EUA reata uso de munições de fragmentação israelense e ignora proteção a civis
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O Departamento de Defesa dos Estados Unidos anunciou planos para adquirir projéteis de fragmentação XM1208 de 155 mm produzidos por Israel, em contrato avaliado em pelo menos US$ 210 milhões. A decisão representa um retrocesso mortal nas normas internacionais de proteção a civis, segundo a Human Rights Watch. Essas armas se dispersam em múltiplas submunições que não distinguem combatentes de civis e deixam artefatos não detonados, causando mortes e ferimentos por anos. Sarah Yager, diretora da Human Rights Watch em Washington, declarou:
“O governo Trump simplesmente ignora os danos previsíveis aos civis, desde crianças que encontram bombas não detonadas até comunidades forçadas a conviver com campos minados não sinalizados muito tempo depois do fim de um conflito.”
A compra sinaliza uma regressão clara, alinhada à remoção de salvaguardas humanitárias nas recentes políticas de defesa estadunidenses.

As munições de fragmentação são projetadas para se abrirem no ar, espalhando submunições sobre vastas áreas sem distinguir alvos, tornando civis alvos involuntários. Muitas dessas submunições não explodem ao contato, transformando territórios inteiros em armadilhas por anos, similar ao efeito de minas antipessoais. O Pentágono justificou a compra sob a lógica da modernização militar, mas especialistas e organizações de direitos humanos alertam que o movimento contraria décadas de estigmatização internacional dessas armas, fortalecida desde a Convenção de 2008 sobre Munições de Fragmentação. Embora os EUA não sejam signatários, mantinham desde 2009 a prática de não usar essas munições, estratégia que agora é revertida.
A Human Rights Watch aponta que essa decisão integra um padrão mais amplo de desmontes sistemáticos de restrições humanitárias promovido pelo governo Trump. Em dezembro de 2025, o Secretário de Defesa Pete Hegseth revogou limitações ao uso de minas antipessoais, enquanto a Estratégia de Defesa Nacional de janeiro de 2026 retirou completamente a proteção de civis das prioridades de política militar. Uma ordem executiva de 6 de fevereiro de 2026, intitulada “Estratégia de Transferência de Armas ‘América Primeiro’”, reforça a priorização de vendas de armamentos que beneficiem a indústria de defesa estadunidense, sem considerar riscos humanitários.
Sarah Yager sublinhou: “As forças militares dos EUA realizaram um trabalho importante nos últimos anos para reduzir os danos a civis, mas ainda há muito a ser feito. A decisão do governo Trump de comprar munições de fragmentação mostra que o Pentágono não considera mais a proteção de civis uma prioridade.”
A aquisição, caso concretizada, marca um retrocesso explícito em relação às normas internacionais e aumenta o risco de mortes civis em cenários de conflito futuros. A Human Rights Watch exigiu que Trump e o Congresso suspendam imediatamente a compra e reafirmem compromissos com políticas de defesa que priorizem vidas civis.
O movimento estadunidense é interpretado por organizações internacionais como sinal de desprezo pelas convenções humanitárias e evidencia o alinhamento da política militar com interesses industriais e estratégicos, independentemente do impacto sobre populações vulneráveis.









































