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Irã condena profanação da Mesquita de Al-Aqsa por extremistas israelenses

O governo iraniano condenou em 14 de abril a invasão da Mesquita Al-Aqsa por autoridades israelenses e colonos sob proteção militar. A denúncia foi feita pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, em comunicado divulgado na noite de segunda-feira. Segundo Teerã, a ação integra uma política sistemática de alteração da identidade histórica e religiosa de al-Quds. O episódio ocorreu após a entrada do ministro israelense Itamar Ben-Gvir no complexo sagrado, acompanhado por colonos. O Irã também criticou a restrição imposta a fiéis palestinos, impedidos de acessar o local.


Esmaeil Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã (Foto de Foad Ashtari_SOPA Images_LightRocket via Getty Images)
Esmaeil Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã (Foto de Foad Ashtari_SOPA Images_LightRocket via Getty Images)

No comunicado, Baqaei classificou a incursão como parte da continuidade dos crimes do regime israelense na Palestina ocupada, além de relacioná-la aos ataques militares conduzidos por Israel no Líbano e em outros países da região. O porta-voz destacou que a profanação da Mesquita Al-Aqsa não se trata de um episódio isolado, mas de uma política deliberada voltada à transformação da identidade islâmica e histórica de al-Quds.


“A profanação da Mesquita Al-Aqsa faz parte de uma estratégia para alterar a identidade islâmica e histórica da cidade sagrada e provocar os sentimentos dos muçulmanos em todo o mundo”, afirmou Baqaei. Ele ressaltou ainda que o local possui um status central para o Islã, sendo considerado a primeira Qibla dos muçulmanos e um dos espaços mais sagrados para a população palestina.


A declaração iraniana também enfatizou a responsabilidade legal e moral da comunidade internacional diante das ações israelenses. Segundo o porta-voz, os países devem “enfrentar essa tendência e denunciar e punir os criminosos israelenses”, indicando a necessidade de medidas concretas além de condenações diplomáticas.


O episódio ocorreu após o ministro de Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, realizar mais uma incursão no complexo da Mesquita Al-Aqsa, localizado na Cidade Velha de al-Quds ocupada. Esta foi a terceira vez em 2026 que o ministro entrou no local, considerado o terceiro mais sagrado do Islã.


Durante a ação, Ben-Gvir foi acompanhado por colonos israelenses e protegido por forças militares, que garantiram sua permanência no complexo. No local, ele realizou orações judaicas, prática proibida para não muçulmanos segundo o acordo de status quo estabelecido após 1967, que permite visitas, mas não rituais religiosos de outras crenças.


A presidência da Autoridade Palestina também condenou a incursão, destacando que esse tipo de ação tem se tornado cada vez mais frequente nos últimos anos. A repetição dessas entradas, frequentemente sob escolta armada, intensifica as tensões e reforça a política de ocupação sobre locais considerados centrais para a identidade palestina.


Ben-Gvir já invadiu o complexo ao menos 16 vezes desde que assumiu o cargo em 2022. Ele está associado a um movimento de colonos que defende a tomada da Mesquita Al-Aqsa, incluindo declarações públicas sobre a intenção de construir uma sinagoga judaica no local onde hoje se encontra o santuário islâmico.

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