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França ignora avanço neonazista e colhe mortes, alerta movimento antifascista de Lyon

A morte de um militante nacionalista de extrema direita em Lyon recolocou no centro do debate a expansão de grupos neonazistas violentos na França. O caso ocorreu em fevereiro de 2026 após anos de alertas ignorados sobre ataques sistemáticos contra coletivos antifascistas, organizações de esquerda e comunidades racializadas. As informações foram publicadas pelo coletivo NPA-l’Anticapitaliste. O episódio aconteceu durante uma provocação do grupo identitário Némésis em um evento público com a eurodeputada Rima Hassan, da França Insubmissa.


©THE WASHINGTON POST
©THE WASHINGTON POST

Em Lyon, há anos coletivos antirracistas, organizações de solidariedade à Palestina, livrarias e militantes de esquerda denunciam ataques recorrentes de grupos racistas, misóginos e violentos. Esses grupos realizam agressões contra pessoas, espaços culturais e atividades políticas sem resposta eficaz do Estado francês, segundo o relato publicado pelo NPA-l’Anticapitaliste. Diante da repetição de episódios de violência, parte do movimento social passou a adotar estratégias de autodefesa para proteger seus espaços e integrantes.


O histórico de violência política da extrema direita no país é documentado por dados oficiais e casos concretos. Entre 1986 e 2021, 53 assassinatos com motivação ideológica foram registrados, sendo 90% atribuídos à extrema direita. Em 2022, o ex-jogador de rúgbi Federico Martín Aramburú foi morto a tiros por Loïk Le Priol e Romain Bouvier, ligados ao grupo fascista GUD. O assassinato do estudante antifascista Clément Méric, em 2013, permanece como símbolo da violência política ultranacionalista. Casos recentes incluem os assassinatos de Ismaël Aali, Djamel Bendjaballah, Rochdi Lakhsassi, Mustafa, Ahmid, Hichem Miraoui e Aboubakar Cissé, este último explicitamente marcado por islamofobia.


Enquanto a violência se amplia, o aparato estatal e a cobertura midiática concentram ataques na esquerda. O Ministério do Interior classificou a França Insubmissa como “extrema esquerda” às vésperas das eleições municipais de março, e o ministro Gérald Darmanin chegou a acusar o líder Jean-Luc Mélenchon de liderar uma “milícia”. Para o NPA-l’Anticapitaliste, esse discurso institucional reforça a criminalização de movimentos sociais e contribui para a legitimação política de forças reacionárias.


A normalização da extrema direita na França, segundo o texto, é resultado de décadas de políticas antissociais, securitárias e anti-imigração adotadas por sucessivos governos, aprofundadas sob a presidência de Emmanuel Macron. A repressão a sindicatos, movimentos populares e organizações políticas, combinada à adoção de pautas xenófobas, teria deslocado o eixo do debate público para a direita e aberto espaço para grupos fascistas operarem com maior liberdade.


Nos dias que antecederam o episódio em Lyon, organizações de extrema direita convocaram atos de vingança e realizaram ataques contra sedes políticas, incluindo espaços ligados à França Insubmissa, ao sindicato Solidaires e à livraria La Plume Noire. Militantes antifascistas passaram a ser alvo de ameaças de morte e campanhas de exposição de dados pessoais na internet. O NPA-l’Anticapitaliste declarou apoio aos ativistas e denunciou a tentativa de intimidar a organização popular.


Para o coletivo, a extrema direita “idealiza e romantiza a violência e a morte” e ameaça diretamente trabalhadores, imigrantes e minorias. Em contraposição, o antifascismo é apresentado como uma luta por igualdade e justiça social. O texto defende a construção de uma frente ampla de sindicatos e forças políticas comprometidas com transformação social, capaz de enfrentar a extrema-direita não apenas nas eleições, mas nas ruas, nos bairros e nos locais de trabalho.


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