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OMS envia diretor-geral ao epicentro do surto de Ebola na RDCongo

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, chegou neste sábado (30) à cidade de Bunia, no leste da República Democrática do Congo, onde se concentra o atual surto de Ebola que atinge o país. A visita ocorre em meio ao aumento dos casos registrados desde a declaração oficial da emergência sanitária em 15 de maio. A OMS afirma que os recursos financeiros disponíveis para enfrentar a epidemia permanecem abaixo do necessário.



Bunia, capital da província de Ituri, tornou-se o principal foco do surto, que já alcançou três províncias orientais da República Democrática do Congo. Dados divulgados pelas autoridades sanitárias indicam que, desde o reconhecimento oficial da epidemia em 15 de maio, foram contabilizados pelo menos 1.077 casos suspeitos da doença, incluindo 246 mortes.


A disseminação do vírus também ultrapassou as fronteiras congolesas. Em Uganda, país vizinho, foram confirmados nove casos da febre hemorrágica causada pelo vírus Ebola, incluindo uma morte.


Ao desembarcar em Bunia, Tedros Adhanom Ghebreyesus destacou o papel das comunidades locais na contenção da epidemia. Segundo ele, embora a resposta conte com participação internacional e coordenação das autoridades de Kinshasa, as populações afetadas possuem conhecimento direto sobre os problemas enfrentados e sobre os mecanismos necessários para enfrentá-los.


“O papel das comunidades é central”, afirmou Tedros. O diretor-geral acrescentou que a missão da OMS consiste em dialogar com a população local, avaliar o andamento das operações de resposta, identificar obstáculos existentes e verificar quais formas de apoio podem ser fornecidas pela organização.


Tedros está na República Democrática do Congo desde quinta-feira (28) para acompanhar e coordenar as ações relacionadas ao combate ao surto. Durante a visita, voltou a pedir apoio financeiro adicional à comunidade internacional, informando que a OMS recebeu até o momento apenas cerca de um terço dos recursos necessários para executar seu plano de resposta à emergência sanitária.


A organização também alertou que a dimensão real da epidemia pode ser superior aos números atualmente conhecidos. Segundo a OMS, há indícios de que o vírus já circulava em áreas do leste congolês antes de sua detecção oficial pelas autoridades de saúde, o que pode significar uma cadeia de transmissão mais extensa do que a registrada até agora.


O novo surto ocorre em uma região marcada por décadas de instabilidade política, deslocamentos populacionais e limitações estruturais nos sistemas de saúde, fatores que dificultam operações de rastreamento de contatos, isolamento de casos e atendimento médico. A concentração dos casos nas províncias orientais também expõe os desafios enfrentados por um país que convive com intervenções externas, exploração de recursos minerais e crises humanitárias recorrentes.


As autoridades sanitárias congolesas, em coordenação com a OMS e outras organizações internacionais, mantêm equipes mobilizadas para ampliar a vigilância epidemiológica, acelerar a identificação de novos casos e conter a propagação do vírus nas áreas afetadas.

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