"Tenho compromisso ético de não permitir que um fascista volte a governar o país"
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou em 14 de abril de 2026 a disseminação de desinformação pelo senador Flávio Bolsonaro durante o debate eleitoral. Em entrevista concedida ao Brasil247, Revista Fórum e DCM, Lula afirmou que a disputa política exige compromisso com a verdade e responsabilidade pública. O presidente reagiu à divulgação de imagens falsas associando seu governo à fome, classificando a prática como recorrente entre seus adversários. Lula também denunciou tentativas de influência externa nas eleições brasileiras por parte do governo estadunidense. As declarações ocorrem em meio à intensificação do cenário político para as eleições de 2026.

Durante a entrevista, Lula respondeu diretamente a uma publicação feita por Flávio Bolsonaro no dia 12 de abril, que utilizava imagens de pessoas buscando alimentos em um caminhão de lixo em Fortaleza (CE), associando a cena ao atual governo. As imagens, no entanto, foram registradas em 18 de outubro de 2021, durante a gestão de Jair Bolsonaro. Ao comentar o episódio, Lula afirmou: “Quem mentir daqui pra frente será pego de calças curtas. Como o Flávio”, estabelecendo a crítica como parte de uma disputa mais ampla contra o uso sistemático de desinformação no debate público.
O presidente também vinculou a atuação do senador à trajetória política do pai, Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar após condenação superior a 27 anos por crimes como tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Lula classificou a linha política da família Bolsonaro como extremista e afirmou: “Tenho o compromisso moral e ético de não permitir que um fascista volte a governar o país”.
Ao abordar o cenário eleitoral, Lula defendeu que a escolha de um chefe de Estado deve ocorrer com base em debates concretos e não em manipulação informacional. “Precisamos levar a sociedade brasileira ao momento eleitoral discutindo com seriedade o que precisamos discutir para escolher um chefe de Estado. Se ela for na base da mentira, o resultado pode ser um desastre para a democracia e para a sociedade brasileira”, declarou, reforçando a centralidade do embate informacional na disputa política contemporânea.
O presidente também reafirmou sua disposição para disputar a reeleição, destacando energia política e agenda de governo ainda em construção. “Nunca tive tanta energia para ser presidente da República como agora”, afirmou. Segundo ele, o atual mandato tem sido marcado pela reconstrução institucional após o que classificou como um período de “desastre” na gestão anterior, indicando que os esforços iniciais se concentraram em reorganizar estruturas estatais fragilizadas.
Lula declarou ainda que pretende conduzir o país a um novo patamar de desenvolvimento social e tecnológico em um eventual quarto mandato. “Eu tenho muita coisa para fazer nesse país. Tem muita coisa. Nós apenas começamos a alicerçar. Foi mais difícil recuperar os anos de desastre do governo anterior do que começar em 2003”, disse, acrescentando que seu compromisso é “fazer o país dar um salto definitivo para se transformar num país desenvolvido”.
Ao comentar o cenário internacional, o presidente criticou a atuação do governo estadunidense sob Donald Trump, apontando interferências em processos eleitorais de outros países. Lula mencionou declarações recentes de Trump sobre eleições em Honduras e Costa Rica, classificando-as como “uma intromissão sem precedentes na soberania de um país”. Também destacou que aliados políticos no Brasil mantêm vínculos com setores estadunidenses que defendem esse tipo de ingerência. “Aqui ele ainda não fez, mas meus adversários têm um filho lá, tem filho pedindo intervenção americana no Brasil. Acho isso um erro de comportamento, tanto deles pedindo quanto do Trump fazendo”, afirmou.
O presidente também criticou a postura militar do governo estadunidense em relação ao Irã, classificando-a como “inconsequente”, e afirmou que Trump não precisa “ameaçar o mundo”. Lula expressou ainda solidariedade ao Papa Leão XIV após críticas públicas feitas por Trump, evidenciando tensões entre a política externa estadunidense e lideranças religiosas internacionais.
Ao abordar a detenção de Alexandre Ramagem nos Estados Unidos, Lula reforçou que o ex-diretor da Abin deve retornar ao Brasil para cumprir a pena de 16 anos imposta pelo Supremo Tribunal Federal. “O Ramagem eu acho que vai vir para cá. A direita aqui no Brasil está dizendo que ele foi preso numa multa de trânsito. Não, ele foi pego porque foi condenado a 16 anos de prisão. É um golpista que está condenado”, declarou.
No campo econômico, o presidente destacou indicadores recentes como a cotação do dólar abaixo de R$ 5, o aumento da massa salarial e a valorização da bolsa de valores, apresentando-os como sinais de recuperação após o período anterior. Lula ressaltou que herdou uma economia fragilizada e que a reconstrução exige medidas estruturais. “Quando você encontra uma economia destruída, você não pode começar a administrar sem levar em conta que ela está destruída e que você tem que consertá-la”, afirmou.
Apesar dos indicadores positivos, Lula reconheceu a necessidade de traduzir esses avanços em melhorias concretas para a população. O presidente mencionou a elaboração de um programa de renegociação de dívidas e políticas para conter o avanço das plataformas de apostas digitais. “Os cassinos estão dentro das casas das pessoas, em seus celulares”, disse, ao defender o enfrentamento do que chamou de “guerra da jogatina”.
O presidente também abordou debates em curso no Congresso Nacional, como o fim da escala 6×1 e a regulamentação do trabalho por aplicativos, destacando a importância da mobilização social na definição dessas pautas. “Estamos trabalhando com muito afinco para, quando mandarmos os projetos do governo, eles possam atender ao máximo as demandas das pessoas”, afirmou.



































