Irã abate drone dos EUA e alerta contra violações do cessar-fogo
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O Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica anunciou em 26 de maio o abatimento de um drone MQ-9 Reaper estadunidense sobre o Golfo Pérsico após violação do espaço aéreo iraniano. O comunicado também informou que unidades iranianas dispararam contra um drone RQ-4 Global Hawk e um caça F-35, forçando as aeronaves a deixar o território iraniano. O episódio ocorreu um dia após ataques militares estadunidenses contra áreas próximas a Bandar Abbas, ampliando a tensão regional em meio ao cessar-fogo rompido pelas forças de Washington.

Em comunicado divulgado por seu Departamento de Relações Públicas, o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica afirmou que “forças militares terroristas” dos Estados Unidos penetraram o espaço aéreo iraniano sobre as águas do Golfo Pérsico durante ações classificadas por Teerã como parte do “aventureirismo intervencionista” estadunidense na Ásia Ocidental.
Segundo o comunicado, unidades de defesa aérea iranianas realizaram monitoramento de inteligência antes de interceptar e destruir o drone MQ-9 Reaper. O equipamento abatido é utilizado pelas forças armadas estadunidenses em operações de vigilância, reconhecimento e ataques de precisão em regiões como Iraque, Síria, Afeganistão, Iêmen e Somália, países marcados por décadas de operações militares conduzidas por Washington sob o discurso de “combate ao terrorismo”.
O Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica informou ainda que sistemas de defesa dispararam contra um drone de vigilância RQ-4 Global Hawk e um caça furtivo F-35 após entrada no espaço aéreo iraniano. Segundo a nota, ambas as aeronaves recuaram e deixaram a área após a resposta militar iraniana.
“O Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica considera a retaliação e os ataques recíprocos um direito legítimo e inalienável”, declarou o comunicado, que também alertou contra novas violações do cessar-fogo por parte das “forças armadas agressoras dos EUA”.
O anúncio ocorreu após relatos de bombardeios conduzidos pelas forças armadas estadunidenses no sul do Irã na segunda-feira, 25 de maio. Segundo informações divulgadas pela Press TV, os ataques atingiram áreas próximas à cidade portuária de Bandar Abbas, localizada em posição estratégica no Estreito de Ormuz.
O porta-voz do Comando Central das forças armadas estadunidenses (CENTCOM), Timothy Hawkins, confirmou as operações militares. “As forças americanas realizaram ataques no sul do Irã para proteger nossas tropas das ameaças representadas pelas forças iranianas”, afirmou. Hawkins declarou ainda que os alvos incluíam “locais de lançamento de mísseis e barcos iranianos que tentavam instalar minas”.
O Estreito de Ormuz concentra parte do fluxo mundial de petróleo transportado por via marítima. O Irã sustenta há anos que qualquer operação militar estrangeira na região ameaça a navegação internacional e a segurança energética global. Autoridades iranianas afirmam que responderão militarmente a ações externas no Golfo Pérsico e em rotas marítimas próximas ao território iraniano.
A escalada militar ocorre após semanas de confrontos envolvendo forças iranianas, operações estadunidenses e movimentações militares de Israel na região. O aumento das tensões também se desenvolve em meio ao aprofundamento da presença militar estadunidense no Golfo Pérsico, consolidada desde as invasões do Iraque e do Afeganistão e mantida por bases militares distribuídas em monarquias alinhadas a Washington.
O MQ-9 Reaper abatido pertence a uma geração de drones utilizados em operações armadas conduzidas pelos Estados Unidos desde os anos 2000. O equipamento foi empregado em assassinatos seletivos, ataques transfronteiriços e operações clandestinas realizadas pela CIA e pelo Pentágono em diversos países da Ásia Ocidental e da África.
A Press TV informou que o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica reiterou disposição para responder a qualquer nova ação militar estadunidense no espaço aéreo ou marítimo iraniano. O comunicado foi divulgado na manhã de terça-feira, 26 de maio, após o aumento das movimentações militares no Golfo Pérsico e no entorno do Estreito de Ormuz.



































