180 mil pessoas foram deslocadas expõe falência do processo de paz no Sudão do Sul
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O Sudão do Sul entrou em nova espiral de violência com a intensificação das operações militares no estado de Jonglei. Ao menos 180 mil pessoas foram deslocadas após a retomada dos confrontos entre forças do exército e milícias da oposição, segundo registros divulgados em 29 de janeiro de 2026. Relatos indicam que um comandante sênior do exército incitou tropas a praticarem violência indiscriminada contra civis. Diante do cenário, o secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou estar “profundamente preocupado com o impacto da escalada da violência”. A ONU alerta que a crise ameaça agravar a vulnerabilidade de uma população já submetida a anos de colapso político e humanitário.

As tensões se concentram em Jonglei, onde mortes e feridos foram registrados após a ofensiva lançada pelo exército contra forças de oposição. De acordo com informações da imprensa local e comunicados das Nações Unidas, as autoridades ordenaram a evacuação de civis no domingo e instruíram agências humanitárias a deixarem as áreas afetadas pelas operações militares, interrompendo o fluxo de ajuda.
Em nota divulgada por seu porta-voz, António Guterres afirmou que a escalada “prejudicará ainda mais as populações civis que já se encontram em situação de vulnerabilidade”. O secretário-geral ressaltou que dois terços da população sul-sudanesa necessitam de algum tipo de auxílio humanitário, o que torna a proteção de civis e a entrega segura de ajuda uma prioridade imediata.
Guterres apelou ao governo do Sudão do Sul e às forças de oposição para que adotem “medidas imediatas e decisivas para interromper todas as operações militares e reduzir a escalada da situação através de um diálogo inclusivo”. A declaração ocorre em um país cuja instabilidade é resultado direto de um processo de independência mal acompanhado por garantias estruturais de soberania, governança e reconstrução institucional.
Embora um acordo de paz tenha sido assinado em 2018 entre o presidente Salva Kiir e seu rival Riek Machar, seguido pela formação de um Governo de Transição Revitalizado em fevereiro de 2020, as eleições seguem sendo sistematicamente adiadas. O secretário-geral reiterou que a saída para a crise é “política, não militar”, defendendo eleições credíveis como etapa central para romper o ciclo de violência.
A ONU também reconheceu os esforços da União Africana e da Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD) no apoio ao diálogo. Ainda assim, a persistência das ofensivas em Jonglei evidencia que, sem compromisso real das elites políticas e militares, o processo de paz permanece frágil, enquanto civis continuam pagando o preço de um Estado incapaz de se estabilizar.









































