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Há 29 anos, Dolly era apresentada ao mundo e mudava a história da ciência

Em 22 de fevereiro de 1997, cientistas do Roslin Institute, na Escócia, tornaram pública a existência da ovelha Dolly, primeiro mamífero clonado a partir de uma célula adulta. O experimento havia sido mantido em sigilo por sete meses, enquanto a equipe preparava a publicação científica com os resultados. Dolly nasceu em 5 de julho de 1996, após 276 tentativas fracassadas, a partir da transferência do núcleo de uma célula mamária para um óvulo sem material genético. O anúncio gerou impacto global, reacendendo debates sobre manipulação genética, ética científica e os limites da biotecnologia. Quase três décadas depois, o legado da experiência continua moldando pesquisas, políticas públicas e interesses econômicos no campo da engenharia genética.


Ovelha Dolly - primeiro animal clonado por uma célula adulta _CB
Ovelha Dolly - primeiro animal clonado por uma célula adulta _CB

A clonagem de Dolly foi conduzida pelos biólogos Keith Campbell e Ian Wilmut, que buscavam comprovar a viabilidade da reprogramação celular em mamíferos. A técnica utilizou material genético de uma ovelha de seis anos, implantado em um óvulo de outra fêmea e gestado por uma terceira, chamada Allie, evidenciando o caráter laboratorial e altamente controlado do processo. O nascimento foi mantido sob confidencialidade até a conclusão do artigo científico, divulgado em fevereiro de 1997, consolidando a façanha como um marco da biologia moderna.


O impacto científico foi imediato, mas o debate político também se intensificou. Nos Estados Unidos, o então presidente Bill Clinton proibiu o uso de recursos federais para pesquisas de clonagem humana ainda em 1997, decisão que influenciou legislações em outros países e culminou na declaração da Organização das Nações Unidas, em 2005, que recomendou a proibição da clonagem humana em nível global. A medida expôs a tensão entre avanços científicos e controle estatal sobre a pesquisa, além de evidenciar como a biotecnologia rapidamente se tornou tema geopolítico.


Dolly viveu seis anos no Roslin Institute, teve seis filhotes e morreu em 14 de fevereiro de 2003, após diagnóstico de artrite em 2001 e câncer pulmonar em 2003. A morte precoce foi explorada por críticos da clonagem como prova de supostos efeitos colaterais irreversíveis, embora estudos posteriores tenham indicado que seu envelhecimento foi compatível com o de outros ovinos. Seu corpo foi preservado e exposto no Museu Nacional da Escócia, onde permanece como símbolo material da experiência.


Desde então, a clonagem animal se expandiu para bovinos, suínos, equinos e, mais recentemente, para o mercado de animais de estimação, onde empresas privadas oferecem serviços de replicação genética a preços elevados. Esse desdobramento revela que a inovação científica inaugurada com Dolly não se limitou à pesquisa médica, mas abriu um setor econômico baseado na propriedade e reprodução de material genético, intensificando debates sobre mercantilização da vida e concentração tecnológica.


Passados 29 anos, a experiência de Dolly permanece como um divisor histórico. Mais do que um feito isolado, ela marcou a transição da biologia para uma fase de intervenção direta e programada sobre a vida, com impactos científicos, econômicos e políticos que seguem em disputa. O que começou como uma prova de conceito laboratorial tornou-se parte de uma indústria global que redefine os limites entre natureza, tecnologia e poder.

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