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Aqui não! China impõe novas restrições a dez empresas dos EUA nos setores de terras raras

A China anunciou em 22 de junho a inclusão de dez empresas dos Estados Unidos em sua Lista de Controle de Exportações. A medida impede que essas companhias recebam itens chineses de dupla utilização, categoria que abrange produtos com aplicações civis e militares. A decisão atinge fabricantes ligados aos setores de drones, sistemas militares e terras raras, áreas que ocupam posição central na disputa tecnológica e industrial entre Pequim e Washington.


©PINTEREST
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O Ministério do Comércio da China publicou nesta segunda-feira (22) o Comunicado nº 23 de 2026, emitido pelo Departamento de Segurança Industrial e Controle de Importações e Exportações, determinando a inclusão de dez empresas estadunidenses na Lista de Controle de Exportações do país. A medida proíbe a exportação para essas entidades de itens classificados como de dupla utilização e também veta que organizações ou indivíduos de qualquer país transfiram às empresas produtos de origem chinesa abrangidos pelas restrições.


Segundo o comunicado, a decisão foi adotada com base na Lei de Controle de Exportações da República Popular da China e no Regulamento sobre Controle de Exportações de Itens de Dupla Utilização. O ministério informou que a medida busca proteger a segurança nacional chinesa, defender interesses do Estado e cumprir compromissos internacionais relacionados à não proliferação.


As empresas atingidas pela decisão são Aveox, sediada em Simi Valley, Califórnia; Red Cat Holdings e Teal Drones, ambas localizadas em South Salt Lake, Utah; IMSAR, em Springville, Utah; Jaia Robotics, em Bristol, Rhode Island; Ball Aerospace & Technologies, em Broomfield, Colorado; Oshkosh Defense, em Oshkosh, Wisconsin; L3 Harris Maritime Services, em Norfolk, Virgínia; MP Materials, em Las Vegas, Nevada; e USA Rare Earth, em Stillwater, Oklahoma.


O comunicado prevê a possibilidade de exceções. Caso uma exportação seja considerada necessária, a empresa interessada deverá solicitar autorização prévia ao Ministério do Comércio da China para concluir a operação.


As companhias incluídas na lista atuam principalmente em dois segmentos. O primeiro reúne fabricantes de drones, radares, sistemas robóticos e equipamentos vinculados à indústria militar. O segundo envolve empresas ligadas à exploração, processamento e cadeia produtiva das terras raras, minerais utilizados na fabricação de componentes eletrônicos, sistemas de defesa, veículos elétricos e equipamentos de alta tecnologia.


Red Cat Holdings, Teal Drones, Jaia Robotics e IMSAR desenvolvem drones, sistemas de vigilância, sensores e equipamentos com utilização militar. Ball Aerospace & Technologies, Oshkosh Defense e L3 Harris Maritime Services participam da produção de sistemas aeroespaciais, veículos militares e serviços voltados à estrutura naval estadunidense.


Entre as empresas listadas, MP Materials e USA Rare Earth ocupam posição no programa desenvolvido pelos Estados Unidos para reduzir a dependência das cadeias produtivas chinesas de terras raras. O tema ganhou relevância após anos de concentração do processamento desses minerais na China, que mantém participação dominante na cadeia global de refino e transformação industrial do setor.


A MP Materials controla a mina de Mountain Pass, localizada na Califórnia, considerada a única operação de grande escala de terras raras em atividade nos Estados Unidos. Em 2025, a empresa recebeu investimento direto do governo estadunidense por meio do Departamento de Defesa. O aporte alcançou US$ 400 milhões em ações preferenciais, transformando o governo dos Estados Unidos no maior acionista da companhia, com participação de 15%.


A USA Rare Earth também recebeu apoio financeiro estatal em 2026. A empresa obteve financiamento condicional de US$ 1,6 bilhão destinado a projetos de mineração no Texas e à produção de ímãs industriais em Oklahoma. Os investimentos fazem parte de uma política adotada por Washington para desenvolver cadeias domésticas de fornecimento de minerais considerados estratégicos para a indústria militar e tecnológica.


A inclusão das dez empresas ocorre em um contexto de expansão dos mecanismos chineses de controle de exportações. Pequim passou a utilizar esse instrumento como resposta às restrições comerciais, tecnológicas e industriais impostas por governos ocidentais contra empresas chinesas nos últimos anos.


Em fevereiro de 2026, a China inseriu 20 empresas japonesas dos setores militar, aeroespacial e naval em sua Lista de Controle de Exportações. Em abril, outras sete entidades vinculadas à União Europeia passaram a integrar o mesmo mecanismo.


Os Estados Unidos já haviam sido alvo de medidas semelhantes em 2025. Em 4 de abril daquele ano, 16 entidades estadunidenses foram incluídas na lista por meio do Comunicado nº 21. Cinco dias depois, em 9 de abril, outras 12 entidades foram acrescentadas através do Comunicado nº 22, elevando para 28 o total de empresas estadunidenses submetidas às restrições chinesas naquele período.

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