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Sudão: Três bebês nascem a cada minuto em meio à guerra e a condições humanitárias extremas

Pelo menos três bebês nascem a cada minuto em meio à guerra no Sudão, segundo dados divulgados em 14 de abril de 2026 pela organização Save the Children. O conflito, iniciado em abril de 2023, já dura quase três anos e mergulhou o país em uma crise humanitária de grandes proporções. Entre abril de 2023 e abril de 2026, cerca de 5,6 milhões de crianças nasceram em condições extremas. A maioria desses nascimentos ocorre em abrigos precários ou estruturas de saúde colapsadas. A combinação de violência contínua, fome e ausência de assistência básica agrava os riscos para mães e recém-nascidos.


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De acordo com a Save the Children, o volume de nascimentos equivale a aproximadamente 5.000 por dia, evidenciando a dimensão da crise em um país onde o sistema de saúde entrou em colapso quase total. Muitas dessas crianças vieram ao mundo em contextos de deslocamento forçado, com famílias vivendo em abrigos superlotados, frequentemente sem acesso à eletricidade, água potável, equipamentos médicos básicos ou profissionais de saúde qualificados. A organização destacou que os partos ocorrem, em inúmeros casos, em ambientes improvisados ou durante deslocamentos contínuos provocados pela violência.


O diretor nacional da Save the Children no Sudão, Mohamed Abdiladif, descreveu o cenário como extremo: “Essas crianças nascem em abrigos superlotados, instalações de saúde mal equipadas ou danificadas, ou enquanto suas famílias estão em movimento”. A entidade também afirmou que “nenhuma criança jamais deveria enfrentar” o nascimento em tais condições, sublinhando a gravidade da situação humanitária.


O conflito opõe as Forças de Apoio Rápido (RSF), lideradas por Mohamed Hamdan Daglo, ao exército sudanês comandado por Abdel Fattah al-Burhan. A guerra teve início em abril de 2023 após uma disputa interna pelo poder entre os dois grupos, e se aproxima de seu terceiro ano sem qualquer perspectiva concreta de cessar-fogo. Ambas as partes foram acusadas de cometer graves violações, incluindo massacres, violência sexual e enterros de civis em valas comuns.


O impacto direto sobre a população civil é devastador. Milhares de pessoas foram mortas e milhões foram deslocadas internamente ou forçadas a fugir para países vizinhos. Segundo dados apresentados no relatório, cerca de 25 milhões de pessoas enfrentam níveis críticos de insegurança alimentar, incluindo quatro milhões de crianças que sofrem de desnutrição aguda.


O colapso do sistema de saúde intensifica ainda mais o cenário. Aproximadamente 80% das unidades de saúde no Sudão estão classificadas como “não operacionais”. As poucas instalações ainda em funcionamento enfrentam escassez severa de medicamentos, equipamentos, profissionais e combustível para manter geradores ativos. Esse quadro afeta diretamente a capacidade de atendimento a gestantes e recém-nascidos.


Dados indicam um aumento expressivo na mortalidade materna. Em 2025, a taxa chegou a 295 mortes a cada 100.000 partos, representando um crescimento superior a 12%. A mortalidade infantil também atingiu níveis alarmantes, com estimativa de 42,9% em 2024, segundo números das Nações Unidas.


A intensificação dos ataques agrava ainda mais a crise. Desde o início de 2026, regiões como Kordofan e Darfur têm sido alvo frequente de ataques com drones, muitas vezes atingindo áreas densamente povoadas. Desde janeiro, ao menos 700 pessoas morreram em decorrência desses bombardeios, ampliando o ciclo de deslocamento, destruição e vulnerabilidade que atinge diretamente mães e crianças no país.

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