O Irã reconhece o progresso nas negociações com Washington, mas descarta um acordo iminente
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O governo iraniano afirmou em 25 de maio de 2026 que houve avanço nas negociações com os Estados Unidos, mas descartou a possibilidade de um acordo imediato com Washington. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, declarou que a condução da política externa estadunidense segue marcada por “hesitação institucionalizada” e mudanças constantes de posição. As declarações foram feitas à imprensa iraniana após semanas de negociações mediadas pelo Paquistão e acompanhadas por governos da região.

Baghaei afirmou que “embora seja verdade que chegamos a uma conclusão sobre muitas das questões em discussão, sugerir que isso significa que a assinatura do acordo é iminente não é uma afirmação que se possa fazer”. O porta-voz atribuiu a ausência de um entendimento definitivo à instabilidade das decisões em Washington, denunciando que o governo estadunidense altera posições durante o processo de negociação.
“Estamos testemunhando suas frequentes mudanças de posição”, declarou o representante iraniano. Segundo ele, “esse processo mina qualquer diálogo”, numa referência ao histórico de rupturas promovidas por Washington em acordos internacionais, incluindo a retirada unilateral estadunidense do Plano de Ação Conjunto Global em 2018, durante o primeiro mandato de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos.
As negociações entre Teerã e Washington foram retomadas após semanas de contatos indiretos mediados pelo Paquistão. Baghaei afirmou que os avanços registrados nos últimos dias também envolveram esforços diplomáticos de outros países da região, sem citar quais governos participaram das conversas. O Irã mantém a posição de que qualquer entendimento deve respeitar sua soberania nacional e não pode incluir mecanismos de pressão política ou militar impostos por Washington.
“Assim como agimos com autoridade no campo de batalha, também conduziremos a diplomacia com os olhos bem abertos, baseando-nos em experiências passadas para salvaguardar os interesses nacionais do Irã”, declarou Baghaei. A fala ocorreu em meio à continuidade das tensões entre Teerã e Washington no Golfo Pérsico, região atravessada por disputas energéticas e pela presença militar estadunidense em bases instaladas em países aliados.
No mesmo dia, comentários publicados no portal cubano Cubadebate mencionaram divergências sobre a gestão do Estreito de Ormuz, rota marítima por onde passa parte do petróleo exportado mundialmente. Uma leitora identificada como Amaya afirmou que o Irã retirou do memorando de entendimento com os Estados Unidos qualquer discussão sobre o controle do estreito. Segundo ela, o Ministério das Relações Exteriores iraniano declarou que “questões relativas à gestão do estreito serão resolvidas pelos Estados costeiros”.
A comentarista também afirmou que “nenhuma pressão ou chantagem será usada contra o Irã”, acrescentando que Teerã busca acordos que “não prejudiquem sua independência e soberania”. Outro comentário publicado pelo site resumiu a percepção presente em setores políticos latino-americanos sobre as negociações com Washington: “Não se pode confiar no imperialismo, nem um pouco”.
A notícia foi publicada originalmente pelo portal cubano Cubadebate em 25 de maio de 2026, com informações reproduzidas da RT em Espanhol.



































