Brasil Contra o Crime Organizado vai modernizar presídios com R$ 184,9 milhões em tecnologia
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O governo federal iniciou a entrega de equipamentos de vigilância e viaturas para 138 presídios selecionados pela Secretaria Nacional de Políticas Penais dentro do programa Brasil Contra o Crime Organizado. O investimento anunciado em 25 de maio soma R$ 184,9 milhões e inclui scanners corporais, aparelhos de raio-X e veículos destinados ao controle das unidades prisionais. A expansão da estrutura carcerária ocorre em meio ao crescimento contínuo da população prisional brasileira, resultado de décadas de política de encarceramento em massa adotada sob influência de modelos de segurança importados da política estadunidense de “guerra às drogas”.

Segundo a Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, os equipamentos começarão a ser distribuídos a partir de junho de 2026. As entregas fazem parte do chamado Padrão Segurança Máxima (PSM), eixo do Programa Brasil Contra o Crime Organizado criado pelo governo federal para ampliar mecanismos de vigilância, monitoramento e repressão dentro das unidades prisionais.
O pacote anunciado inclui 276 aparelhos de raio-X adquiridos por R$ 36 milhões, 138 scanners corporais comprados por R$ 38 milhões e 365 viaturas que custaram R$ 108 milhões aos cofres públicos. O total já empenhado corresponde a mais de 57% do orçamento global previsto para o programa, estimado em R$ 324 milhões.
De acordo com a SENAPPEN, as 138 unidades contempladas foram selecionadas a partir de dados de inteligência penal. O governo afirma que o objetivo é ampliar a capacidade de interceptação de materiais ilícitos, restringir comunicações internas e reforçar o controle estatal sobre os presídios.
A distribuição regional das unidades escolhidas foi detalhada pelo governo federal. A região Nordeste concentra 45 presídios contemplados pelo programa. O Sudeste aparece com 38 unidades, seguido pelo Norte com 23, Sul com 17 e Centro-Oeste com 15.
Cada estabelecimento receberá dois aparelhos de raio-X e um scanner corporal. O planejamento operacional prevê ainda a entrega de três viaturas por unidade até o final de 2026, incluindo ao menos um veículo blindado para cada presídio selecionado.
A estrutura tecnológica anunciada segue padrões operacionais aplicados no Sistema Penitenciário Federal, modelo criado no início dos anos 2000 durante a ampliação das políticas de encarceramento e endurecimento penal implementadas após o avanço das facções armadas dentro dos presídios brasileiros. O governo afirma que o projeto não pretende transformar presídios estaduais em unidades federais, mas reproduzir métodos de controle utilizados pela Polícia Penal Federal.
O programa opera sob cooperação entre União e estados. Na prática, o governo federal amplia presença sobre os sistemas penitenciários estaduais por meio da padronização de protocolos, compartilhamento de inteligência e transferência de equipamentos.
Entre as operações vinculadas ao programa estão a Operação MUTE e a Operação Modo Avião. Segundo a SENAPPEN, as ações têm como foco a retirada de celulares considerados ilícitos e o bloqueio de comunicações atribuídas a organizações criminosas dentro das unidades prisionais.
O programa também prevê treinamento de agentes e formação de instrutores multiplicadores ligados à Polícia Penal Federal. A proposta inclui disseminação de protocolos operacionais padronizados em todo o território nacional.
O avanço do investimento em tecnologia prisional ocorre enquanto o Brasil mantém uma das maiores populações carcerárias do planeta. O crescimento do encarceramento nas últimas décadas foi acompanhado pela expansão de facções organizadas dentro das prisões, fenômeno associado ao colapso estrutural do sistema penitenciário, à ausência de políticas sociais e ao modelo repressivo consolidado desde os anos 1990 sob influência de agendas de segurança formuladas em alinhamento com a política antidrogas estadunidense.
Segundo o texto divulgado pela Agência Gov em parceria com o Departamento Penitenciário Nacional, o objetivo declarado do programa é “fortalecer o enfrentamento ao crime organizado dentro das unidades prisionais e nas ruas”. A SENAPPEN afirma ainda que as ações buscam “fortalecer o controle estatal nas unidades prisionais e ampliar a capacidade de enfrentamento ao crime organizado dentro das unidades prisionais visando, consequentemente, a um impacto direto na segurança pública”.
O anúncio foi publicado pela Agência Gov em 25 de maio de 2026 com informações do Departamento Penitenciário Nacional.



































