coercitivas estadunidenses.


O embaixador cubano na Colômbia, Carlos de Céspedes, agradeceu publicamente a iniciativa do governo colombiano. Em mensagem divulgada na rede X, o diplomata afirmou: “Obrigado pela solidariedade nestes tempos difíceis para a ilha”. Ele também denunciou “a ganância que busca sufocar um povo nobre” e afirmou que Cuba segue defendendo sua soberania diante do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos há mais de seis décadas.


A medida anunciada por Petro amplia ações de cooperação bilateral entre Bogotá e Havana iniciadas nos últimos meses. Em abril de 2026, o presidente colombiano declarou que seu governo preparava uma primeira entrega de painéis solares para Cuba, país atingido por dificuldades no sistema energético após restrições à importação de combustíveis, equipamentos e peças industriais vinculadas ao bloqueio estadunidense.


No início de maio, Petro rejeitou ameaças estadunidenses de intervenção militar em Cuba. O presidente colombiano afirmou que qualquer ataque contra a ilha representaria “uma agressão militar direta contra toda a América Latina”. A declaração ocorreu após novas medidas coercitivas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra Havana.


O governo Trump ampliou sanções econômicas contra Cuba em maio de 2026 por meio de ordens executivas voltadas ao sistema financeiro, comércio internacional e circulação de combustíveis. O governo cubano afirma que as medidas afetam importações de alimentos, medicamentos, peças industriais e combustíveis necessários ao funcionamento da infraestrutura energética nacional.


Petro também voltou a defender o desenvolvimento científico cubano durante discursos recentes na Universidade Nacional da Colômbia. O presidente colombiano afirmou que Cuba “merece reconhecimento e apoio internacional” por sua trajetória em saúde pública, educação e produção científica.


Durante a intervenção, Petro recordou a resposta cubana à pandemia de Covid-19 e declarou que Cuba foi “a única sociedade da América Latina e do Caribe capaz de desenvolver rapidamente uma vacina eficaz contra a Covid-19”. Segundo o presidente colombiano, um país capaz de responder a uma emergência sanitária dessa dimensão “deve ser ajudado e não ameaçado com invasões ou bombardeios”.


O presidente cubano Miguel Díaz-Canel respondeu às declarações de Petro também pela rede X. O mandatário afirmou que “tantas vozes não podem estar equivocadas” e declarou que Cuba “jamais será uma ameaça”. Díaz-Canel agradeceu o apoio internacional e denunciou aquilo que classificou como “castigo coletivo” imposto pelos Estados Unidos contra a população cubana.


O presidente cubano afirmou ainda que a política de “máxima pressão” promovida por setores do governo estadunidense busca criar uma narrativa de colapso interno para justificar ações de intervenção militar contra a ilha. “Cuba não está sozinha”, escreveu Díaz-Canel.


O Ministério das Relações Exteriores de Cuba também divulgou mensagem de agradecimento ao governo colombiano. A chancelaria cubana denunciou “as pretensões de asfixiar um povo que defende sua soberania” e afirmou que a solidariedade internacional representa resposta política às tentativas de isolamento promovidas por Washington.


A reportagem foi publicada inicialmente pela rede Telesur TV e reproduzida pelo portal cubano Cubadebate em 25 de maio de 2026.

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