ONU aponta prevenção ignorada em 37% dos cânceres globais
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Um estudo divulgado em 3 de fevereiro pela Organização Mundial da Saúde e pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer revelou que quase 40% dos casos de câncer no mundo poderiam ser evitados. A análise, baseada em dados de 185 países e 36 tipos da doença, identificou 37% dos novos diagnósticos em 2022, cerca de 7,1 milhões de casos, ligados a causas preveníveis. O levantamento foi publicado às vésperas do Dia Mundial do Câncer, celebrado em 4 de fevereiro. Segundo a OMS, o câncer foi responsável por quase 10 milhões de mortes em 2020, o equivalente a uma em cada seis no planeta. Mantidas as tendências atuais, os novos casos devem crescer 50% até 2040.

O estudo examinou 30 fatores evitáveis, entre eles tabaco, álcool, índice de massa corporal elevado, inatividade física, poluição do ar e radiação ultravioleta, além de nove infecções cancerígenas incluídas pela primeira vez, como o papilomavírus humano (HPV), principal causa do câncer do colo do útero. De acordo com a OMS, o tabaco permanece como o maior fator isolado, respondendo por 15% de todos os novos casos, seguido por infecções, com 10%, e pelo consumo de álcool, com 3%.
Os cânceres de pulmão, estômago e colo do útero concentraram quase metade de todos os casos evitáveis em homens e mulheres. O câncer de pulmão esteve associado principalmente ao tabagismo e à poluição do ar; o de estômago, à infecção por Helicobacter pylori; e o câncer cervical, predominantemente ao HPV. “Ao examinarmos padrões entre países e grupos populacionais, podemos fornecer aos governos e indivíduos informações mais específicas para ajudar a prevenir muitos casos de câncer antes mesmo de eles começarem”, afirmou o médico André Ilbawi, líder da equipe de controle do câncer da OMS e autor do estudo.
A incidência de câncer evitável mostrou desigualdade marcada entre gêneros e regiões, refletindo estruturas globais de desenvolvimento e acesso desigual a políticas públicas. Entre os homens, 45% dos novos casos estavam ligados a fatores preveníveis, contra 30% entre as mulheres. No Leste Asiático, 57% dos casos masculinos foram classificados como evitáveis, enquanto a menor taxa apareceu na América Latina e no Caribe, com 28%; entre mulheres, os percentuais variaram de 24% no Norte da África e Ásia Ocidental a 38% na África Subsaariana.
A OMS defendeu estratégias de prevenção adaptadas a cada contexto nacional, com controle rigoroso do tabaco e do álcool, vacinação contra o HPV e hepatite B, melhoria da qualidade do ar, ambientes de trabalho mais seguros e promoção de alimentação saudável e atividade física. Para a agência, a persistência de altas taxas evitáveis expõe escolhas políticas que priorizam modelos econômicos predatórios em detrimento da saúde coletiva. “A ação coordenada entre setores, da saúde à educação, energia, transporte e trabalho, pode evitar que milhões de famílias carreguem o fardo de um diagnóstico de câncer”, afirmou a organização, destacando que enfrentar fatores preveníveis reduz custos de longo prazo e amplia o bem-estar social.









































