Negociação sob ameaça: Estados Unidos pressionam Irã com sanções, frota naval e exigências unilaterais
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Mediadores do Catar, da Turquia e do Egito apresentaram nesta semana uma proposta de estrutura para negociações entre o Irã e os Estados Unidos, previstas para sexta-feira, 7 de fevereiro de 2026. O plano impõe limites severos ao programa nuclear iraniano em um contexto de escalada militar estadunidense no Mar Arábico. As informações foram publicadas pela Al Jazeera em 4 de fevereiro de 2026, com base em fontes diretamente envolvidas no processo. As conversas devem ocorrer em Omã e contar com a presença do chanceler iraniano Abbas Araghchi e do enviado especial estadunidense Steve Witkoff. O movimento diplomático ocorre sob a sombra explícita da coerção militar ordenada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Segundo duas fontes ouvidas pela Al Jazeera, a proposta exige que o Irã suspenda totalmente o enriquecimento de urânio por três anos e, posteriormente, limite essa atividade a menos de 1,5%. O texto também determina que o estoque iraniano de urânio altamente enriquecido — cerca de 440 quilos enriquecidos a 60% — seja transferido para um terceiro país, retirando de Teerã qualquer capacidade imediata de autonomia estratégica no setor nuclear.
A estrutura apresentada vai além do programa nuclear e incorpora exigências de caráter militar e regional. De acordo com uma das fontes, um diplomata de alto escalão citado pela Al Jazeera sob condição de anonimato, o Irã deveria se comprometer a não transferir armas ou tecnologias a aliados regionais não estatais e a não iniciar o uso de mísseis balísticos, ainda que essas cláusulas fiquem aquém das exigências máximas da política externa estadunidense, que busca limitar também o alcance e a quantidade desses mísseis.
Os mediadores incluíram ainda a proposta de um “acordo de não agressão” entre Teerã e Washington. Até o momento da publicação, não havia confirmação pública de aceitação ou rejeição formal por parte de qualquer um dos lados. A agência iraniana Tasnim informou que Teerã reiterou que discutirá “exclusivamente” o programa nuclear e o levantamento das sanções, rejeitando qualquer negociação sobre sua política de defesa ou alianças regionais.
As negociações ocorrem em um cenário de pressão militar direta. O governo estadunidense posicionou um porta-aviões de propulsão nuclear, caças e destróieres no Mar Arábico, incluindo o USS Abraham Lincoln (CVN-72), conforme imagem de arquivo da Reuters registrada em 11 de agosto de 2025. A movimentação foi ordenada após protestos internos no Irã reprimidos com violência em dezembro e janeiro, episódio utilizado por Washington como pretexto político para ampliar a intimidação militar.
O histórico recente reforça a assimetria do processo. Em 2015, o Irã assinou o Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA), aceitando limites rigorosos ao enriquecimento de urânio em troca do alívio de sanções, acordo do qual os Estados Unidos se retiraram unilateralmente em 2018 por decisão de Donald Trump, então já presidente dos Estados Unidos. Desde então, Teerã mantém profunda desconfiança em relação a qualquer compromisso estadunidense.
As tensões se agravaram novamente após encontros diplomáticos fracassados em Mascate, em junho, interrompidos por bombardeios israelenses contra o território iraniano. Esses ataques deram origem a uma ofensiva de 12 dias que terminou com bombardeios diretos estadunidenses a instalações nucleares do Irã e uma resposta simbólica iraniana contra a base militar de Al Udeid, no Catar, que abriga forças estadunidenses.
Mesmo após o cessar-fogo, Washington intensificou sua retórica e sua presença militar. Na terça-feira (3), forças estadunidenses abateram um drone iraniano que se aproximava do USS Abraham Lincoln e acusaram a Guarda Revolucionária Islâmica de hostilizar um navio mercante com bandeira e tripulação estadunidense no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de energia.









































