Iraque suspende exportações do Curdistão, retira 200 mil barris do mercado e Brent sobe 13%
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O governo do Iraque suspendeu em 3 de março de 2026 as exportações de petróleo da região semiautônoma do Curdistão Iraquiano para a Turquia pelo oleoduto Kirkuk-Ceyhan. A decisão, revelada pela Bloomberg com base em fontes não identificadas, retirou aproximadamente 200 mil barris por dia do mercado internacional. A medida ocorre em meio à escalada militar após os ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e à resposta regional subsequente. Paralelamente, dados da Kpler indicam um “fechamento de fato” do Estreito de Ormuz, interrompendo quase um quinto do fluxo global de petróleo. O resultado imediato foi uma alta de cerca de 13% no Brent, que ultrapassou US$ 82 por barril, e um salto de 25% nos preços da gasolina.

Segundo a Bloomberg, produtores no Curdistão reduziram a extração como “medida de precaução” diante da instabilidade regional. A produção, que girava em torno de 200 mil barris diários destinados à exportação, caiu para cerca de 50 mil barris por dia, volume agora reservado ao consumo doméstico. As fontes afirmaram que a prioridade declarada é proteger pessoal e infraestrutura em um ambiente descrito como de “prioridade à segurança”.
O oleoduto Kirkuk-Ceyhan liga campos do norte do Iraque ao porto turco de Ceyhan, no Mediterrâneo, constituindo a principal via de exportação do Governo Regional do Curdistão. A interrupção afeta diretamente receitas em moeda estrangeira e o abastecimento internacional, ampliando o impacto de uma crise já marcada por ataques cruzados e risco sistêmico às rotas energéticas.
A suspensão ocorre enquanto Unidades de Mobilização Popular (PMU) intensificam ataques contra bases militares estadunidenses no Iraque, em resposta à ofensiva iniciada por Washington e Tel Aviv contra a República Islâmica. Bagdá enfrenta pressão crescente sobre a segurança interna, com ameaça direta a infraestruturas críticas, incluindo a rota Kirkuk-Ceyhan.
O cenário regional agrava-se com ataques iranianos a infraestruturas energéticas no Catar e na Arábia Saudita. A estatal QatarEnergy anunciou a suspensão da produção de gás natural liquefeito após mísseis atingirem instalações em Ras Laffan e Mesaieed, declarando que “a QatarEnergy cessou a produção de GNL e produtos associados”. Na Arábia Saudita, a refinaria de Ras Tanura foi alvo de ataque com drones, cuja autoria foi negada por Teerã.
Dados da empresa de monitoramento Kpler apontam que o trânsito pelo Estreito de Ormuz entrou em “fechamento de fato”, com cerca de 150 petroleiros paralisados e seguradoras rescindindo contratos de cobertura na região. Ormuz responde por aproximadamente 20% do fluxo global de petróleo, o que explica a reação imediata dos mercados e a volatilidade ampliada em todo o Golfo.
O encadeamento de ataques, retaliações e interrupções logísticas evidencia como a estratégia militar estadunidense e israelense na região impacta diretamente a segurança energética global, convertendo o Golfo em epicentro de uma crise que ultrapassa fronteiras nacionais e atinge cadeias produtivas em escala planetária.
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