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Israel força ONU a suspender patrulhas no sul do Líbano

A ONU suspendeu temporariamente patrulhas da UNIFIL ao longo de trechos da Linha Azul, no sul do Líbano, após o Exército israelense anunciar a liberação de uma substância química não identificada nas proximidades da fronteira. O episódio ocorreu na manhã de domingo, 1º de fevereiro de 2026, ao norte da Linha Azul, e interrompeu mais de uma dezena de atividades de manutenção da paz por mais de nove horas. A informação foi confirmada pelo porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, em Nova Iorque, nesta segunda-feira, 2 de fevereiro. Israel alegou que a substância seria “não tóxica”, sem apresentar comprovação imediata. Até o fim da tarde de segunda-feira, os resultados dos testes toxicológicos ainda não haviam sido divulgados.


Soldados da Paz da ONU
Soldados da Paz da ONU

Segundo Dujarric, “as Forças de Defesa de Israel disseram que as forças de paz deveriam manter-se afastadas da área”, o que levou à suspensão imediata das operações da UNIFIL. Ele afirmou que os capacetes azuis apoiaram o Exército libanês na coleta de amostras do material lançado ao solo, que serão analisadas em relatório toxicológico oficial. A ausência de transparência prévia sobre a natureza da substância levantou alertas dentro do próprio sistema da ONU quanto à segurança do contingente e da população local.


A Linha Azul, com cerca de 120 quilômetros de extensão, foi estabelecida pela ONU como linha de retirada para confirmar a saída das tropas israelenses do sul do Líbano. A organização voltou a denunciar violações recorrentes do espaço aéreo ao longo da linha, classificadas como descumprimento direto da Resolução 1701 do Conselho de Segurança, que definiu o mandato da UNIFIL após as hostilidades de 2006 entre Israel e o Hezbollah. Para a ONU, tais ações corroem deliberadamente os mecanismos internacionais criados para conter novas escaladas militares.


O último acordo de cessação de hostilidades entre Israel e o Hezbollah foi firmado em novembro de 2024, após meses de tensão crescente na fronteira libanesa, intensificada no contexto regional do genocídio imposto à população palestina a partir de 7 de outubro de 2023. A UNIFIL alertou que a instabilidade prolongada na região não pode ser dissociada desse cenário mais amplo de violência sistemática e impunidade política.


“Qualquer atividade que possa colocar em risco as forças de paz e os civis é motivo de séria preocupação”, declarou Dujarric, reforçando o apelo para o cumprimento integral da Resolução 1701.

Em comunicado próprio, a UNIFIL afirmou que o episódio levanta “preocupações sérias” sobre os efeitos potenciais da substância não identificada sobre civis, terras agrícolas e o retorno seguro das comunidades deslocadas próximas à Linha Azul. A missão destacou que “esta não é a primeira vez que as Forças de Defesa de Israel lançam substâncias químicas desconhecidas de aeronaves sobre o Líbano” e cobrou que essas ações cessem imediatamente. Para a força de paz, a repetição desse tipo de prática expõe o desequilíbrio estrutural de poder na região e mina qualquer perspectiva real de estabilidade duradoura.

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